Artigo de Miranda Sá
Mau exemplo: Descumprindo a lei e fazendo dossiês
MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)
A desobediência ostensiva e repetida da legislação é uma indignidade do cidadão que ocupa a Presidência da República. A gente aceita sua falta de civilidade, suas grosserias e o despreparo para conduzir a Nação, mas consideramos o repetido enfrentamento de Lula com a Justiça Eleitoral um mau exemplo para os brasileiros.
Jovens e adultos diante desse modelo podem se julgar no direito de desafiar a Lei. Por que não? Nesta campanha eleitoral que se processa todos devem ter o mesmo direito e o que Lula tem feito é um estímulo para que se cometam irregularidades… Mas ninguém, como o Pelegão, dirige a máquina pública e tem força para usá-la para favoritismos políticos partidários, como ele faz.
Foi semana passada, anteontem, sei lá, que Sua Excelência cinicamente se desculpou por ter feito campanha em evento oficial, mas voltou a fazer o mesmo no lançamento do edital para a construção do Trem de Alta Velocidade, na presença do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski.
Lewandowski foi convidado de propósito para o evento, como tudo que é feito fria e calculadamente pela Central Única dos Pelegos; anteriormente a provocação aconteceu na reunião da Cúpula Brasil/União Europeia, no Itamaraty e, como teve uma repercussão desfavorável na magistratura, a pelegagem quis fazer um teste.
Com isso estamos assistindo (e participando indiretamente) um salto no escuro. Seria uma incitação golpista do continuísmo? A chamada classe política está atônita; até mesmo os adversários da candidata de Lula não contestaram duramente. José Serra reagiu timidamente considerando que essas intervenções do Presidente em defesa de Dilma são porque “ela não consegue andar sobre as próprias pernas”.
Diferente do aparente alheamento de Serra, e menos cuidadosa, Marina Silva alertou que o respeito à lei deve “vir do alto”. Marina parece falar para os letrados deste país, que estão temerosos com as afrontas de Lula.
E não bastasse o atrevimento insolente do Pelegão, o lulo-petismo aparelhado na administração pública lançou 215 mil cartilhas, 20 mil cartões e três mil livros defendendo que se vote em mulheres.
Este abuso não deve passar sem protesto dos democratas e patriotas, A tal cartilha traz o título “Mais Mulheres no Poder” e é tão direta em favor da candidata do PT e seus satélites que não chega a ser um gato escondido com o rabo de fora…
O pior é que tudo isso vem acompanhado da exorbitância de autoridade como se viu no caso do dossiê que vinha sendo preparado contra Serra pelo grupo de intelligentsia da campanha de Dilma. Baseava-se em quebra do sigilo nos dados da Receita Federal relativos às declarações do Imposto de Renda do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira.
Tal qual fez, quando ministro, Antonio Palocci, em parceria com aloprados da Caixa Econômica e da Receita. Eles vazaram o sigilo do caseiro Francenildo e do pai biológico, cometendo um crime até hoje impune por negligência do Poder Judiciário. Palocci é atualmente todo-poderoso coordenador da campanha de Dilma e continua cavalgando a impunidade pelo uso errado da autoridade pública.
Igualam-se os lulo-petistas aparelhados em cargos de mando do Estado acessando livremente o sigilo de qualquer cidadão. Agora foram abruptamente à fazenda de Guilherme Leal, candidato a vice de Marina Silva. Os “SS” da República dos Pelegos foram “apurar denúncias de crime ambiental”, e nada encontraram.
Vê-se com essas coisas o abuso de autoridade do PT-governo, batendo com uma reflexão que li há poucos dias. Não lembro a fonte, mas alguém escreveu que “manda o bom senso que os esclarecimentos cheguem antes da eleição”.
Com a palavra o Tribunal Superior Eleitoral.
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