Arquivo do mês: setembro 2008

ECONOMIA

Dólar fecha com alta de 1,2%

Em meio ao cenário da crise financeira, a moeda norte-americana fechou hoje (24) com valorização de 1,2%. Após a apresentação de uma grande queda na parte da manhã, o dólar foi cotado a R$ 1, 851 para venda. No mês, a divisa acumula alta de 13%.

Cláudio Humberto, jornalista

Comentário (III)

Vamos trabalhar?

Segundo o relatório anual da Transparência Internacional, o combate à corrupção no Brasil deixa muito a desejar. O País está com um dos piores índices (entre 180 países, em 80.º lugar). O presidente Lulla deveria usar as sandálias da humildade e se espelhar nos amigos do Uruguai e do Chile (em 23.º).

Parece que Lulla, além de gostar de gastar muito e mal, tem ojeriza ao trabalho de controle e combate à corrupção. Tivesse ele a ousadia de efetuar esse trabalho e o País poderia erradicar a pobreza, melhorar a saúde, a educação e a segurança, devolvendo aos brasileiros a sua dignidade. Vamos trabalhar, presidente?

José Carlos Costa (policaio@gmail.com)

QUESTÃO INDÍGENA

Roraima e Mato Grosso do Sul

Os índios merecem respeito e devem ser protegidos pelo Estado, com apoio da sociedade. Um desfecho feliz em Roraima pode repaginar a questão indígena no País, normatizando o processo, ajudando a solucionar esse tremendo rebuliço em Mato Grosso do Sul. Do jeito que está não pode ficar.

Põe um Estado inteiro da Federação em pé de guerra, prejudica os produtores rurais, provoca insegurança jurídica, cria violência, sem ajudar propriamente os índios. Quem ganha com isso? Somente certos saudosistas, que imaginam corrigir o passado segregando, e não integrando, o índio à sociedade.

Xico Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (xico@xicograziano.com.br)

OPINIÃO

Regra geral, o presidente Luiz Inácio da Silva poderia ser menos áspero no uso das palavras. Mas não deixa de ter razão quando chama de “hipócritas” e “oportunistas” os políticos que fazem oposição para as câmeras das emissoras do Congresso e, na hora de ir às ruas pedir votos, são lulistas desde criancinhas.

Se o presidente não estivesse nadando de braçada na avaliação popular, os que hoje se aconchegam para tirar proveito da situação certamente estariam procurando manter dele uma prudente e amazônica distância.

Dora Kramer, jornalista

ÚLTIMAS

Bush com dificuldade para aprovar pacote

O governo americano voltou a pressionar nesta quarta-feira os congressistas a aprovar rapidamente um plano para o resgate da economia do país. No Congresso, Ben Bernanke, presidente do Fed (Banco Central Americano), afirmou que os congressistas precisam agir rapidamente e que a economia americana corre o risco de sofrer “sérias conseqüências” caso o plano de US$ 700 bilhões proposto pelo governo não seja aprovado. O presidente Bush anunciou que fará um pronunciamento nacional sobre a crise, quando deverá reforçar o pedido para que os congressistas aprovem o pacote.

BBC/BRASIL

Comentário (II)

Eleições: Marcação homem a homem

Os dois até usam a mesma expressão. O presidente Luiz Inácio da Silva e o governador José Serra prometem mergulhar “de cabeça” no segundo turno para tentar eleger os respectivos candidatos à Prefeitura de São Paulo. É possível que nenhum dos dois tenha a intenção explícita de medir forças – o governador certamente não tem -, mas, uma vez iniciado o embate da reta final, será inevitável a “leitura” antecipada do embate presidencial de 2010.

Serra é o candidato mais cotado entre os nomes apresentados ao eleitor nas pesquisas e Lula, o mais lembrado nas citações espontâneas, já avisou mais de uma vez aos oponentes que não perderá a chance de eleger o sucessor. Portanto, nada mais óbvio: lutando na mesma praça em regime de exclusiva dedicação ostensiva, ambos roubarão a cena principal oficialmente reservada a Marta Suplicy e ao adversário a ser definido nas próximas duas semanas – Geraldo Alckmin ou Gilberto Kassab.

Dora Kramer, jornalista

CRISE FINANCEIRA

FMI avalia prejuízos na ordem de US$ 1,3 trilhão

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou hoje para US$ 1,3 trilhão o custo da crise financeira, após a turbulência recente, mais de 30% acima de seu cálculo anterior. Conforme o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, divulgou o novo número em uma conferência na sede do organismo e seu “número dois”, John Lipsky, depois explicou o número em discurso na Califórnia.

Lipsky disse que os bancos europeus e americanos perderam entre US$ 640 bilhões e US$ 735 bilhões devido à queda do valor de seus ativos, principalmente em dólares. Ao acrescentar os prejuízos para outras instituições, de todo o sistema financeiro, as perdas subiram para US$ 1,3 trilhão, disse.

