Artigo publicado n’ O METROPOLITANO. Nas bancas
Petrobras sofre muitos furtos
Para orgulho dos patriotas brasileiros a Petrobras é considerada pelos consultores espanhóis do instituto M&E (Management & Excellence) a companhia mais sustentável do mundo no setor de petróleo e gás. Registre-se que a M&E mediu o desempenho das 20 maiores do setor com base em 387 indicadores. Pena que esteja entregue a pessoas descomprometidas com a empresa – nomeadas politicamente ou, sendo de carreira, com a ideologia distorcida dos pelegos.
Veja-se a convivência de duas situações: de um lado o avanço na prospecção, pesquisa e resultados extrativos e, de outro, a burocratização pela terceirização da administração, a suspeita contratação de empresas e pessoas para prestação de serviços e o comando invisível do PT-governo orientado por pessoas despreparadas para isso.
Em termos burocráticos encontramos o desprezo pela contabilidade financeira – que facilita alcances no caixa e acarreta enormes prejuízos; e, no caso da intervenção governamental, assistimos a desastrosa e danosa política na Bolívia. Agora, tristemente, temos a politização de um roubo que para os porta-vozes oficiais ora é furto comum, ora é espionagem industrial, dependendo do interesse momentâneo do marketing governamental.
A história dos laptops tem a versão cretina de uma piada. A tese de espionagem industrial se baseia no desaparecimento de dois discos rígidos e dois pentes de memória, enquanto outros computadores ficaram no contêiner. Os componentes roubados continham informações reservadas importantíssimas sobre as descobertas de novas reservas de petróleo e gás na Bacia de Santos.
Não custa perguntar por que um material tão relevante – considerado como de “segurança nacional” pelo presidente Lula – tem um tratamento tão descuidado: sai de Santos num contêiner igual a outros 40 com chaves comuns e vai para o Rio de Janeiro. Fica num galpão não-sei-quantos-dias e depois leva mais três dias para chegar à cidade fluminense de Macaé há 188 km, portanto um percurso que requer apenas horas.
Será que a empresa de transporte e segurança americana, a Halliburton, ganha por tempo despendido ou o problema é negligência?
A Polícia Federal afirma que não se trata de furto comum, mas de espionagem industrial. Há uma turma na PF que lê muito romance policial e assiste filmes de 007, e talvez seja esta que assume as investigações. Primeiro porque, segundo a Associação de Engenheiros da Petrobras, houve vários outros roubos anteriores de laptops, denunciados e não levados em conta; depois porque deve custar muito barato comprar segredos industriais dos aloprados que ocupam o poder no Brasil.
A verdade verdadeira é que há atualmente muitos furtos na Petrobras…
MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)
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