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O Mistério do Meio Ambiente

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

O Ministério do Meio Ambiente está na ordem-do-dia das casas parlamentares, na pauta dos jornais e na cabeça das pessoas que se interessam por política neste país; eu, porém sinto-me mais atraído pelo “mistério do meio ambiente”.

Para mim não são poucos os segredos e enigmas que o meio-ambiente encerra. Em primeiro lugar, sinto-me o mais comum dos homens fundindo num só cadinho a ecologia social no conjunto das condições naturais e suas influências sobre a humanidade; e este amálgama no Brasil tem um nome: Amazônia.

Os literatos são geniais. Os poetas cantaram a Amazônia Misteriosa e os ficcionistas, como Ferreira de Castro, enveredaram n’ A Selva. Seus opostos, quase contrários, são os políticos; estes precisam de lentes para enxergar o óbvio.

Muitos poucos deles decodificaram a mensagem de Marina Silva, que evitou os embustes que o poder evidenciou em Lula da Silva. Quando decidiu sair de cena na pantomima teatralizada no Palácio do Planalto, mandou seu chefe de gabinete levar a carta de demissão ao secretário pessoal do Presidente.

Marina foi simples como a Marina genialmente criada por Dorival Caymi, e também se pintou, com a pintura de guerra dos bororos, caetés e dos tamoios. Religiosa, a senadora acreana não tirou um mistério do seu rosário, mas da esperteza do caboclo amazônico sobre um pau-de-arara aculturado no ABC paulista. E ganhou dele com toda experiência de pelego que tem.

Também tiramos o imponderável amazônico da palestra cristalina do General Augusto Heleno no Clube Militar. Ele não expôs mitos nascidos no claro-escuro da floresta: apontou a cobiça internacional sobre as nossas riquezas, a fraude das ONGs estrangeiras e a caótica política indigenista do PT-governo.

Agora, sem cultos secretos ou cerimônias para iniciados, temos a designação do ambientalista Carlos Minc. Ambientalista pragmático, que fundador do Partido Verde, trocou essa legenda pela do PT para se eleger deputado estadual no Rio. Um editorial do Estadão olhando o lado de Lula da Silva, fala do ministro-convidado:

“Fossem outros os tempos e as pessoas, a passagem de Carlos Minc pelo governo federal teria terminado na ante-sala do presidente da República. Lá, um funcionário de terceiro escalão o teria informado de que o presidente Lula havia se equivocado ao convidá-lo para assumir o Ministério do Meio Ambiente e ficava o dito pelo não dito”.

Esta ótica do jornalão paulista, intérprete da oligarquia financeira, mostra o que está oculto à vista do grande público. Nas entrelinhas o Estadão diz que Lula engoliu um sapo colorido de Ipanema, não aquele anfíbio da ordem Anura, participante ribeirinho das pajelanças e catimbós.

Resta saber como Minc vai se comportar. Até agora achamos que o convite para o ministério deveria ter sido recusado, porque ele levou ao Planalto dez pedidos e saiu de lá sem nada, sem autonomia, sem poder e sem dinheiro. E ainda comparado a Amarildo!!!

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