Arquivo do mês: setembro 2008

NOTICIÁRIO

Crédito mais caro e apertado trará dificuldades
Falências elevam o custo de proteção contra calote e apertam e encarecem o crédito. Todos os indicadores usuais do medo financeiro ontem gritavam “perigo”. Menos crédito, menos financiamento de atividade econômica. Menos consumo e comércio. A crise assim encosta no Brasil.

Para a ONU, polícia no Brasil mata quem quiser
Relatório da ONU aponta que o Brasil tem um dos índices de homicídios mais altos do mundo. A pesquisa destaca o envolvimento de policiais em milícias. Segundo o advogado Philip Alson, autor do relatório que inspecionou o país por dez dias, permite-se que a “a polícia mate quem quiser”.

Wider deixa o TRE e atira no Congresso
Principal defensor da impugnação de candidatos com vida pregressa suja como meio de limpar o Poder Legislativo, o desembargador Roberto Wider deixou a presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sem poupar críticas ao Congresso. Afirma que os parlamentares guardam há 14 anos um projeto que regulamentaria a questão.

Avanço da Tecnologia da Informação
O mercado brasileiro de tecnologia da informação deverá movimentar neste ano US$ 23 bilhões, um crescimento de 15%, ritmo três vezes superior à média global. Com 13 milhões de microcomputadores vendidos, o país já é o quinto mercado mundial.

Fundo Petrobras perde valor
O FIDC NP do sistema Petrobras perdeu quase 100% do valor de seu patrimônio líquido em três meses, segundo informações setoriais.

As duas faces do SUS
Prestes a completar 20 anos, o Sistema Único de Saúde vive grande contradição. Enquanto muitos pacientes mofam nas filas, como Conceição Henriques, no colo da filha Ivanilda, no Centro Metropolitano de Especialidades Médicas, outros são salvos por procedimentos complexos, como o transplante de fígado feito por Wanderley Cássio Tancredo no Hospital das Clínicas. (Estado de Minas)

CRISE BATE À PORTA

Bancos brasileiros perdem US$ 10,5 bilhões em um dia

Os bancos brasileiros perderam 25% de seu valor de mercado neste ano, particularmente, por conta da crise financeira internacional, passando de US$ 229,9 bilhões em dezembro para US$ 172,5 bilhões na última sexta-feira, conforme levantamento da Economatica. O colapso do Lehman Brothers refletiu em queda mais acentuada das ações ontem e os bancos fecharam o dia valendo US$ 10,5 bilhões menos, em US$ 162 bilhões. Os mercados acionários têm sido um dos mais atingidos pela crise, mas os bancos são alvos especiais porque estão no cerne do problema.

TRÁFEGO AÉREO

Pilotos omitem problemas temor de ação judicial

A abertura de ação criminal sobre os acidentes da GOL em 2006 e da TAM em 2007 fez recuar o número de relatórios de segurança de vôo encaminhados pelos tripulantes à Aeronáutica. Os documentos, sigilosos, têm sido usados na Justiça. Neste ano, o Cenipa, que investiga acidentes aéreos, recebeu nove relatórios, contra 90 em 2007. Para o órgão, os tripulantes “perderam a confiança” no trabalho do Cenipa.

PETROBRAS AGE

Contratadas 10 plataformas por US$ 15 bi

A Petrobras vai contratar dez novas plataformas flutuantes para atuar no pré-sal da bacia de Santos, anunciou ontem a companhia. Com capacidade para produzir até 120 mil barris de petróleo e 5 milhões de metros cúbicos de gás natural, as unidades têm custo unitário estimado em US$ 1,5 bilhão e serão instaladas entre 2013 e 2016. As duas primeiras plataformas serão destinadas aos projetos pilotos na região e devem ser arrendadas de terceiros. Ao todo, a Petrobras prevê 234 encomendas — entre plataformas, navios, sondas e outras unidades de produção — apenas para a nova região petrolífera que deve gerar 112,6 mil novos empregos.

ESCAPAMOS

Lehman se preparava para entrar no Brasil

Em julho de 2007, executivos do Lehman Brothers entregaram ao Banco Central do Brasil os papéis para abrir uma subsidiária no País, o Lehman Brothers do Brasil Banco Múltiplo S.A. Até ontem, não havia resposta, embora o Conselho Monetário Nacional já tivesse aprovado que 100% do capital do banco ficasse com a sede americana. Os planos eram ambiciosos, com atuação em várias frentes.

CRISE GLOBAL

Maior quebra da história causa pior dia nas Bolsas

O mercado financeiro viveu ontem o abalo de um novo 11 de Setembro. Em menos de 24 horas, o quarto maior banco de investimentos americano, o Lehman Brothers, sem comprador à vista, pediu concordata para evitar sua quebra. Pouco depois, o Bank of America arrematou o Merrill Lynch por US$ 50 bilhões. A seguradora AIG, a maior do mundo, viu suas ações caírem mais de 60% e conseguiu autorização para captar até US$ 20 bilhões de suas subsidiárias para cobrir perdas.