EFE, de Washington

PAUTA DO TCU

As despesas do Jogos Pan-Americanos

As obras de infra-estrutura para os Jogos Pan-Americanos, inicialmente orçadas em torno de 400 milhões de reais, incluindo a construção da Vila Olímpica, fecharam na escala de 1 bilhão e 200 milhões. Estão relacionados como responsáveis (pelo ministro Marcos Vilaça) o ministro Orlando Silva, dos Esportes, o presidente do Comitê Olímpico-Rio, Carlos Artur Nuzman, e o secretário de Gestão do Pan-Americano, Ricardo Leyser Gonçalves.

Hélio Fernandes, jornalista

Maria Aurélio Monteiro

Aurélia de Sousa - 1865-1922 Cena familiar
Cena familiar (1910)

Embora descendente de portugueses, Maria Aurélia Monteiro de Sousa nasceu na América do Sul, na cidade de Valparaiso (Chile), em 1865, mudando-se para Portugal, juntamente com os pais, quando era ainda criança.

Foi na cidade do Porto que recebeu suas primeiras lições de pintura, prosseguindo os estudos, mais tarde, com Caetano da Costa Lima e com Marques de Oliveira.

Demonstrando aptidão para as artes, foi para a França, aperfeiçoando-se com Jean-Paul Laurens e Benjamin Constant (não confundir com o militar e político brasileiro do mesmo nome (1836-1891). Este pintor era descendente do escritor Rebecque Benjamin Constant (1757-1830).

A rigor, não era chilena ou portuguesa, mas cidadã do mundo. Viajou intensamente, percorrendo França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália e Espanha, num intercâmbio de conhecimentos. Ao mesmo tempo que expunha sua arte, não perdia oportunidade de assimilar a tradição cultural guardada por esses povos, introduzindo-a no seu trabalho que, na conta de Fernando de Pamplona, «distinguiu-se pelo vigor e liberdade do seu processo pictórico.»

Passou a última fase de sua vida residindo na Quinta da China, nas proximidades do rio Douro, lugar aprazível e que lhe oferecia belíssimas paisagens como tema para seus quadros e lá veio a falecer, em 1922.

O quadro Cena familiar, cuja imagem está acima, pertence ao Museu Nacional Soares dos Reis e revela toda a delicadeza de sua pintura.

Com a palavra, Ricardo Noblat

Recife – João da Costa, de acusado a vítima

Está em curso no Recife um processo exemplar de desconstrução de um fato político de grande repercussão. Dê certo ou não – e desconfio que dará – é um caso para ser estudado pelos interessados em batalhas pelo controle das mentes e corações das pessoas.

João da Costa, candidato do PT a prefeito do Recife, estava pronto para se eleger com folga no primeiro turno. Aí a Justiça impugnou sua candidatura sob a acusação de que ela foi beneficiada pelo uso da máquina administrativa da Secretaria de Educação do município.

(Leia mais em Aloprados ameaçam no Recife a eleição de João da Costa)

– Atenção! Tentativa de golpe contra o povo do Recife. Não se deixe enganar! – berrava, esta manhã, um locutor da campanha de João em um bairro popular da cidade.
É um golpe. Sim, a decisão judicial é apresentada como um golpe. Para quê? Para impedir uma vitória de João no primeiro turno que parecia líquida e certa.

Golpe contra quem? Contra a vontade majoritária do recifense expressa nas pesquisas. Um golpe contra o candidato de Lula, do popular prefeito João Paulo (PT) e do governador Eduardo Campos (PSB).

Quem se beneficiará do golpe? Ora, os adversário de João da Costa que foram cúmplices no passado da ditadura militar de 64.

Prova irrecusável do golpe? Com a palavra o candidato:
– É muito estranho que na mesma hora que o juiz declarou a decisão, já tenha 100 mil panfletos impressos, carros de som gravados e guia de tv pronto. Eu tenho dificuldade em acreditar em coincidências. Parece mesmo um grande golpe para me antingir.

Papo furado.

Sabia-se com antecedência de mais de 10 dias que a decisão sairia ontem. Advogados de todos os partidos tiveram acesso aos autos. Os adversários de João estavam preparados para a eventualidade de uma condenação. Imprimiram panfletos e gravaram peças de campanha. No que saiu a decisão, foi desovado o que estava pronto.

A João e sua turma não importam as razões que levaram o juiz a decidir pela impugnação da candidatura. Importa atribui-la a um golpe “contra a vontade do povo do Recife”.

A manobra poderá dar certo. Sem ânimo para brigar por uma vitória certa, a militância do PT ganhou com a impugnação um forte motivo para pegar em armas.
Segue avançada a onda “vitimização de João”. Se necessário, Lula dará um pulo no Recife para lo comício de encarramento da campanha do companheiro marcado para depois de amanhã.

Lula é a arma final de João e do PT.