Juca Kfouri comenta

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Passeio em Pretória

 

Em 11 jogos contra os Estados Unidos, tidos e havidos como grandes pernas-de-pau, a Seleção Brasileira ganhou dez, mas perdeu uma vez, em 1998.

E em sete das vitórias a diferença foi de apenas um gol.

Por três gols, só uma vez e por dois, duas vezes.

Os pernas-de-pau, na verdade, acabaram a primeira Copa do Mundo, em 1930, em terceiro lugar e foram protagonistas de uma das maiores zebras da história das Copas, quando despacharam a Inglaterra, em 1950, em Belo Horizonte.

Zebra do tamanho da estrelada pela Coréia do Norte que eliminou a Itália na Copa de 1966, na Inglaterra, Coréia do Norte que só agora voltará a disputar uma Copa.

Mas foi exatamente por dois gols, de Felipe Melo, aos 7, e de Robinho, aos 20, que o time de Dunga vencia no primeiro tempo, em Pretória.

Um primeiro tempo mais que tranquilo e convincente e que não exigiu nenhuma defesa de Júlio César.

O primeiro gol veio de bola parada, uma falta sofrida pelo lépido Ramires, bem batida por Maicon, na cabeça de Felipe Melo.

E o segundo num contra-ataque fulminante que começou com André Santos na área brasileira, dele para Kaká, de Kaká para Ramires e deste para Robinho fulminar a meta ianque.

A Seleção tinha quatro novivdades: Maicon, que resolve do mesmo modo que Daniel Alves, para dar um descanso ao companheiro;

Miranda, que foi pouco exigido, para poupar Juan;

André Santos, que estreou bem como titular, porque Kléber não dá;

e Ramires, no lugar de Elano, que estará sempre no grupo, mas nem sempre como titular ou, talvez, nunca mais, porque o ex-cruzeirense é mais dinâmico do que ele.

E veio o segundo tempo.

Os americanos não tinham cara de egípcios, mas cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

E eles até criaram nos primeiros cinco minutos duas oportunidades como não tinha acontecido no primeiro tempo.

Mas logo a Seleção, embora com freio de mão puxado, retomou o comando e quase marcou duas vezes, até que pegaram Ramires e o os EUA ficaram com dez.

Era tudo que Dunga queria para, descansar o time.

E para golear.

Em linda jogada pela direita, Maicon, Ramires e Kaká triangularam e o lateral, quase sem ângulo, fez 3 a 0.

E Nilmar entrou com Júlio Baptista nos lugares de Luís Fabiano e Kaká, numa atitude correta para ver mais mais dois e poupar os outros dois.

Assim foi também quando Lúcio saiu para Luisão entrar.

Aos 37, contudo, os americanos mandaram um petardo no travessão de Júlio César e, no contra-ataque, Júlio Baptista não soube ampliar.

E, aos 43, outra vez, mas de cabeça, o travessão evitou o primeiro gol norte-americano.

O 3 a 0 ficou de ótimo tamanho.

Sem fuso para atrapalhar e sem confusão, 60% do tempo com a bola nos pés dos brasileiros.

Pela segunda vez na história, três gols de diferença.

Respeito é bom e a gente gosta.

A Seleção está classificada para a semifinal, resta saber se em primeiro ou segundo lugar.

Agora, no domingo, é jogo de cachorro grande, contra a Itália que, à tarde, enfrentará o Egito.

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