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De qualquer maneira

O projeto governamental de aprovação, a todo custo, da CPMF, pondo-se de costas para a sociedade, está também sendo objeto de intensas “negociações”, em que cargos e emendas parecem ser comprados e vendidos. O mais espantoso, no entanto, consiste em que se abriu novamente o período de um obsceno troca-troca partidário, como se os partidos fossem apenas instrumentos dos parlamentares, que poderiam deles prescindir segundo as suas mais distintas formas de conveniência.

No afã do Palácio do Planalto em aprovar essa contribuição, os senadores são agora incentivados e motivados a mudar de partido, pelos mesmos atores que corromperam a representatividade da Câmara. A condição, evidente, é a de que votem novamente a favor do governo. As convicções desaparecem sem deixar rastros, como se os discursos de ontem fossem palavras vazias, moedas de troca elas também.

A posição desses parlamentares não deixa, porém, de surpreender, apesar de que, hoje, nada pareça causar impacto nesta lógica reinante do vale-tudo. Na verdade, em março deste ano, o Superior Tribunal Eleitoral (TSE) julgou que o mandato dos parlamentares não pertence aos indivíduos, mas aos partidos. A fidelidade partidária seria, portanto, uma regra que deveria ser, por todos, seguida, sob pena de perda do mandato.

Denis Lerrer Rosenfield , professor da UFRGS (denisrosenfield@terra.com.br)

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