Arquivo do mês: setembro 2008

GLOBALIZAÇÃO

Fragilidade sistêmica do Brasil desmente Lula

Um dia depois de o presidente Lula dizer que a crise econômica dos EUA não afeta o Brasil (“Que Crise? Vai perguntar para o Bush”), a Bovespa despencou 6,74%. O tombo só não foi pior que o da bolsa russa, que chegou a ter negócios interrompidos após queda de 10%. Só esta semana, a bolsa de brasileira perdeu 12,38%. O dólar fechou no Brasil a R$ 1,868, com alta de 2,41%. Apesar da estatização da maior seguradora dos EUA, a AIG, os investidores em todo mundo não estão convencidos de que a crise financeira está longe do fim.

Frase da vez_1/18

“A Bolsa caiu ’imperceptíveis’ 6,7%.”

Deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) ironizando Lula, para quem a crise é “quase imperceptível” no País

Míriam Leitão no Panorama Econômico

As autoridades americanas continuam improvisando e sendo surpreendidas pela crise. Erraram na regulação e na fiscalização, erraram na avaliação da dimensão da crise, erraram na dose do remédio. E erram quando têm comportamento contraditório e errático. Os bancos tomaram decisões absurdas, as agências de risco fizeram barbaridades. As falhas continuam e isso detonou uma crise de confiança.

Ontem, o nervosismo bateu forte no mercado brasileiro. A bolsa caiu 6,74%, mantendo a tendência negativa iniciada em maio e que já registra queda de 37,5% desde que atingiu seu pico no ano. O dólar subiu 2,6% e já acumula alta de 19,6% desde 1 de agosto, quando começou a subir. Para hoje, a expectativa do mercado é de mais um dia de volatilidade.

E um dos motivos é exatamente a falta de informação sobre o que o Fed, o banco central americano, vai fazer com a AIG.

Leia em A grande falha

Francisco Brennand

Mata - Francisco Brennand
A Mata (1971)

Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand (Recife PE 1927). Ceramista, escultor, desenhista, pintor, tapeceiro, ilustrador e gravador. Inicia sua formação em 1942, aprendendo a modelar com Abelardo da Hora (1924).

Posteriormente, recebe orientação em pintura de Álvaro Amorim e Murilo Lagreca (1899-1985). No fim dos anos 1940, pinta principalmente naturezas-mortas, realizadas com grande simplificação formal.

Em 1949, viaja para a França, incentivado por Cícero Dias (1907-2003). Freqüenta cursos com André Lhote (1885-1962) e Fernand Léger (1881-1955) em Paris, em 1951. Conhece obras de Picasso (1881-1973) e Miró (1893-1983) e descobre na cerâmica seu principal meio de expressão.

Entre 1958 a 1999, realiza diversos painéis e murais cerâmicos em várias cidades do Brasil e dos Estados Unidos. Em 1971, inicia a restauração de uma velha olaria de propriedade paterna, próxima a Recife, transformando-a em ateliê, onde expõe permanentemente objetos cerâmicos, painéis e esculturas.

Em 1993, é realizada grande retrospectiva de sua produção na Staatliche Kunsthalle, em Berlim. É publicado o livro Brennand, pela editora Métron, com texto de Olívio Tavares de Araújo, em 1997. Em 1998, é realizada a retrospectiva Brennand: Esculturas 1974-1998, na Pinacoteca do Estado, em São Paulo.

Desde os anos 1990, são lançados vários vídeos sobre sua obra, entre eles, Francisco Brennand: Oficina de Mitos, pela Rede Sesc/Senac de Televisão, em 2000.

Líder Latino

 

Lessa vê crise profunda e Brasil sem salvaguardas

Ex-presidente do BNDES, o economista Carlos Lessa traça um perfil sombrio para os efeitos da crise financeira sobre o Brasil e acha que o país não tem instrumentos para se proteger.
“O Brasil vai entrar pelo cano porque não possuimos salvaguarda nenhuma. Os 200 bilhões de dólares (em reservas internacionais brasileiras) que o Meirelles (presidente do Banco Central) bate no peito são pó em relação ao tamanho da crise que está se avizinhando”, disse Lessa à Reuters.

Para ele, o Brasil só conseguiria reter a parte de capitais de curto prazo elevando a taxa de juros, mas a situação externa vai puxá-los para fora do país.

Lessa acha que a atual crise reproduziu em escala mundial o que aconteceu no Japão nos anos de 1990, quando a acumulação financeira se baseou em valores inflacionados dos imóveis que não se sutentaram. “Isso gerou uma crise imobiliária de proporções colossais. Os imóveis mais caros do mundo viraram pó. Até hoje o Japão não se recuperou desse golpe”, afirmou.

