Arquivo do mês: fevereiro 2008

MOZART

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COMENTÁRIO (I)

Oposição já tem 126 adesões à CPI mista

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) acaba de anunciar que já conseguiu 126 das 171 assinaturas necessárias para a instalação de uma CPI Mista dos Cartões Corporativos, em contraposição à CPI chapa-branca proposta pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Sampaio diz que até a quarta-feira (13) conseguirá “muito mais do que 171” adesões e que, no Senado, onde a oposição é bem mais forte, não haverá nenhuma dificuldade para reunir trinta ou quarente senadores.

Fonte: Cláudio Humberto, jornalista

Fonte: chargeonline.com.br/Arionauro

A imprensa brasileira faz 200 anos. Vai comemorar?

Nas páginas de “Ilusões Perdidas”, Balzac (1799-1850) anotou: “Se a imprensa não existisse, seria preciso não inventá-la.” No Brasil, ela foi inventada nas pegadas da chegada da família real. Lá se vão 200 anos.

Programaram-se festejos em todo país. Alguns baterão palmas. Outros indagarão: comemorar o quê? Alguns celebrarão a publicação de todos os fatos. Outros lamentarão a omissão dos principais.

Alguns dirão que a imprensa arranca véus. Outros dirão que ela fabrica réus. Alguns a considerarão útil. Outros a tacharão de fútil. Alguns reconhecerão sua independência. Outros apontarão sua prepotência.

De fato, a imprensa é uma das mais perversas invenções do gênio humano, excetuando-se, naturalmente, todas as outras. Inventada, reinventa-se cotidianamente no vácuo das perversões de todas as outras criações da humanidade.

Fonte: Josias de Souza

FRASE DA VEZ_2/7

“Para nós, quanto menor a transparência, maior é o grau de segurança.”

General Jorge Félix, do Gabinete de Segurança, anunciando que vai esconder os gastos de Lula.

Acusação como tática

Abrindo aspas para o deputado Fernando Gabeira

“O primeiro dia do ano no Congresso é sempre formal e entediante. O governo, no entanto, apareceu ontem com uma surpresa. Ele próprio pede uma CPI para apurar os gastos com os cartões corporativos. Quer uma CPI desde 1998 para provar que o governo anterior também cometia irregularidades.O pedido de CPI que está em curso pelos deputados também prevê que se investiguem os cartões corporativos, desde sua criação.

A diferença entre o projeto da oposição e o do governo é que este último quer começar do passado e chegar, devagar, ao presente. A proposta que existe na Câmara é a de começar pelo presente, pelas coisas que estão investigadas agora e recuar até o passado. Duas ênfases distintas. No entanto, a tese que está por baixo é a mesma que Lula utilizou quando se fizeram as denúncias do mensalão: sempre se fez isto no Brasil, os outros também não são inocentes.

A tática de acusar o adversário para encobrir o próprio erro apenas atenua, mas não conseguirá esvaziar o tema. Pena que os outros grandes problemas brasileiros não puderam ser discutidos nos bastidores. Os cartões ocupam o principal espaço no noticiário e a própria Amazônia ficará restrita aos poucos deputados que se interessam por ela.Pelo menos, o ano começou.”

CPI do Cartão saúda o povo e pede passagem

Governos têm horror a CPIs em geral e em particular àquelas montadas com o declarado propósito de lhes criar embaraços.
Quando um governo toma a iniciativa de criar uma CPI que poderá lhe infernizar a vida é porque não teria mais como evitá-la.
A oposição conta no Senado com 30 assinaturas para instalar a CPI que quiser. Bastam 27.

A continuar na defensiva e a se opor a uma inevitável CPI do Cartão Corporativo, o governo achou menos ruim sair na frente. Quer mostrar com isso que nada teme. E, de quebra, tentar controlar a nova CPI.
No caso das CPIs do Correio, do Mensalão e dos Bingos, o governo ameaçou investigar também possíveis irregularidades cometidas em governos passados. Outra vez procede assim.
A impressão digital de tal comportamento está na frase lapidar dita ontem pelo ministro Franklin Martins, da Comunicação Social: “Vamos abrir o suprimento de fundos desde lá atrás”.

É uma advertência que resume o seguinte pensamento: Se quiserem investigar o que fizemos com cartões corporativos investigaremos também o que se fez com eles no período do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Criado em 1998, o cartão corporativo para uso em serviço de autoridades da administração federal foi implementado pelo decreto 3.892 de agosto de 2001. Só a partir de 2003 permitiu-se o uso dele para sacar dinheiro vivo.

Os gastos se multiplicaram desde então. Foram de R$ 8,7 milhões em 2003; R$ 13 milhões em 2004; R$ 20,9 milhões em 2005; R$ 34,6 milhões em 2006; e R$ 78 milhões em 2007.
Quer dizer: em cinco anos os gastos com cartões cresceram pouco mais de 90%. Se comparados com os de 2006, os gastos em 2007 aumentaram 129%.

Estima-se que hoje cerca de 11.500 funcionários disponham de cartões.
O que está fazendo a festa da oposição até aqui é apenas a parte conhecida dos gastos disponível no site Portal da Transparência – 25% do total.

Ou seja: R$ 58 milhões dos R$ 78 milhões gastos no ano passado foram sacados na boca do caixa.
Manda a lei que os portadores de cartões apresentem notas fiscais para justificar saques em dinheiro.
A depender da natureza quente ou fria das notas e dos serviços a que elas correspondam, a festa da oposição poderá dar lugar a um baile. Um barulhento e inesquecível baile.
O presentinho de R$ 416,16 comprado em um free shop pela ex-ministra Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, terá custado uma merreca caso se descubra o uso de cartões para pagar aplicações de botox, operações plásticas, implante de dentes de porcelanas e outros luxos.

Só o motoboy da reitoria da Universidade Federal de Uberlândia, Paulo Sérgio Duarte de Freitas, movimentou no ano passado R$ 46,7 mil, segundo o jornal Correio Braziliense. Seguramente ele é laranja de um graduado portador de cartão.
No que depender do governo, todo tipo de restrição será imposto para inibir o funcionamento da CPI do Cartão. Mas ao fim e ao cabo para alguma coisa ela acabará servindo.
De resto, como observou o ex-senador Jorge Bornhausen quando era Chefe da Casa Civil do governo Fernando Collor, sabe-se como começa uma CPI. Nunca se sabe como termina.

Fonte: Ricardo Noblat

FRASE DA VEZ_1/7

“A vocação do político de carreira é fazer de cada solução um problema.”

Woody Allen, ator, cineasta americano

TOCANTINS – AURORA

TOCANTINS CACHOEIRA DO REGISTRO EM AURORA FOTO ELSON CALDAS

Cachoeira do Registro

Foto: Elson Caldas

CPI CONTRA A CPI

Governo quer controlar investigações

Com o aval de Lula, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) protocolou o pedido de abertura de uma CPI para investigar os gastos do governo com cartões corporativos. Certo de que a oposição conseguiria as assinaturas para uma CPI sobre as irregularidades no uso dos cartões corporativos por funcionários, o PT-governo se antecipou e pediu uma comissão no Senado para investigar os gastos dos últimos 10 anos, o que inclui o período FHC, numa manobra tachada de golpe pela oposição