Poesia

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Chanson


Disse a meu peito, a meu pobre peito:
– Não te contentas com um só amante?

Pois tu não vês que êste mudar constante

Gasta em desejos o prazer do amor?

Êle respondeu: – Não! não me contento;

Não me contento com um só amante.

Pois tu não vês que êste mudar constante

Empresta aos gozos um melhor sabor?

Disse a meu peito, a meu pobre peito:

– Não te contentas desta dor errante?

Pois tu não vês que êste mudar constante

A cada passo só nos traz a dor?

Êle respondeu: – Não! não me contento,

Não me contento desta dor errante…

Pois tu não vês que êste mudar constante

Empresta às mágoas um melhor sabor?

 

O Poeta

 

Alfred de Musset nasceu em Paris, filho de Victor-Donatien de Musset-Pathay e de sua mulher Edmée Guyot-Desherbiers, uma família culta e equilibrada, desde há longa data ligada às letras. O seu avô fora poeta e o seu pai, também escritor de mérito, mantinha uma relação estreita com Jean-Jacques Rousseau, cujas obras editava.

Por esta via, Rousseau exerceu uma grande influência sobre o jovem poeta, em cuja obra recebe diversas homenagens, enquanto atacava violentamente Voltaire, o grande adversário de Rousseau.

Matriculou-se no Lycée Henri-IV com 9 anos de idade. Em 1827 ganhou o segundo lugar no prémio de escrita em latim do Concours général com o ensaio A origem de nossos sentimentos, revelando assim o seu talento literário. Ainda hoje um busto assinala naquele liceu a passagem de Musset como aluno distinto.

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