Arquivo do mês: setembro 2008

CRISE ANDINA

Corte de gás na Bolívia ainda afeta Brasil

Confronto de governistas com opositores matou pelo menos oito no departamento de Pando (Bolívia). Foi o dia mais sangrento até agora da atual crise política boliviana, iniciada a 20 dias, quando os governadores oposicionistas decidiram intensificar os protestos contra o governo do presidente Evo Morales. O fechamento da válvula do gasoduto Bolívia-Brasil afetou em 50% o fornecimento ao país, normalizado depois. À noite, houve violento confronto em Santa Cruz de la Sierra entre governistas e oposicionistas.

CONCEITOS

Etnias?

Contando ninguém acredita. Na ficha de inscrição para o vestibular da Universidade Federal da Bahia (UFBA) existe um campo “etnia”. As opções são: preto, pardo, índio-descendente, aldeado, quilombola (?!) e outras. Aldeado? Quilombola? Desde quando são classificações étnicas? Nem vale a pena comentar que a opção “branca” se encaixa no “outras”, como se não houvesse brancos na Bahia ou no restante do Brasil. A que ponto chegamos!

Maria Cristina da Rocha Azevedo ( crisrochazevedo@hotmail.com)

Míriam Leitão comenta

Bolívia e Cuba

Bolívia, cercada de terra, eternamente sonhando com o mar; Cuba, cercada por mar, há longo tempo isolada. Diferentes e parecidos, os países tiveram uma dura semana. Cuba terá que reconstruir 300 mil casas depois da devastação do Ike. Bolívia enfrenta uma ferida mais velha. O grupo de amigos, Brasil-Argentina-Colômbia, desembarcará em La Paz para tentar aproximar os dois lados do país dividido.

O Brasil tem que ter uma presença mais forte na procura de uma solução negociada. Não apenas pelo risco de escassez de gás, mas para evitar que o vizinho mergulhe numa guerra civil.

Ontem, quando o Brasil parou de receber metade do gás que deve vir para o país, houve um momento de aflição. São Paulo recebe da Bolívia 70% do gás que consome. De tarde, o pior do susto passou. Mas o episódio deixa lições. A primeira é que é preciso ter planos de contingência que não sejam os feitos em clima de emergência. A segunda é que o Brasil não pode ter uma atitude contemplativa.

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães e o secretário Marco Aurélio Garcia vão ser a parte brasileira no grupo de amigos da Bolívia. O ponto certo da participação do Brasil seria defender o princípio da legalidade, mas não a defesa de Evo Morales por motivos ideológicos. A diferença pode parecer sutil, mas na diplomacia é essencial. Se parecer pró-Bolívia, o Brasil vai defender melhor os interesses do país vizinho, e os nossos. Se parecer pró-Evo, vai entrar na briga boliviana.

Leia em Panorama Econômico

Infidelidade partidária

Se vereadores e outros políticos filiados a determinado partido são capazes de “cuspir no prato em que comem”, diante da infidelidade e traição aos paradigmas partidários e a seu candidato majoritário, demonstrando, pois, profunda fragilidade nos seus princípios éticos e morais, evidentemente dá para imaginar o que essa gente é capaz de fazer contra o povo e o Estado. Tomara que o eleitor perceba e os castigue nas urnas.

David Neto (drdavidneto@drdavidneto.com.br)

OPINIÃO

Mantega é engraçadíssimo. E embora não seja polêmico ou resistente, não há dúvida, teria feito sucesso nos tempos áureos do Pasquim. Ele se diverte muito com o palavreado “robusto”, e apesar do presidente do Banco Central, teoricamente, ser subordinado a ele, critica sua política. Por que não demite o subordinado? Ha! Ha! Ha! Às vezes dá a impressão de que pode. Mas sabe que isso não está nem nas atribuições do presidente da República.
Como sabe que tem que assistir a tudo sem participar, também procura não se incompatibilizar. O que disse anteontem: “O Brasil hoje é uma potência, graças às políticas do atual governo e dos anteriores”. Todos? Quer dizer que não houve governo ruim?

Hélio Fernandes, jornalista

FRASE DA 1/12

“Abuso é abuso em qualquer circunstância, esteja ele a serviço do ‘mal’ ou sirva de instrumento às forças do ‘bem’’.

