Quem vai denunciar a Anistia?

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Abrindo aspas para Guilherme Fiúza, jornalista e blogueiro.

“As causas humanitárias acabam de ganhar um reforço deste espaço. A contribuição é a seguinte: a partir de amanhã, a Anistia Internacional pode despedir todos os seus indignados profissionais e bonzinhos de plantão. Os relatórios bombásticos da Anistia passarão a ser feitos aqui mesmo, por este signatário, de graça.

A última denúncia da ONG missionária é que mulheres de favelas brasileiras são vítimas de violência doméstica e do Estado. Mas, atenção: a Anistia ressalta que essa violência é “invisível”, ou seja, não é aquela que todo mundo já conhecia. É outra, que eles acabam de descobrir.
Evidentemente, gritos contra a violência sofrida por mulheres nas favelas nunca serão demais. Mas esse tipo de grito pode ser gritado numa monografia de estudante secundarista.

Não faz muito tempo, as TVs mostraram uma representante da Anistia Internacional saindo da Febem do Tatuapé e gritando: “Isso aqui é um horror, é um horror, é um horror!” Foi pena que na época o Carandiru já tivesse sido implodido, senão a militante do bem poderia ser convidada a fazer um turismo social ainda mais excitante – possivelmente multiplicando o número de “horrores” que a denunciante era capaz de pronunciar.

Assim é, cada vez mais, a Anistia Internacional: vai chegando o Dia das Mães, sai algum relatório cheio de comiseração sobre a condição feminina. No próximo, é capaz de ficarmos sabendo que mulheres vendem seus corpos nas calçadas da Avenida Atlântica. Um horror.
Vamos esperar o Natal para saber o que Papai Noel anda fazendo às suas renas.”

* Guilherme Fiúza, jornalista, é autor de Meu nome não é Johnny, que deu origem ao filme. Em política, foi editor de O Globo e assinou em NoMínimo um dos dez blogs mais lidos nessa área.

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