Poesia

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Se

 

Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,

Quando os outros os perdem, e te acusam disso

 

Se és capaz de confiar em ti, quando de ti duvidam

E, no entanto, perdoares que duvidem

 

Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança

E não caluniares os que te caluniam

 

Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine

E pensar, sem reduzir o pensamento a vício

 

Se és capaz de enfrentar o triunfo e o desastre,

Sem fazer distinção entre estes dois impostores

 

Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,

Transformada por velhacos em armadilhas aos ingênuos

 

Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira

E construí-lo outra vez com ferramentas gastas

 

Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira

E construí-lo outra vez com ferramentas gastas

 

Se és capaz de arriscar todos os teus haveres

Num lance corajoso, alheio ao resultado

E perder e começar de novo o teu caminho

Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado

 

Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos

E fazê-los servir se já quase não servem

Sustentando-te a ti, quando nada em ti resta,

A não ser a vontade que diz: Enfrenta!

 

Se és capaz de falar ao povo e ficar digno

E de passear com reis, conservando-te o mesmo

 

Se não pode abalar-te amigo ou inimigo

E não sofrem decepção os que contam contigo

 

Se pode preencher todo o minuto que passa

Com sessenta segundos de tarefa acertada

 

Se assim fores, meu filho, a Terra será tua,

Será teu tudo o que nela existe

 

E não receies que te o roubem.

 

Mas (ainda melhor que tudo isso)

Se assim fores, serás um HOMEM.

 

Kipling

 

 

Rudyard Kipling nasceu em Bombaim, Índia, a 30 de dezembro de 1865. Poeta inglês, novelista e escritor de pequenas-histórias, recebeu o Prêmio Nobel de literatura em 1907. Morreu a 18 de janeiro de 1936 em Londres.

 

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