Poesia
Que são anos?
Que é a nossa inocência,
que é a nossa culpa? Todos estamos
nus, em segurança ninguém. E donde
vem a coragem: a pergunta em aberto,
a dúvida resoluta, –
mudamente clamando, surdamente ouvindo – que
na desgraça, mesmo na morte,
encoraja os outros
e na derrota, incita
a alma a resistir? Lobriga
longe e é confortado, aquele
que aceita a mortalidade
e na sua clausura se ergue
acima de si próprio como
o mar que lutando para libertar-se
da fenda, e incapaz de fazê-lo,
encontra na capitulação
a sua continuidade.
Assim, o que é animoso,
saberá comportar-se. A própria ave,
engrandecida pelo canto, acena
para o alto o seu perfil. Cativa embora,
o seu poderoso canto nos diz
que coisa banal é a satisfação,
quão pura é a alegria.
Aquilo é mortalidade.
Isto a eternidade.
Mariane Moore (tradução de Rui Knopfli)
A Poetisa
Mariane Moore nasceu no Missouri (EUA) em 1887. Recebeu vários prêmios pela sua obra de cerca de uma dezena de títulos. Morreu em 1947.
“Valha o que valer, a minha convicção tem-se mantido inalterável ao longo dos últimos catorze anos; consiste ela em que os poemas de Miss Moore fazem parte do exíguo corpo de poesia durável escrita no nosso tempo; desse exíguo corpo de escritos em que, entre tudo aquilo que passa por poesia, uma sensibilidade original e uma inteligência alerta e uma funda compaixão se conjugaram para a preservação da vida na língua Inglesa .”(T. S. Eliot, em 1935 – citado por Rui Knopfli)
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