Míriam Leitão comenta

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Bolívia e Cuba

Bolívia, cercada de terra, eternamente sonhando com o mar; Cuba, cercada por mar, há longo tempo isolada. Diferentes e parecidos, os países tiveram uma dura semana. Cuba terá que reconstruir 300 mil casas depois da devastação do Ike. Bolívia enfrenta uma ferida mais velha. O grupo de amigos, Brasil-Argentina-Colômbia, desembarcará em La Paz para tentar aproximar os dois lados do país dividido.

O Brasil tem que ter uma presença mais forte na procura de uma solução negociada. Não apenas pelo risco de escassez de gás, mas para evitar que o vizinho mergulhe numa guerra civil.

Ontem, quando o Brasil parou de receber metade do gás que deve vir para o país, houve um momento de aflição. São Paulo recebe da Bolívia 70% do gás que consome. De tarde, o pior do susto passou. Mas o episódio deixa lições. A primeira é que é preciso ter planos de contingência que não sejam os feitos em clima de emergência. A segunda é que o Brasil não pode ter uma atitude contemplativa.

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães e o secretário Marco Aurélio Garcia vão ser a parte brasileira no grupo de amigos da Bolívia. O ponto certo da participação do Brasil seria defender o princípio da legalidade, mas não a defesa de Evo Morales por motivos ideológicos. A diferença pode parecer sutil, mas na diplomacia é essencial. Se parecer pró-Bolívia, o Brasil vai defender melhor os interesses do país vizinho, e os nossos. Se parecer pró-Evo, vai entrar na briga boliviana.

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