Poesia
Amor é um carpinteiro
Amor é um carpinteiro
Que ri com ar de matreiro,
Cerrando forte e ligeiro
Na tenda do coração…
Com toda a proficiência
Põe pregos de resistência,
Ferrolhos na consciência,
Tranca as portas da razão
Adelaide de Castro Alves Guimarães
A Poetisa
Adelaide de Castro Alves Guimarães (Salvador, 22/03/1854 – Rio de Janeiro, 21/09/1940) estudou na capital da Bahia, onde foi musicista, pintora, desenhista e, sob o pseudônimo de Sílvia, poetisa desde a infância.
Filha do cirurgião e professor de Medicina Dr. Antônio José Alves e de Clélia Brasília de Castro Alves, casou-se com o jornalista e político baiano Augusto Álvares Guimarães, com quem teve uma filha, a poetisa Glória de Castro Alves Guimarães.
Nobre de espírito e distinta em suas maneiras, conforme Wanderley Pinho, Adelaide manteve, enquanto casada, em seu conhecido “palacete da Soledade”, saraus intelectuais que reuniram, dentre as famílias mais burguesas e educadas do Segundo Reinado, importantes personalidades brasileiras como Rui Barbosa e o irmão Castro Alves.
Marcada pela sombra de homens ilustres: primeiro a do idolatrado e famoso irmão, o “poeta dos escravos” – que deve a ela o cultivo de sua memória e a conservação de seu acervo e seus manuscritos inéditos – e, em seguida, a do marido, intelectual e jornalista respeitado, também abolicionista, Adelaide cumpriu a sina de muitas mulheres do século XIX, que, imbuídas da “sagrada missão de mães e esposas”, dedicaram-se à glória dos homens de suas famílias.
De fato, em detrimento dos seus, a poetisa esqueceu-se de si própria e de seu talento, vivendo num ineditismo quase absoluto. Somente neste século, com o incentivo da filha e poetisa Regina Glória de Castro Alves Guimarães, ela vem a publicar seus poemas.
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