Segundo ele, o que aconteceu nos Estados Unidos foi parecido. O ganho financeiro se remunerou sem a correspondente geração de economia real, rompendo os limites do jogo econômico.
“Se a economia real caminha separada da acumulação financeira, como aconteceu lá e no Japão, você estabelece uma precariedade na construção e chega um momento em que ela cai.”

BOLHINHA E BOLHONA

A extensão da atual crise é difícil de prever, na opinião de Lessa, mas sugere ser muito mais profunda do que se imaginava.

“De qualquer maneira virá um novo período de estagnação mundial, o que para o Brasil é muito ruim”, avaliou, apontando a falta de um projeto nacional de desenvolvimento para compensar a dificuldade externa.

Para Lessa, o mínimo que vai acontecer ao Brasil será a inflação, já que a taxa de câmbio foi o principal instrumento para combatê-la.

“Na hora em que o jogo financeiro começa a puxar os recursos para fora, a taxa de câmbio se desvaloriza. É o que está acontecendo, o real já está se desvalorizando ante o dólar”, citou Lessa. Ele ressaltou a ironia de a moeda brasileira estar se desvalorizando perante o dólar, “que está à beira do crack”, quando a economia norte-americana vai mal e a brasileira está indo bem.

O ex-presidente do BNDES no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva alertou para a criação de uma bolha de crédito no Brasil que pode estourar se a economia deixar de crescer.
“Um carro é financiado em 90 prestações baseado em que as pessoas pagarão se a economia crescer. Mas se não crescer e houver desemprego, não pagarão”, advertiu.

O economista considera insustentável subordinar o crescimento econômico ao endividamento em massa das famílias. “A dívida das famílias só é um bom ativo para os bancos se elas continuarem a ter renda. A situação é similar à bolha de crédito imobiliário norte-americano. Só que a nossa é uma bolhinha e a deles é uma bolhona.”

Fonte: Veja Online/Reuters

História – há 29 anos…

Ouro para João do Pulo – No dia 18 de setembro de 1979, em San Juan, Porto Rico, João do Pulo tornou-se bicampeão pan-americano de salto triplo com 17,27m e também campeão de salto em distância com 8,18m.

João do Pulo

Para o atleta, as medalhas eram apenas treinos para seu maior sonho: as Olimpíadas de Moscou, na ex-URSS, em 1980.

Poesia

Que são anos?

Que é a nossa inocência,
que é a nossa culpa? Todos estamos
nus, em segurança ninguém. E donde
vem a coragem: a pergunta em aberto,
a dúvida resoluta, –
mudamente clamando, surdamente ouvindo – que
na desgraça, mesmo na morte,
encoraja os outros
e na derrota, incita

a alma a resistir? Lobriga
longe e é confortado, aquele
que aceita a mortalidade
e na sua clausura se ergue
acima de si próprio como
o mar que lutando para libertar-se
da fenda, e incapaz de fazê-lo,
encontra na capitulação
a sua continuidade.

Assim, o que é animoso,
saberá comportar-se. A própria ave,
engrandecida pelo canto, acena
para o alto o seu perfil. Cativa embora,
o seu poderoso canto nos diz
que coisa banal é a satisfação,
quão pura é a alegria.
Aquilo é mortalidade.
Isto a eternidade.

Mariane Moore (tradução de Rui Knopfli)

A Poetisa

Mariane Moore nasceu no Missouri (EUA) em 1887. Recebeu vários prêmios pela sua obra de cerca de uma dezena de títulos. Morreu em 1947.

“Valha o que valer, a minha convicção tem-se mantido inalterável ao longo dos últimos catorze anos; consiste ela em que os poemas de Miss Moore fazem parte do exíguo corpo de poesia durável escrita no nosso tempo; desse exíguo corpo de escritos em que, entre tudo aquilo que passa por poesia, uma sensibilidade original e uma inteligência alerta e uma funda compaixão se conjugaram para a preservação da vida na língua Inglesa .”(T. S. Eliot, em 1935 – citado por Rui Knopfli)

Parabéns aos nossos atletas paraolímpicos

O Brasil saiu das Paraolímpíadas de Pequim com o número recorde de 47 medalhas e a melhor colocação da História – o nono lugar, superando a marca de Atenas-2004, quando subiu ao topo do pódio 14 vezes e conquistou 33 medalhas no geral.

Qual a explicação de nos darmos melhor em Paraolimpíadas do que em Olimpíadas?

FRASE DA 4/17

“Se até o número dois da Polícia Federal é preso por fraude, esperar o que mais das pessoas que compõem este governo? Será possível que não sobre um?”

Domingos Cesar Tucci (d.ctucci@globo.com)