Vasko Popa
NO SUSPIRO
Pelas estradas da profundeza da alma
Pelas estradas azul-celeste
A erva-daninha viaja
As estradas se perdem
Sob os pés
Enxames de pregos violentam
As plantações cansadas
As lavouras desaparecem
Do campo
Lábios invisíveis
Apagaram o campo
A dimensão triunfa
Encantada pelas palmas de suas mãos lisas
Cinzalisas
(tradução: Aleksandar Jovanovic)
Biografia de Vasko Popa aqui
BBiogra
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Garcia Lorca
ROMANCE SONÂMBULO
(Tradução de Salomão Sousa)
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramos.
O barco sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra na cintura,
ela sonha na varanda
verde carne, cabelo verde,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Debaixo da lua cigana,
as coisas a estão olhando
e ela não pode olhá-las.
***
Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de escarcha
vêm com o peixe de sombra
que abre o caminho da alba.
A figueira arranha o vento
com a lixa de seus ramos
e o monte, gato matreiro,
eriça suas fibras acres.
Mas quem virá? e por onde?¼
Ela continua na varanda,
verde carne, cabelo verde,
sonhando no mar amargo.
***
Compadre, quero trocar
meu cavalo por sua casa,
meu arreio pelo espelho,
minha faca por sua manta.
Compadre, venho sangrando
desde os portos de Cabra.
Se eu pudesse, seu moço,
este trato se fechava.
Mas eu já não sou eu
nem já é minha a minha casa.
Compadre, quero morrer
decentemente em minha cama.
De arma branca, pode ser,
com os lençóis de holanda.
Não vês a ferida que tenho
do peito até a garganta?
Trezentas rosas morenas
leva teu peitilho branco.
Teu sangue respinga e cheira
ao redor de tua faixa.
Mas eu já não sou eu.
Nem já é minha a minha casa.
Deixai-me subir ao menos
até as altas varandas:
deixai-me subir!, deixai-me
até as verdes varandas!
Avarandados da lua
por onde estronda a água¼
***
Já sobem os dois compadres
até as altas varandas.
Deixando um rastro de sangue.
Deixando um rastro de lágrimas.
Tremulavam nos telhados
pequenos faróis de lata.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.
***
Verde que de quero verde.
Vento verde. Verdes ramos.
Os dois compadres subiram.
O longo vento deixava
na boca um gosto raro
de fel, de menta e alfavaca.
Compadre! Onde está, dize-me?
Onde está tua menina amarga?
Quantas vezes te esperou!
Quantas vezes te esperara,
de cara alegre, cabelo alegre,
nesta verde varanda!
***
Sobre a boca da cisterna
a cigana tremia.
Verde carne, cabelo verde,
com olhos de fria prata.
O gelo da lua, em pedaços,
ampara-a sobre a água.
A noite se tornou íntima
como uma pequena praça.
Guardas-civis bêbados
na porta golpeavam.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramos.
O barco sobre o mar.
E o cavalo na montanha.
Biografia de Garcia Lorca aqui
ESPELHO
Miranda Sá (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
“O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa reflexo de seus próprios pensamentos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença”.
Luiz Fernando Veríssimo
O espelho, oito mil anos atrás, segundo arqueólogos, eram pedaços polidos de obsidiana, e foram encontrados na Turquia e também no Iraque e na América. No antigo Egito e na Mesopotâmia eram feitos de cobre polido, e na velha China, de bronze.
A História registra que os espelhos de vidro com uma lâmina de ouro no verso surgiram em Roma sendo usados até o Renascimento; artesãos europeus encontraram uma forma de barateá-los, cobrindo uma das faces de um vidro com fina amálgama de mercúrio.
A criação do espelho com um revestimento de prata é atribuída ao químico alemão Justus Von Liebig, em 1835 e então se popularizou.
Seu uso é diverso, serviu até para enganar os índios, após a descoberta do Brasil, que trocavam toneladas de pau brasil por um deles, que se divertiam olhando-se e fazendo caretas…
Da inocência de refletir a imagem ou a luz, os espelhos chegaram à indústria bélica, na construção de periscópios que permitem ver além de um obstáculo, dando a imagem num nível superior ao que nos encontramos.
Figurativamente, no espelho se vê (sem redundância) como exemplo, modelo, representação… No conhecido conto dos Irmãos Grimm, “Branca de Neve e os Sete Anões”, uma rainha muito vaidosa, madrasta da princesinha, se perguntava a um espelho mágico qual a mulher mais bela do reino, e o espelho sempre respondia que era ela; um dia, o objeto indicou Branca de Neve, já moça feita, como a mais linda. A bruxa ciumenta e invejosa, ferida no seu orgulho, mandou matar a enteada…
Eu, quando me levanto pela manhã, vejo-me no espelho com o rosto do meu pai, e me sinto como se fizesse uma oração para ele, a quem admirava e amava muito. Há gente que não gosta de se olhar no espelho. Nem pela imagem, nem como modelo.
O pelegão Lula da Silva é um deles; teme reconhecer o seu envelhecimento e a cara de alcoólatra. Transfere para os outros o que espera do seu reflexo. Nesta campanha eleitoral, bravejando insânias contra o adversário do seu partido, chamou Aécio Neves de “filhinho do papai”.
