Impasse no Egito
Ditador se mantém presidente, mergulhando o país na incerteza
Após manter o Egito e o mundo em suspense, num dia marcado por rumores de que finalmente renunciaria, o ditador Hosni Mubarak anunciou à noite que transferirá poderes ao vice Omar Suleiman, mas se recusou a deixar o cargo. Ele assegurou que se mantém presidente até as eleições de setembro. Antes eufórica com a expectativa da renuncia, a multidão que assistia ao discurso num telão, no Centro do Cairo, reagiu com fúria: manifestantes lançaram sapatos para o ar, aos gritos de “Fora!”, exigindo a saída de Mubarak. A decisão mergulha o país na incerteza, com novos protestos marcados hoje. O Exército mandou mensagens ambíguas. Militares, que mais cedo declararam apoio aos manifestantes na praça, pareceram recuar após a decisão do presidente. Embora Mubarak não tenha dito quais poderes serão transferidos, o embaixador do Egito nos EUA, Sameh Shoukry, disse que todos eles, inclusive o comando das Forças Armadas, estão nas mãos de Suleiman, fiel escudeiro de Mubarak: “O chefe de Estado é Hosni Mubarak, mas o presidente de fato é Suleiman”, disse a CNN.
Mais indignação e revolta
Essa expectativa explica a reação de decepção e revolta dos manifestantes na praça Tahrir (Cairo). A multidão respondeu com gritos de “fora!” e milhares foram para o Palácio presidencial. O presidente Barack Obama disse que Mubarak não cumpriu as expectativas e que não está claro se a transição será imediata. Antes, o Exército egípcio anunciara que tomaria medidas para evitar o caos.
Exercito ainda é incógnita
Analistas egípcios acreditam que a tomada de decisões no país parece ter voltado para o Exército, mas sua reação ainda é uma incógnita. Segundo eles, a caos no Egito já começa a afetar a coesão nas Forças Armadas.
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