Web-Pirataria

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Apple está por trás da investigação sobre vazamento do iPhone 4G

A Apple, e não um empregado da companhia, iniciou a investigação no caso do protótipo de iPhone desaparecido, de acordo com o mandado de busca do caso, cuja divulgação ocorreu nesta sexta-feira.

No mandado de busca, investigadores estão identificando claramente o único suspeito do caso como Brian Hogan, o indivíduo que encontrou e, posteriormente, vendeu o protótipo de iPhone ao Gizmodo.

FolhaOnline

Uma resposta para Web-Pirataria

  1. Um país de corsários
    (publicado na revista Caros Amigos)

    O termo genérico “pirataria” envolve um leque imenso de atividades. A repressão paliativa de suas manifestações isoladas dissimula a força e a abrangência do fenômeno. Mas é absurdo assemelhar o comércio ilegal de bens culturais ao de quaisquer outros produtos, gerados por contrabando ou falsificação. Reproduzindo as engrenagens do tráfico, chega-se ao cúmulo de criminalizar a busca por informação, marginalizando seu “usuário”. E, também neste caso, criando instrumentos segregacionistas: a defesa do copyright equivale à tentativa de preservar desigualdades.
    Mas todas as classes sociais se locupletam cotidianamente da informalidade, sob tolerância generalizada. Comércio, indústria e residências estão repletos de computadores e outros equipamentos irregulares. Jogos, músicas e filmes clandestinos entretêm milhões de famílias por todo o país, sem contar o furto de sinais da TV a cabo. A cópia integral de livros impede o colapso do ensino universitário, em especial nas instituições públicas, cujas bibliotecas possuem acervos ridículos.
    O camelô virou bode expiatório do farisaísmo pequeno-burguês. Os preços irrisórios cobrados pela pirataria não justificam os custos exorbitantes do mercado regular, antes iluminam sua face gananciosa e excludente. Produtos culturais de grande circulação independem do varejo, pois se viabilizam previamente com publicidade, renúncia fiscal e eventos associados. Autores recebem migalhas, enquanto os lucros enriquecem uma rede de intermediários ociosos e insensíveis à produção artística.
    A hipocrisia legalista faz parte de uma estratégia para impedir a disseminação da cultura regular, oficial, legítima. O exclusivismo cria nichos, eleva preços, alimenta ilusões de superioridade. Mas a vitória inevitável da pirataria revelará que é impossível barrar a demanda popular pelo conhecimento.