Empregos
Mercado de trabalho piora e entra em nova fase

Miriam Leitão
O fechamento de 101 mil postos de trabalho em janeiro, divulgado agora há pouco pelo Ministério do Trabalho, representa uma nova fase do mercado de trabalho brasileiro, com as empresas readaptando o quadro de funcionários em função da produção que deve ser menor ao longo de 2009.
Na avaliação do economista José Márcio Camargo, da PUC-Rio, embora o estrago tenha sido bem menor que no mês de dezembro, quando foram fechados cerca de 650 mil postos, na prática, o resultado é pior porque significa que as empresas estão demitindo após avaliarem que a demanda mundial por produtos será mais fraca.
– Em dezembro, as empresas demitiram porque houve um estancamento mundial no crédito, então elas foram forçadas a reduzir custos, até para sobreviverem. O que estamos vendo agora no mês de janeiro é outra coisa. Elas estão demitindo porque avaliaram que o crescimento mundial será menor, e isso significa que terão que produzir menos. Não há razão para manter o mesmo número de trabalhadores – explicou Camargo.
Dos 100 mil postos fechados em janeiro, metade foi no comércio. Eles representam os trabalhadores que foram contratados de forma temporária no final do ano passado, mas que não foram absorvidos de forma definitiva. Era isso que vinha acontecendo na economia brasileira nos últimos anos. Para se ter uma idéia, a última vez que houve fechamento dos postos de trabalho em janeiro foi em 1999, ano da crise cambial.
Para ilustrar como a economia brasileira vai entrar num ritmo de produção menor, Camargo cita como exemplo a produção de automóveis em janeiro, que subiu mais de 90% na comparação com dezembro.
– Acontece que ela está 30% mais baixa que janeiro de 2008. É essa diferença no ritmo de produção que vai fazer com que o ano de 2009 seja de demissões no Brasil. As empresas terão que reajustar o seu quadro de funcionários em função desse novo ritmo. Nesta segunda fase do processo, o que estamos vendo é uma redução do nível de emprego como constatação de que a demanda está mais fraca – afirmou.
Camargo estima que o crescimento do PIB do Brasil em 2009 ficará entre 0% e 1%.
Fonte: Miriam Leitão
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