Lula não se deu a pensar na carreira meteórica para o enriquecimento do seu “filhinho do papai”, Fábio Luiz Lula da Silva, hoje muitas vezes milionário, acumulando riquezas no exercício da presidência do pai. Lula, porém, ironiza Aécio, que na juventude trabalhou como bancário, e, ignorante que é, distorceu um velho ditado português.
O adágio luso se refere a um pai que educa o filho para ser honesto e virtuoso, e reza: “Bendito aquele que consegue dar aos seus filhos asas e raízes”. Não foi o que ocorreu com ele vendo de um filho servente do jardim zoológico, despreparado, aproveitar-se das bandalheiras de um governo corrupto.
Ainda na campanha eleitoral, além da irresponsabilidade doentia de Lula, o lulo-petismo e a sua candidata, Dilma, fizeram um pacto com o diabo e só vêem a realidade às avessas… O espelho da sua propaganda é o retrovisor: só se volta para o passado sem se preocupar com o futuro que os brasileiros almejam.
Três quartos do programa eleitoral lulo-petista são de ataques a Aécio. Mentiras distorcidas, não provadas, que são contestadas com documentos e testemunhos. Mas “elles” insistem adotar a tática de Goebbels como bons nazistas. Dizia o marqueteiro de Hitler: “A mentira quanto mais repetida, mais se aproxima da verdade para as massas não esclarecidas”.
Pelo crescimento dos que lutam pelas mudanças, estas eleições vão fazer os pelegos petistas olharem o espelho de um novo Brasil. Com Aécio Neves na presidência, o País voltará a ser sério, desenvolvido, e com verdadeira justiça social. Melhor ainda, teremos uma Nação alegre, sem ameaças à nossa segurança nem à nossa liberdade.
Caetano Veloso – O Estrangeiro
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Cordelando 91
Debatendo e Andando
Cacique @Ajuricabat
Começou pegando fogo,
A campanha eleitoral.
Dois debates, uma semana,
Foi coisa fenomenal.
Os podres escorregando,
Na mão do debatedor.
Surgindo no palanquinho,
Que a TV preparou.
A muié desesperada,
Começou a apelar.
Usando toda mentira,
Que foi capaz de inventar.
Usando ponto eletrônico,
Enfiado no ouvido,
Falou lá tanta da merda,
Que orelha virou pinico.
Reproduzindo a farsa,
Dos programas da TV.
Agrediu, inventou moda,
Caluniou o que vê.
Fez uma grande baixaria,
Como nunca aqui se viu,
Ofendendo a inteligência,
De todo nosso Brasil.
Usou um monte de coisas,
Do governo das Gerais.
Coisa até já arquivada,
Que limpo não volta mais.
Ressuscitou muita coisa,
Que dorme no tribunal.
Como se fosse verdade,
Só pra fazer carnaval.
Não vou perder tempo aqui,
Contando tudo que ouvi.
Só destaco uma coisa,
Com essa me aborreci.
Alegando nepotismo,
No governo do mineiro,
Disse que toda família,
Lá ganhou muito dinheiro.
Até a pobre da irmã,
Que de graça trabalhou.
Já que ele era solteiro,
Primeira dama virou.
Fazendo a parte mais nobre,
De toda ação social.
Pegou fama de escorada,
Mordomia estadual.
Ai o mineiro arretou-se,
E muito brabo ficou.
Chamou olhando nos olhos,
Dentuça desafiou.
Prove aqui mesmo o que disse,
Respeita a pauta tucana.
Se comporte dona deelma,
A senhora é leviana.
Indo na mesma pisada,
Levantou um fato novo.
Pimentel era prefeito,
Eleito foi pelo povo.
Pra agradecer partido,
Atendendo a demanda,
Contratou como fantasma,
O irmão da governANTA.
Mas teve uma coisa gozada,
Que por lá aconteceu.
Dentuça fez uma pergunta,
Quase ninguém entendeu.
Aécio até respondeu,
Tentando mesmo não rir.
Madame apavorada,
Pensava em se abduzir.
Numa da duas sessões,
Dos encontros na TV.
Chamou-se de leviana,
Pra ver ela amolecer.
Não adiantou foi nada,
Cara de pau é tão grande.
Quando o tema é Petrobras,
Onde o rombo foi gigante.
Negou tudo e desviou,
O assunto principal.
Fez de conta que não viu,
O buraco principal.
O mineiro ficou puto,
Dela enganar tanta gente.
Duvidou da competência,
E chamou de conivente.
No afã de difamar,
O mineiro candidato.
Levantou monte de caso,
Que aconteceu no passado.
Pasta rosa, SIVAM, Fone,
Falou do caso do trem.
Embora nos 12 anos,
Não investigou ninguém.
Outra coisa bem nojenta,
Que é praxe no PT.
Jogar irmão contra irmão,
Que é pra vantagem manter.
Falando do nordestino,
Que em coitadinho transformou.
Usando só de má fé,
Contra o sulista jogou.
