Comentário (I)
Como sempre, a culpa é da imprensa
Faltava o último capítulo nessa novela de hipocrisia explícita desenvolvida em torno dos grampos telefônicos. O autor foi o ministro da Defesa, Nelson Jobim, em depoimento na CPI que investiga denúncias de escuta clandestina em telefones variados. Em suas palavras, a Lei de Imprensa tem que ser revista para proibir a divulgação de material produzido irregularmente.
A culpa de tudo, então, é da mídia, que se não tivesse publicado trechos da conversa grampeada entre o presidente do Supremo e um senador, nada aconteceria. Começa que o ilustre jurista escorregou feio no tema. A defesa do sigilo da fonte não se encontra apenas nessa lei capenga dos tempos da ditadura, até hoje em vigência parcial. Está no artigo 5º, número XIV, da Constituição.
Para a concretização de seu diabólico objetivo, não adiantará mudar apenas a Lei de Imprensa, será preciso emenda constitucional.
Carlos Chagas, jornalista
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