Dora Kramer, jornalista

Comentário (I)

Prejuízo histórico

A todos corresponde uma pesada cota nesse prejuízo histórico – diga-se sem tergiversar.Ainda há tempo? Não sei. Lembro que em 1989, do alto do seu despojamento ímpar, Brizola propôs a Lula a renúncia de ambos, no segundo turno, em benefício de Mário Covas, que não tinha nada desse péssimo caráter de hoje encarnado por FHC.Lula teimou, como que vendo longe seu próprio futuro. Tivéssemos nos unidos então, poderíamos não estar vivendo às mil maravilhas, mas, com certeza, o Brasil político teria outros contornos.

Pedro Porfírio, jornalista (coluna@pedroporfirio.com)

Editorial da Folha

Grampo controlado

É preciso reformar a legislação frouxa que dá a autoridades um grau de arbítrio incompatível com a Constituição NUM PAÍS em que o presidente do Supremo Tribunal Federal se vê objeto de escutas telefônicas clandestinas, não há dúvida de que o direito à privacidade, garantia fundamental num regime democrático, encontra-se ameaçado.

Não apenas a arapongagem ilegal preocupa: mesmo nos procedimentos autorizados pela Justiça, sinais de excesso intromissivo surgem com relativa freqüência no noticiário. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou anteontem um projeto de lei com inovações positivas nessa questão. Passa-se a exigir, por exemplo, que sejam mais fundamentados os pedidos de quebra de sigilo telefônico feitos pela polícia.

Consideram-se inutilizáveis, no processo, os registros de conversas entre o suspeito e seu advogado. Penas severas são previstas ao servidor público responsável por escutas clandestinas. Se o projeto for à frente, vão aumentar em detalhamento as normas destinadas a reger o assunto, datadas de 1996.

Ao mesmo tempo, não se trata de diminuir o alcance de um recurso investigativo indispensável, num ambiente em que a sofisticação do crime desafia como nunca o engenho das forças da lei. Também o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tratou de regulamentar os procedimentos a serem seguidos pelas autoridades na realização de escutas telefônicas.

O órgão estipulou diversas normatizações de ordem técnica que, embora incapazes de prevenir eventuais ações desmedidas de um juiz de primeira instância, obrigam-no a embasar circunstanciadamente a sua decisão. Num único aspecto, entretanto, o CNJ incorre no risco de ingerência sobre decisões judiciais. Ele determinou que todo magistrado deverá informar mensalmente a quantidade de interceptações telefônicas que autorizou.

O perigo, a ser evitado, é essa medida degenerar numa espécie de supervisão estatística, lançando uma sombra de desconfiança sobre os magistrados que mais ordenam quebra de sigilo. Abusiva ou não, a decisão individual de um magistrado é soberana. S

e for o caso de responsabilizá-lo por erros cometidos, eis algo que pode ocorrer apenas “a posteriori”, num devido processo legal.

Leia mais em: Grampo controlado

Lula x Evo

Myrria

Fonte: chargeonline.com.br/Myrria

Barry White e Lisa Stansfield

Barry White (Galveston, 12 de setembro de 1944 — Los Angeles, 4 de julho de 2003) foi um cantor e produtor musical norte-americano. Compositor de inúmeros sucessos em estilo soul e disco e de baladas românticas, e um intérprete com voz profunda e grave.

Se criou no gueto negro da cidade de Los Angeles. Como outros cantores de sucesso, também cantou em coral de igreja na juventude. Foi um adolescente inconseqüente e foi preso com dezessete anos de idade por roubar pneus. Na prisão, decidiu mudar de vida e de amigos.

Obteve grande êxito como intérprete de baladas românticas nos anos 60. Em 1972 criou o trio feminino Love Unlimited. Posteriormente aproveitou este nome para batizar seu grupo de acompanhamento, a Love Unlimited Orchestra.

Em meados dos anos 80, em conjunto com a cantora Lisa Stansfield , gravou um de seus grandes sucessos : All Around The World . Sua simplicidade e simpatia aliado a sua grande versatilidade em interpretar temas românticos, tornou essa parceria inesquecível .

Em fins dos anos 90, apareceu várias vezes na série de TV Ally McBeal, o que contribuiu para revitalizar sua carreira. Foi também inspirador do personagem “Chef” do desenho animado South Park. Lançou em 1999 uma autobiografia.

No ano 2000 ganhou dois prêmios Grammy nos quesitos de melhor música tradicional e R&B por Staying Power.

Morreu no Centro Médico Cedars-Sinai, em Los Angeles aos 58 anos, vítima de falência renal. Padecia de pressão alta e estava à espera de um transplante.