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Aos estudantes voluntários

O CÉU é alma…
O relâmpago
É uma idéia de luz,
Que pelo crânio do espaço
Perpassa, brilha e reluz…
Depois o trovão — é o verbo.
Segue-o o raio — gládio acerbo,
Que se desdobra soberbo
Pelos páramos azuis.

Ação e idéia — são gêmeos,
Quem as pudera apartar?…
O fato — é a vaga agitada
Do pensamento — que é o mar…
Cisma o oceano curvado,
Mas da procela vibrado,
Solta as crinas indomado,
Parece o espaço escalar.

Assim sois vós!…
Nem se pense
Que o livro enfraquece a mão.
Troca-se a pena com o sabre,
Ontem — Numa… Hoje — Catão…
É o mesmo…
Se a pena é espada
Por mão de Homero vibrada,
Com o gládio
— epopéia ousada
Traça mundos — Napoleão…

Que importa os raios trovejem
Nas florestas do existir
Parti, pois!
Homens do livro!
Podeis ousados partir!
Pois sereis. . .,
vindo com glória,
Ou morrendo na vitória…
Homens do livro da História
Dessa Bíblia do porvir!

Castro Alves (1847-1871)

*Poesia recitada no Teatro Santa Isabel na noite do oferecimento da Academia.

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