Poesia

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Canção do exílio

 

 

Minha terra tem macieiras da Califórnia

onde cantam gaturamos de Veneza.

Os poetas da minha terra

são pretos que vivem em torres de ametista,

os sargentos do exército são monistas, cubistas,

os filósofos são polacos vendendo a prestações.

A gente não pode dormir

com os oradores e os pernilongos.

Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.

Eu morro sufocado

em terra estrangeira.

Nossas flores são mais bonitas

nossas frutas mais gostosas

mas custam cem mil réis a dúzia.

 

 

Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade

e ouvir um sabiá com certidão de idade!

 

Murilo Mendes

 

O Poeta

 

Murilo Monteiro Mendes nasceu em 1902, em Juiz de Fora, estado de Minas Gerais. 
Fez seus primeiros estudos em sua cidade natal e no Colégio Salesiano de Niterói. 
Exerceu as profissões de telegrafista, notário, guarda-livros, inspetor de ensino e dentista.

 

Durante dois anos percorreu diversos países europeus, divulgando os meios culturais do Brasil através de conferências. Em 1934 converteu-se ao Catolicismo.

 

Pugnou, juntamente com Jorge de Lima, pela reestruturação e reaparição dos versos poéticos de fundo cristão. Isso pode ser apreciado em sua obra Meu Novo Olhar, que  mostra o catolicismo militante, engajado, participante. 


Mudou-se para a Itália no ano de 1957, onde passou a exercer as funções de professor de assuntos brasileiros. Murilo Mendes pertenceu à Segunda Geração Modernista.

 

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