História – há 40 anos…
26/05/1968 – O futuro do Corpo Humano
Havia qualquer coisa de estranho na madrugada do Hospital das Clínicas em São Paulo. Grupos de médicos e enfermeiras encontravam-se para trocar idéias ao longo dos intermináveis corredores. No hall, na entrada da sala cirúrgica o clima de agitação era particularmente acentuado: não havia médico ou enfermeira que não colocasse o nariz contra o vidro da janelinha da porta de acesso.
O primeiro transplante de coração foi feito pelo médico Dr. Euríclides de Jesus Zerbini, que logo após sair da mesa de operação, ainda afrouxando os cordões da máscara e recompondo os cabelos espremidos sob a touca branca, responde com o polegar levantado e um sorriso aberto.No isolamento, ao lado da cirurgia, o coração de um doador anônimo, morto naquela mesma madrugada por atropelamento, palpita no peito de um boiadeiro mato-grossense, portador de uma incurável moléstia de Chagas.
O Presidente Costa e Silva transmitiu através do Gabinete Civil as “mais calorosas felicitações do Governo e do povo brasileiro”. Em sua mensagem, Costa e Silva ressaltou que o sucesso da intervenção cirúrgica enchia de orgulho a Nação e elevava a medicina brasileira. Em Paris, Bruxelas e Lisboa o êxito da cirurgia brasileira foi noticiada.
Uma trajetória salvando vidas
Euclydes de Jesus Zerbini nasceu em Guaratinguetá – São Paulo em 1912, tornando-se um importante cirurgião. Pioneiro da cirurgia cardíaca, o Dr. Zerbini já era um conceituado cirurgião mesmo antes do transplante. Em 1942 havia salvo a vida de um menino de 7 anos ao abrir seu coração e religar a artéria coronária. Além do pioneirismo nesse tipo de cirurgia, Zerbini foi responsável por tornar o Brasil um dos mais avançados centros de cirurgia cardiológica do mundo, com a criação do Instituto do Coração (Incor) em São Paulo.
Dr. Zerbini morreu em 1993 aos 81 anos.
Fonte: CPDOC/JB
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