Igualzinho como têm feito,
Aqui na minha cidade.
Nas outras três eleições,
Divulgou uma maldade.
Dizendo que se os paulistas,
Ganhassem a eleição,
Com o partido do tucano,
Acabava o ganha pão.
Fosse lá o presidente,
O Alckmin ou o Serra.
A Zona Franca acabava,
Ia ser o fim da guerra.
Basta ver o resultado,
Que lá das urnas surgiu.
Teve a maior votação,
Proporcional do Brasil.
Mas vamos todos em frente,
Semana que vem tem mais.
Enquanto isso trabalho,
Não deixem nada pra trás.
Conquistando voto a voto,
Liderança na eleição,
Vamos botar o respeito,
Que merece esta nação.
Trabalhe, faça campanha,
Converse com o eleitor.
Um que vem pro nosso lado,
O outro lado deixou.
Contando assim somam dois,
Avançando chega a mil.
E faremos do Aécio,
Presidente do Brasil.
Se a gente grande soubesse – Quarteto em Cy
De Billy Blanco
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Little Walter – My Babe
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FANÁTICOS
MIRANDA SÁ ( E-mail: mirandasa@uol.com.br )
“O fanatismo é a única forma de força de vontade
acessível aos fracos” (Nietzsche)
Fanatismo, do latim fanaticus, é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. Ou até mesmo ao entusiasmo obsessivo para um passatempo, como o futebol.
Pesquisando sobre o fanatismo, a professora Ana Lucia Santana encontrou significados diversos, como“culto excessivo de alguém ou de alguma coisa; zelo religioso excessivo; paixão política; intolerância; sectarismo; exaltação exagerada; faccionismo; dedicação excessiva”.
Segundo a psiquiatria, é um comportamento extremamente freqüente em paranóides, cuja apaixonada adesão a uma causa chega, muitas vezes, ao delírio.
O maior e mais pragmático exemplo do fanatismo e de fanáticos, encontra-se na conjuntura sócio-política brasileira: o culto à personalidade de um pelego astuto e experimentado, Lula da Silva, que elegeu-se presidente da República por um estelionato eleitoral.
Seu partido, o PT, criou com outros grupos tendenciosos uma organização, que presta cega obediência a Lula; e este, após cumprir dois mandatos presidenciais, fez o sucessor – um “poste”, como se convencionou chamar pessoas incapazes de ação própria. É a atual presidente, Dilma Rousseff, que tenta a reeleição neste momento.
Apresentou-a como uma “gerentona”, com capacidade para conduzir o País. A paranóia dos lulo-petistas e dos inocentes úteis arrastados como maria-vai-com-as-outras, acreditou nessa “fabulagem”, e inúmeros deles arrependeram-se.
Dilma não passa de um fantoche articulado pelo Pelegão com fios invisíveis e com escuta eletrônica no ouvido para receber instruções do marqueteiro. Em razão disso, sua administração é toda improviso. Muda de ideia de acordo com a orientação recebida.
Dessa maneira, temos um governo que modelou “blindagens” para evitar a punição dos companheiros corruptos que se multiplicaram nos últimos 12 anos. Através dessa inescrupulosa política, negou a existência do Mensalão, o que se comprovou graças ao Ministério Público Federal, levando a cúpula do PT à prisão por decisão histórica do STF, presidido pela figura impar de Joaquim Barbosa.
A blindagem, porém, valeu para salvar outros delinquentes, negando evidências e manifestando cinicamente a inocência de uma lista enorme de corruptos. Palocci, Erenice, Rose Noronha, os aloprados e os dólares na cueca.
Felizmente temos agora uma delação. Veio de um diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, íntimo e parceiro de Lula e conviva de Dilma no casamento da filha. As denúncias contidas no depoimento dele são estarrecedoras e envolvem vários petistas (inclusive o tesoureiro do partido) e seus aliados políticos. As revelações apontam delitos como propinas pagas por empreiteiras, com 3% destinados ao PT e partidos aliados.
Quem disso cuida. Os fanáticos se movimentam para manter o esquema de poder lulo-petista com ações violentas contra os adversários. Viu-se a artilharia dessa falange contra a candidata Marina Silva no primeiro turno, e derrotaram-na.A mira dos infames voltou-se para Aécio Neves, usando seu arsenal de mentiras, calúnias e difamações.
A falta de senso moral pelo fanatismo, é adepto do princípio de que o fim justifica os meios. Atingiu um limite insuportável e, por uma contradição dialética proporcionou a organização de uma frente de união nacional a favor de Aécio.
Os brasileiros não se deixam mais enganar. Vê-se que à virulência se contrapõe a serenidade; a mentira é enfrentada pela verdade e as acusações fraudulentas são desditas com provas concretas.
Com isto, a paranóia do fanatismo está se dissipando. Já encontramos incontáveis antigos eleitores e simpatizantes do PT que escaparam da mesquinhez do amoralismo fanático e votarão em Aécio. Esta virada é qualitativa e quantitativa em todas as regiões do País. A vitória final se avizinha para felicidade geral da Nação.
T-Bone Walker – Call It Stormy Monday
http://youtu.be/hVR8lg1YLuc
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