Texto da jonalista Dora Kramer

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Os bastidores do Congresso Nacional poderiam encher páginas e mais páginas nas revistas de fofocas. Mas isto não interessa aos fofoqueiros, cujos leitores precisam mais de sexo, drogas e rock do que do conhecimento das gentes que podem mudar os destinos do país. Os bons jornalistas, felizmente, cobrem as maracutaias dos senhores parlamentares, como se vê neste comentário da jornalista Dora Kramer, lúcida e independente. Vamos abrir aspas para ela:

Aonde vão os valentes?

“Enquanto a maior parte da bancada petista cala, os senadores Aloizio Mercadante e Tião Viana, este vice-presidente do Senado, falam, pedindo o afastamento do presidente do Senado. Viana, a propósito das notícias de que Calheiros estaria chantageando senadores do PT depois de ter encarregado o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, de dar divulgação à notícia da existência de uma funcionária fantasma no gabinete do petista, disse a seguinte frase: “Nada vai me causar nenhum tipo de envolvimento emocional ou político porque não me sinto chantageado por vigarista nenhum.” Leram direito? “Vigarista nenhum.” A expressão, aliada às declarações diárias do vice-presidente do Senado de que a presença do presidente é, no mínimo, um transtorno, indicaria a tomada de uma posição.Para o líder do Democratas, o senador José Agripino, ao desistir de arquivar o PT tomou uma boa providência: “É um pecado venial que poderia esvaziar a articulação para o exame dos outros dois processos onde estão os pecados mortais.” Vale dizer, o comando do esquema de arrecadação ilegal de dinheiro em ministérios e a compra das rádios e um jornal em Alagoas. “Vamos ao que interessa: propina e laranjas”, resume Agripino, confiante, ma non troppo, na posição do PT. “É preciso ver se a bancada vai tianizar ou mercadanizar.”Até agora, nem uma coisa nem outra. O PT segue encabulado por causa da reação popular aos que se abstiveram na votação do primeiro processo, mas ainda está esperando, de um lado, para ver se a pressão de fora baixa e, de outro, se a tensão interna cede ao ponto de o governo conseguir preparar o ambiente para a votação da CPMF. Nenhum petista atende ao desafio da embolada – “Aonde vai valente?” – com a resposta proposta no estribilho de Manezinho Araújo: “Vou para a linha de frente.” Por enquanto, o muro é o lugar mais quente e, de cima dele, os petistas não dão pistas”.

Dora Kramer, dora.kramer@grupoestado.com.br

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