Poesia

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Renúncia

 

 

 Mesmo quando o pesar, que fere tanto,

renascer neste morto coração;

mesmo quando, trazendo-me acalanto,

 a esperança me der nova ilusão;

 

mesmo quando o fulgor do teu encanto,

 procurando acalmar minha razão,

com ternura e pudor secar meu pranto,

nem assim te direi minha emoção!

 

 Mas, no futuro, certamente, a vida,

que hoje em teu sonho bela continua.

 há de deixar-te, enfim, desiludida!

 

 Terás, então, o amor que se escondeu:

a minha mão há de suster a tua,

meu coração há de escutar o teu!

 

Alfred de Musset

(Versão de Hélio C. Teixeira)

 

O Poeta

 

Alfred de Musset  (1810-1857) nasceu em Paris, filho de Victor-Donatien de Musset-Pathay e de sua mulher Edmée Guyot-Desherbiers, uma família culta e equilibrada, desde há longa data ligada às letras. O seu avô fora poeta e o seu pai, também escritor de mérito, mantinha uma relação estreita com Jean-Jacques Rousseau, cujas obras editava. Por esta via, Rousseau exerceu uma grande influência sobre o jovem poeta, em cuja obra recebe diversas homenagens, enquanto atacava violentamente Voltaire, o grande adversário de Rousseau.

Matriculou-se no Lycée Henri-IV com 9 anos de idade. Em 1827 ganhou o segundo lugar no prémio de escrita em latim do Concours général com o ensaio A origem de nossos sentimentos, revelando assim o seu talento literário. Ainda hoje um busto assinala naquele liceu a passagem de Musset como aluno distinto.

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