Comentário de Miriam Leitão

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Ilhas verdes do Negro

A paulista Giovana era adolescente quando o colégio a levou para a Amazônia num programa para descobrir vocações. Aos 29 anos, a bióloga está na região há seis, e é chefe da Estação Ecológica de Anavilhanas, um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo. A carioca Mariana nasceu e cresceu na Lagoa Rodrigo de Freitas. Aos 30, a ecóloga é analista no Parque Nacional do Jaú; um gigante de 2,2 milhões de hectares.

As duas moças são autoridades numa das áreas mais belas e ameaçadas da Amazônia. Giovana tem que vigiar 400 ilhas, que ficam entre as duas margens do Rio Negro, ameaçadas pelo corte de madeira, pela pesca ilegal, pela caça, pelo tráfico de animais, pela hostilidade de líderes políticos.

Anavilhanas são lindas. Nesta época, as águas começaram a baixar, mas ainda engolem suas inúmeras praias e escalam, pelo menos, 20 metros o tronco das suas árvores. Navega-se de voadeira pelo entrecortado das ilhas vendo apenas as copas das árvores, que parecem boiar nas águas da cor indefinível do Rio Negro. De que cor é o Rio Negro? É um mistério que corre com ele.

Perto das praias, parece da cor de cobre avermelhado transparente. Longe da margem, escurece e merece mais o nome que tem. No olhar longo de superfície, com a ajuda do sol, camufla sua cor num azul de oceano. No Baixo Rio Negro, perto de Manaus, abriga essas ilhas finas, alongadas.

A maior tem 100 quilômetros de comprimento. Foram formadas por sedimentos trazidos pelo Rio Branco que deságua no Negro, rio de pouco sedimento.

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