Poesia

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A carícia perdida

 

Sai-me dos dedos a carícia sem causa,

Sai-me dos dedos…No vento, ao passar,

A carícia que vaga sem destino nem fim,

A carícia perdida, quem a recolherá?

Posso amar esta noite com piedade infinita,

Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.

Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.

A carícia perdida, andará… andará…

Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,

Se estremece os […]

 

Alfonsina Storni

 

A Poetisa

 

Alfonsina Storni foi uma mulher inquieta. Nasceu em 29 de maio de 1892 no Cantão Ticino da Suíça italiana. Chegou com os pais à Argentina quando tinha quatro anos de idade,e passou a infância na província de San Juan, continuou os estudos na província de Santa Fé, tornando-se professora primária. Trabalhou desde jovem numa fábrica de chapéus em Rosario, e depois como professora. Já publicava poemas em diversas revistas. Partiu para Buenos Aires onde trabalhou como vendedora numa casa comercial. Escrevia muito e logo se integrou ao universo intelectual da cidade. Forte, arrojada, ávida de vida, era rodeada de amigos e de projetos.

Enfrentou muitos obstáculos, dos diversos preconceitos sociais às dificuldades econômicas. De um relacionamento amoroso profundo e tumultuado, nasceu, em 1912, o seu filho único, Alejandro. Em 1916 editou o primeiro livro de poesias “ La inquietud del rosal”, que recebeu muitos prêmios. Alfonsina teve papel importante na criação da Sociedade Argentina de Escritores; foi professora no Teatro Infantil Albarden, na Escola Normal das Lenguas Vivas e no Conservatório Nacional de Música. Participava ativamente da vida cultural da cidade, mantinha relações com todos os intelectuais e se destacava tanto no campo das idéias como no comportamento, pela independência e originalidade de suas atividades.

No Café Tortoni conheceu Federico Garcia Lorca quando este esteve em Buenos Aires na estréia de sua obra “Bodas de Sangue”, entre 1933 e 1934. No ano seguinte, Alfonsina adoeceu e teve o diagnóstico de câncer de mama; sofreu uma cirurgia e perdeu o seio esquerdo. Desenvolveu então profundo quadro melancólico e se isolou por muito tempo. Em 1937 viajou ao Chile onde encontrou seus amigos e colegas de trabalho. Ao retornar da viagem, tomou conhecimento do suicídio de Horácio Quiroga, o grande dramaturgo uruguaio com quem tinha profundas relações afetivas, e que, na época, também estava com um câncer e enfrentava trágicos acontecimentos familiares.

Em 18 de outubro de 1938, seguiu para Mar Del Plata para descansar, e dali enviou ao Jornal “La Nacion” seu poema “Voy a dormir”. Na madrugada de 25 de outubro de 1938, aos 46 anos, depois de ditar uma carta para seu filho, caminhou para o mar sob uma tempestade. Pela manhã, seu corpo foi descoberto na praia.

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