Nesse cenário sombrio, as bolsas americanas registraram as piores quedas, em pontos, desde 11 de setembro de 2001. O índice Dow Jones caiu 4,41% e o S&P 500 recuou 4,71%. No Brasil, a queda percentual da Bolsa de Valores de São Paulo foi a maior em sete anos: 7,6%, a pior entre os grandes mercados no mundo.

MANCHETES de hoje_16.set.08

JORNAL DO BRASIL – O mundo em pânico

GAZETA MERCANTIL – Bancos brasileiros perdem US$ 10,5 bilhões em um dia

TRIBUNA DO NORTE – Paulo de Tarso: “a coligação induziu a Justiça ao erro”

O GLOBO – O novo 11 de Setembro do mercado

FOLHA DE SÃO PAULO – Maior quebra da história causa pior dia nas bolsas desde o 11/9

VALOR ECONÔMICO – Crise já atinge o crédito no Brasil

TRIBUNA DA IMPRENSA – ONU: brasileiros apóiam violência policial

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Concordata nos EUA sacode o mercado

ESTADO DE SÃO PAULO – Quebra de banco nos EUA faz mercado global desabar

CORREIO BRAZILIENSE – A pior crise desde 11/9

DIÁRIO DE NATAL – Crise americana derruba bolsas e dólar dispara

A TARDE – Falência de banco dos EUA derruba Bovespa

ESTADO DE MINAS – Como a crise pode afetar o Brasil

ZERO HORA – Escândalo convulsiona área da Cultura

Poesia

Amor é um carpinteiro

Amor é um carpinteiro

Que ri com ar de matreiro,
Cerrando forte e ligeiro
Na tenda do coração…

Com toda a proficiência
Põe pregos de resistência,
Ferrolhos na consciência,
Tranca as portas da razão

Adelaide de Castro Alves Guimarães

A Poetisa

Adelaide de Castro Alves Guimarães (Salvador, 22/03/1854 – Rio de Janeiro, 21/09/1940) estudou na capital da Bahia, onde foi musicista, pintora, desenhista e, sob o pseudônimo de Sílvia, poetisa desde a infância.

Filha do cirurgião e professor de Medicina Dr. Antônio José Alves e de Clélia Brasília de Castro Alves, casou-se com o jornalista e político baiano Augusto Álvares Guimarães, com quem teve uma filha, a poetisa Glória de Castro Alves Guimarães.

Nobre de espírito e distinta em suas maneiras, conforme Wanderley Pinho, Adelaide manteve, enquanto casada, em seu conhecido “palacete da Soledade”, saraus intelectuais que reuniram, dentre as famílias mais burguesas e educadas do Segundo Reinado, importantes personalidades brasileiras como Rui Barbosa e o irmão Castro Alves.

Marcada pela sombra de homens ilustres: primeiro a do idolatrado e famoso irmão, o “poeta dos escravos” – que deve a ela o cultivo de sua memória e a conservação de seu acervo e seus manuscritos inéditos – e, em seguida, a do marido, intelectual e jornalista respeitado, também abolicionista, Adelaide cumpriu a sina de muitas mulheres do século XIX, que, imbuídas da “sagrada missão de mães e esposas”, dedicaram-se à glória dos homens de suas famílias.

De fato, em detrimento dos seus, a poetisa esqueceu-se de si própria e de seu talento, vivendo num ineditismo quase absoluto. Somente neste século, com o incentivo da filha e poetisa Regina Glória de Castro Alves Guimarães, ela vem a publicar seus poemas.


FRASE DA 2/15

“É preocupante o crime organizado atuar como agente de proa do Estado brasileiro, mais especificamente na Câmara Municipal do Rio”.

Ayres de Britto, ministro do STF

Comentário (II)

Um vazio para ninguém botar defeito

De hoje até terça-feira, 7 de outubro, o Congresso estará em recesso remunerado. Deputados e senadores, autorizados pelos respectivos presidentes, mandaram-se para seus estados a fim de participar das três últimas semanas que nos separam das eleições municipais. Mesmo os parlamentares eleitos por Brasília, onde não haverá eleição, desaparecerão de seus gabinetes.

Alguns ranzinzas já começaram a protestar, lembrando que o eleitorado escolherá os novos prefeitos e vereadores em todo o país, ou seja, sem estarem em jogo os mandatos federais. É má vontade, porque senadores e deputados precisam cultivar suas bases. Ao menos em parte, dependem delas para reeleger-se.

Carlos Chagas, jornalista