Arquivo do mês: setembro 2008

MENSALÃO

Jefferson denunciado por formação de quadrilha

O Ministério Público do Distrito Federal denunciou o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e sete funcionários dos Correios por formação de quadrilha e outras irregularidades que desencadearam o escândalo do mensalão. As investigações começaram em 2005, com as imagens de Maurício Marinho, então um dos chefes dos Correios, recebendo propina. Segundo a denúncia, o líder era Jefferson. Ele não foi localizado para comentar.

SALVAGUARDA

Lula decide por afastamento definitivo do chefe da Abin

A revelação de que havia 52 agentes da Abin na ação que prendeu o banqueiro Daniel Dantas selou a decisão do presidente Lula de afastar em definitivo o delegado Paulo Lacerda do comando da agência. O mesmo deve ocorrer com os outros integrantes da cúpula da Abin afastados por causa do escândalo do grampo no STF. O Planalto está certo de que a Operação Satiagraha era mais de Lacerda do que do delegado da PF Protógenes Queiroz.

AMEAÇAS

Conflito na Bolívia mata 8 e corta fornecimento de gás

No pior dia dos conflitos entre oposicionistas e partidários de Evo Morales, pelo menos oito pessoas morreram no norte da Bolívia. O presidente afirmou que “paciência tem limites”, mas, para analistas, a estratégia de Evo é evitar o confronto. Também ontem, a Bolívia suspendeu por seis horas 50% do fornecimento de gás para o Brasil – uma válvula havia sido fechada por opositores. A Petrobras adotou plano de contingenciamento. O governo admite que a situação do fornecimento ainda não é segura, o que preocupa industriais. “Somos reféns do gás”, diz Oscar Bergstron Neto, do setor de cerâmica.

MANCHETES de hoje_12.set.08

O GLOBO – Conflito na Bolívia já tem 8 mortos

GAZETA MERCANTIL – Bancada da Saúde avalia rombo no SUS em R$ 5,5 bilhões

JORNAL DO COMMERCIO – Presidentes de TREs exigem lei contra fichas-sujas

TRIBUNA DO NORTE – Seturn libera gratuidade em ônibus para PMs fardados

ESTADO DE MINAS – Crise boliviana já afeta a Petrobras

FOLHA DE SÃO PAULO – Justiça manda recolher maleta de grampo em poder do governo

TRIBUNA DA IMPRENSA – Lacerda é afastado em definitivo da Abin

VALOR ECONÔMICO – Bolívia rejeita mediação brasileira para conflito

A TARDE – Desembargadores libertam suspeitos de vender sentenças

CORREIO BRAZILIENSE – Planalto tenta ficar bem longe da crise dos grampos

DIÁRIO DE NATAL – PM exige e empresários dão gratuidade para policiais

ZERO HORA – Taxa do cheque ultrapassa 9%

JORNAL DO BRASIL – Bancada da Saúde vê rombo de R$ 5,5 bi

ESTADO DE SÃO PAULO – Conflito na Bolívia mata 8 e corta fornecimento de gás

Poesia

O Poeta pede ao seu amor que lhe escreva

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura

ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

Garcia Lorca

(tradução: William Agel de Melo)

Federico Garcia Lorca, nasceu em Fuentevaqueros (Granada) em 5 de junho de 1898 e morreu assassinado em Viznar (Granada), uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola, em 19 de agosto de 1936. Foi dotado de uma personalidade extraordinariamente voltada para a arte.

Além de ser um grande poeta, teve também alguns pendores musicais, tendo feito, ainda, alguns desenhos. É Garcia Lorca, com certeza, o poeta espanhol mais conhecido universalmente, só perdendo para Cervantes no número de edições e traduções de suas obras.

Garcia Lorca iniciou os seus estudos de direito, filosofia e letras, em 1914, na Universidade de Granada, transferindo-se em 1919 para Madrid, onde conheceu pessoas como o cineasta Luis Buñuel.

Em Madrid nascem suas primeiras obras literárias, o “Libro de Poemas” e sua primeira obra teatral “Mariana Pineda”. É também nesse período que se aproxima do grande mestre do surrealismo, Salvador Dali.

Em 1928 Garcia Lorca publica o “Romancero Gitano”, composto por dezoito poemas no qual se encontram os motivos andaluzes da sua origem.

Depois dos seus estudos na Espanha, vai para os Estados Unidos, como estudante da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde também profere conferências. A seguir vai até Cuba. É dessa época as suas obras, reunidas no livro “Poeta en Nueva Iork”, no qual se percebem técnicas surrealistas, provenientes de imagens alucinantes que expressavam o desdém de Lorca com o tipo de civilização moderna dos Estados Unidos daquela época, desumanizadora e promotora de injustiças sociais.

