Lula, o colunista – Guilherme Fiúza comenta

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Depois do Estado paralelo – ligação direta entre os aparatos estatal e partidário –, vem aí a imprensa paralela.

Como se sabe, o sonho venezuelano do governo Lula tem um carinho todo especial com a imprensa burguesa. Já tentou conquistá-la de várias formas: falando “por cima”, na época de José Dirceu, aliciando certos veículos de comunicação para fazerem “oposição” à grande imprensa (sempre que ela criticasse o governo), “atraindo” jornalistas conhecidos para disseminarem a paranóia da imprensa golpista.

Na mesma linha nasceu o blog da Petrobras, institucionalizando o vazamento prévio e generalizado do noticiário. Os chavistas do Planalto querem porque querem furar o casco da mídia.

É cada vez mais compreensível por que Lula passou seu primeiro mandato inteiro sem dar entrevistas. Ele quer ser o editor de sua própria fala. Os assessores que lêem os jornais para o presidente não suportam as manchetes desobedientes. Para a República Sindical, a liberdade de imprensa é que nem chilique do filho dos outros – você ouve o que não quer e não pode dar umas palmadas.

Para contornar essas distorções que atrapalham a mensagem do governo popular, o estado-maior petista resolveu “oferecer” à imprensa burguesa uma coluna semanal assinada pelo presidente da República. Nessa, ninguém mexe.

A coluna “O presidente responde” é uma viagem nostálgica ao tempo dos presidentes de óculos ray-ban e farda justinha, a turma do “falou, tá falado”. Os oficiais da verdade.

Lula quer ser um oficial da verdade. É um direito dele. Resta saber se a imprensa livre vai cair na chantagem.

Se os jornais aceitarem publicar a coluna presidencial, o melhor é unificar logo o noticiário todo numa grande Voz do Brasil. O país de todos, com a verdade de um só.

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