LIBERDADE DE IMPRENSA

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Críticas gerais ao projeto que pune mídia

Personalidades ligadas à imprensa, à política e à Justiça criticaram hoje o projeto do PT-governo que irá ao Congresso na 2ª feira, prevendo a punição criminal ao veículo e ao jornalista que divulgarem escutas telefônicas ilegais ou legais sob segredo de Justiça. Eis algumas opiniões:

1) O presidente e o relator da CPI dos Grampos da Câmara, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) e Nelson Pellegrino (PT-BA), respectivamente, classificaram o texto como “inconstitucional e desrespeitoso”, pois fere a liberdade de imprensa e o direito à informação: “Esse tipo de coisa merece o meu desrespeito. Fere o direito ao sigilo da fonte do jornalista e o direito do cidadão de se informar”, diz Itagiba.

2) O ministro do STF, Marco Aurélio Mello, disse ontem que “o problema envolve um valor maior, que é a obrigação dos veículos de informação de informarem o grande público. Não é o jornal ou a revista que quebra o sigilo. Ele não vai lá e tem acesso, são os dados que chegam até o jornal. A responsabilidade, portanto, não é do jornal, mas de quem deu o acesso aos dados sigilosos”.

3) O presidente da ABI – Associação Brasileira de Imprensa -, Maurício Azêdo, afirmou que no conteúdo do texto há “veladamente uma preocupação censória que, no fundo, repete as práticas do regime militar”.

4) Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas -, disse achar o projeto “desnecessário”. Ele disse que até ontem não havia tido acesso à proposta, mas ponderou: “Não precisa desta legislação. Precisamos, isso sim, de uma instância para fazer esta discussão interna, entre os jornalistas”.

5) Em nota, o vice-presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Júlio César Mesquita, afirmou que a entidade “estranha e condena a insistência do governo em buscar formas de punir jornalistas e meios de comunicação pelas informações que divulgam”. “Tais atitudes e posições do governo vão na contramão das repetidas declarações públicas do presidente da República, de que, sem uma imprensa livre, não teria tido condições de realizar seu projeto político e de chegar aonde chegou.” Para ele, o projeto de lei enviado ao Congresso “atinge diretamente a liberdade de imprensa”.

6) Para o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR), da CPI, o envio do projeto foi uma “jogada do governo para tentar esconder os problemas atuais do Brasil”. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) disse acreditar que o projeto não tem chance de ser aprovado na Câmara.

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