Ao voltar à Espanha, Lorca cria o teatro universitário ambulante “La Barraca”, com o qual faz montagens de peças de autores espanhóis consagrados, como Lope de Veja e Cervantes. A seguir, viaja pela América do Sul, particularmente pela Argentina e Uruguai e faz um grande sucesso em Buenos Aires, em 1933.

A situação vigente na Europa, já nessa época, iria, contudo, fazer de Garcia Lorca uma espécie de símbolo das vítimas dos regimes autoritários de direita e da tirania fascista. Após a eclosão da Guerra Civil Espanhola, Lorca saiu de Madrid para Granada, onde, supostamente, estaria mais protegido.

É que Lorca (como sempre são os intelectuais de vanguarda), era um inimigo natural de um regime autoritário. Além disso, numa Espanha católica, as possíveis tendências homossexuais de Lorca também não eram bem vistas. Por essas razões, vítima de uma denúncia anônima, Lorca é preso e assassinado, tendo o seu corpo sido jogado num canto da Sierra Nevada.

O fato de Garcia Lorca ter sido assassinado pelo regime de Franco, fez com que, durante longo tempo, seu trabalho fosse pouco divulgado e até mesmo censurado na Espanha. Por outro lado, tornou-se uma figura simbólica da opressão, o que fez com que vários poetas e escritores viessem a se ocupar de sua figura.

No Brasil escreveram sobre Lorca, entre outros, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e Murilo Mendes.

INFORMAÇÃO

Respeito ao partido do poder…

Desde maio, o diretor da PF, Luís Fernando Correa, e o diretor da Divisão de Inteligência, Daniel Lorenz, tiveram a certeza de que os grampos ilegais estavam espalhados por todo o País… O descontrole ajuda as desconfianças dos que acusam a PF de trabalhar com fins políticos.

A PF e os agentes da Abin conseguiram gravar ilegalmente senadores, deputados e o Judiciário. E se mostraram incapazes de cumprir determinação do STF, que mandou monitorar as conversas telefônicas do secretario nacional do PT, Romenio Pereira. Em carta ao STF, a PF alegou não dispor de recursos técnicos para promover a escuta do petista.

Sebastião Nery, jornalista

Comentário (III)

O episódio Dantas

A gravação da conversa por telefone entre um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e um parlamentar federal gerou artificioso escândalo. Relevante foi o ato de gravar e não o conteúdo da conversa. Se não houve autorização judicial, o ato tipifica crime. A citada gravação está relacionada, provavelmente, com o episódio Dantas.

O Ministro agitou a opinião pública ao invadir competência de outro tribunal e imprimir incomum velocidade nas ordens de habeas-corpus em favor de Dantas. Entre as motivações do Ministro é possível que se encontrem a de exibir poder e a de satisfazer vaidade. A sombra da suspeita paira sobre o Ministro. Normalmente, os processos de habeas-corpus, mandado de segurança, mandado de injunção, têm andamento mais lento, mesmo sendo prioritários.

Antonio Sebastião de Lima, professor e juiz de Direito aposentado

OPINIÃO

Venda de votos

Em São Paulo, Soninha Francine sabe e todos nós sabemos que a grande maioria faz da Câmara Municipal um balcão de negócios. Isso é fato. Não há como negar. Difícil é apresentar as provas. O sem-vergonha não necessariamente é burro!

Humberto Boh (hubose@gmail.com)

FRASE DA 3/11

“Em Brasília, muita gente cai na gargalhada quando eu chamo Lobão de ministro. Lobão é o chamado “ministro Coca-Cola”. Como está na garrafa, ‘é marca de fantasia’”.

Hélio Fernandes, jornalista

Frédéric Bazille

Frédéric Bazille -

Nascido Jean-Frédéric Bazille em 6 de dezembro de 1841, em Montpellier, França.
Frédéric Bazille foi educado em uma abastada família no Sul da França

Mas sua paixão pela pintura superou a obrigação de exercer uma boa vocação e, por muito que Foi durante estes anos de formação que ele conheceu colegas pintores como Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir e Alfred Sisley, que junto a Bazille foram fundadores do movimento revolucionário dos impressionistas do final do século XIX.

Frédéric Bazille nunca foi casado, e de seu relacionamento íntimo com muitos homens revelou-se que ele era gay. Na altura, a homossexualidade foi considerada quase universalmente desviantes e foi reprimida, especialmente entre a elite social em que sua família estava firmemente enraizado.

Sua estreita amizade incluiu o mais célebre dos artistas impressionistas de todos os tempos, inclusive Manet, Monet, Renoir, Sisley, e Berthe Morisot. Se não fosse por sua morte prematura, Frédéric Bazille era quase certamente destinado a tornar-se um dos líderes da revolução dos impressionistas. Frédéric Bazille foi tragicamente morto em ação na sua primeira batalha, em 28 de novembro de 1870, com a idade de 29 anos.