Por que esquecer as vaias do Maracanã?

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Ainda não se passou uma semana que no monumento do futebol, o Maracanã, ecoaram seis vaias uníssonas e consecutivas. Em crescendo, os apupos dos cariocas deixaram Lula da Silva sem graça, em silêncio, com um microfone na mão. Pois bem, a imprensa conservadora não fala mais nisso; os jornalistas da direita fascista não mais escrevem sobre o fato e os conspiradores de um golpe contra o PT-governo estão em silêncio.

Por sua vez, a oposição parlamentar mergulhou no dolce far niente do recesso parlamentar e os poucos deputados e senadores contestadores recolhem-se aos fuxicos dos corredores, sedentos de uma oportunidade de entrevista sobre a CPI do Apagão ou o Caso Renan. A lição do povo não foi estudada pelos políticos profissionais, mas o povo aprendeu-a. Ao fugir da programação que lhe levaria ao Sul para lançar o PAC, Lula foi ao Nordeste em busca de aplausos fáceis; mas qual o quê, foi vaiado em Sergipe e na Paraíba por grevistas e servidores públicos.

Sem pesquisar muito, temos que admitir que muitos, talvez a maioria dos debochadores votaram pela reeleição do Presidente. E seus protestos – que estavam presos na garganta – foram libertados pelas vaias do Maracanã. Trabalhadores, funcionários públicos e estudantes se cansaram de promessas não cumpridas, e se conscientizaram que as antigas bandeiras do PT foram rasgadas e os programas libertadores engavetados. Em cada clamor, ouve-se a voz de Heloísa Helena e João Pedro Stédille; e a manifestação de desagrado coletivo já não é a voz rouca das ruas: é o apito, o assobio, a troça, a zombaria, é o povo, “o gigante da calçada / de pé sobre a barricada, desgrenhado, enorme, nu/ em Roma, é Catão ou Mário/ é Cristo sobre o Calvário/ é Garibaldi, é Kossuth…

Miranda Sá, jornalista/Castro Alves, poeta

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