Poesia

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Harpa XXXII

 

 

Dos rubros flancos do redondo oceano

Com suas asas de luz prendendo a terra

O sol eu vi nascer, jovem formoso

Desordenando pelos ombros de ouro

A perfumada luminosa coma,

Nas faces de um calor que amor acende

Sorriso de coral deixava errante.

Em torno de mim não tragas os teus raios,

Suspende, sol de fogo! tu, que outrora

Em cândidas canções eu te saudava

Nesta hora d’esperança, ergue-te e passa

Sem ouvir minha lira. Quando infante

Nos pés do laranjal adormecido,

Orvalhado das flores que choviam

Cheirosas dentre o ramo e a bela fruta,

Na terra de meus pais eu despertava,

Minhas irmãs sorrindo, e o canto e aromas,

E o sussurrar da rúbida mangueira

Eram teus raios que primeiro vinham

Roçar-me as cordas do alaúde brando

Nos meus joelhos tímidos vagindo.

 

Sousândrade

 

 

O Poeta

 

Joaquim de Sousândrade  (1833 – 1902)

 

 

 Joaquim de Sousa Andrade (1833-1902) nascido na vila de Guimarães, no Maranhão, formou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris, onde fez também o curso de engenharia de minas. Republicano convicto e militante, transfere-se, em 1870, para os Estados Unidos. Morando em Nova Iorque, funda o periódico republicano “O Novo Mundo”, publicado em português.

 

Retornando ao Maranhão, comemora com entusiasmo a Proclamação de República. Dedica-se ao ensino de Língua Grega no Liceu Maranhense e passa, no final da vida, por enormes dificuldades financeiras. Morre em São Luís, abandonado, na miséria e considerado louco. Sua obra foi esquecida durante décadas. Resgatada no início da década de 1960, pelos poetas Augusto e Haroldo de Campos, revelou-se uma das mais originais e instigantes de todo o nosso Romantismo.

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