Arquivo do mês: fevereiro 2008

Cartão Corporativo – De barraca a hotel de luxo

Cartão corporativo foi usado até para compra em feira que vende produtos piratas

Os cartões corporativos do governo federal, que deverão virar tema de CPI no Congresso, vêm sendo usados para pagar de itens luxuosos a despesas inusitadas que ignoram as regras de limite e urgência. Um ministro e outras autoridades pagaram no cartão corporativo diárias no luxuoso Hotel Copacabana Palace, no Rio. Na outra ponta, servidores de segundo e terceiro escalões da Secretaria de Administração da Presidência pagaram, principalmente em Brasília, contas em floriculturas, cosméticos, drogarias, lojas de roupas, piscinas e cinefotos. Nessa lista há até uma compra numa barraca da Feira dos Importados, conhecida como Feira do Paraguai, local famoso por vender produtos piratas.

No dia 6 de dezembro passado, a servidora Ariene Meneses pagou com o cartão do governo uma compra de R$ 40. Pelo registro da Receita Federal, o estabelecimento Zheng Chunliang, que aparece no portal da Controladoria Geral da União, é descrito como uma loja de comércio de bijuterias e souvenires. Mas a pequena barraca do chinês Zheng é especializada na venda de óculos de sol. Modelos Dolce & Gabbana, Gucci e outras marcas famosas falsificadas são vendidos na barraquinha por cerca de R$ 40. Zheng vende também sutiãs Wondebra, igualmente piratas, ao preço de R$ 10. Leia mais em O Globo

O Globo/Maria Lima e Gustavo Paul

FRASE DA VEZ_1/8

“Deve-se filosofar ou não se deve: mas para decidir não filosofar é ainda e sempre necessário filosofar; assim, pois, em qualquer caso, filosofar é necessário.”

Aristóteles, filósofo (384 a.C. – 322 a.C.).

CHAPADA DIAMANTINA – BA

CÂNION DA FUMACINHA CHAPADA DIAMANTINA BA
Cânion da Fumacinha

Foto: Alex Uchôa

NOTICIÁRIO

REPERCUSSÃO – O discurso do senador Garibaldi Alves na abertura do ano legislativo foi uma crítica implacável – e verdadeira – das distorções da política brasileira, diante de um Executivo agigantado.

AQUECIMENTO GLOBAL – Estudo feito nos EUA e publicado na revista Science mostra que a produção de biocombustíveis feitos de milho, soja, palmeiras e cana-de-açúcar pode, em alguns casos, piorar as condições do aquecimento global. Os cientistas fazem referência ao plantio de soja na Amazônia.

PRESSA DO GOVERNO – A pressa para entregar o requerimento da CPI do Cartão antes da oposição levou o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), a cometer erros que o obrigarão a reapresentar o pedido. O clima no Congresso é de guerra.

TRANSPARÊNCIA – O Senado prometeu liberar apenas daqui a três semanas o acesso aos dados sobre os gastos mensais de R$ 15 mil de cada parlamentar com verba indenizatória. E de forma limitada.

CARTÕES EM SP – O PT de SP divulgou levantamento de gasto de R$ 108 milhões pelo governo José Serra com cartões de débito, sendo 44,5% em saques. O governo tucano diz que todos os gastos são previamente autorizados.

INVESTIGAÇÃO – O reitor da UnB, Timothy Mulholland, será investigado pelo gasto de R$ 470 mil na compra de móveis e utensílios de luxo, inclusive lixeiras de R$ 990, para o apartamento funcional em que mora. Em sua defesa, ele alegou que os bens são patrimônio da universidade.

EX-TELEMAR NUMA BOA – A Oi avisou ao mercado que vai “comprar” a BrT, portanto não haverá fusão. No mesmo comunicado, a ex-Telemar informou que o negócio ficará entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5,2 bilhões. Ainda resta mudar a lei.

CARNE FRACA – A suspensão das importações de carne brasileira pela União Européia já repercute junto a outros compradores, como Rússia, Egito e Chile, que pediram informações sobre o sistema de rastreamento de bovinas no país.

DIREITOS HUMANOS

Menina presa com 110 homens

Garota de 14 anos é detida em cadeia com 110 homens e foi flagrada pelo Correio Braziliense. O fato ocorre na cadeia pública de Planaltina de Goiás, a apenas 50 km da Praça dos Três Poderes. Há menos de quatro meses, a notícia de que uma menor passou um mês sendo violentada por 20 homens na cela de uma delegacia no Pará estarreceu o país.

FEBRE AMARELA

Brasília corre grande risco

Não bastasse a ameaça da febre amarela, moradores do Distrito Federal enfrentam também o risco de propagação da dengue, doença que pode levar à morte e para a qual não há vacina. Espelhos d’água e piscinas abandonadas, como a do Clube Primavera, em Taguatinga, são locais propícios à reprodução do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da doença. E representam um perigo à saúde da população.

CARTÕES CORPORATIVOS (III)

1 – O governo avalia a possibilidade de trocar o cartão de crédito corporativo pelo pagamento de diárias, quando os ministros estiverem em viagem pelo País. Para cobrir os gastos dos ministros em Brasília, também planeja recriar a chamada verba de representação, extinta no governo Fernando Collor (1990-1992). “O ministro viaja, recebe uma diária e pronto”, afirmou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
2 – Surgimento de novos casos envolvendo o uso de cartões corporativos para retiradas de dinheiro vivo acirra disputa entre governo e oposição. A queda-de-braço é pela criação da CPI que vai investigar o caso. PSDB e DEM insistem na abertura de uma comissão de inquérito mista. O Planalto quer restringi-la ao Senado e ampliar o leque de apuração para incluir também gastos feitos durante o governo FHC.
3 – A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) gastou no ano passado R$ 11,58 milhões com cartões corporativos, dos quais R$ 10,55 milhões de verba secreta. Cerca de 50 arapongas movimentaram R$ 1 milhão. Dez deles sacaram quase R$ 500 mil, o mesmo que as agências Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Nacional de Telecomunicações (Anatel) juntas, e muito mais que o Comando da Marinha (R$ 65,7 mil) e o Ministério da Cultura (R$ 62 mil).
4 – O senador Adelmir Santana (DEM/DF) apresentou quatro projetos de lei ao Congresso para mudar as regras do setor de cartões de crédito. Seu objetivo é reduzir os custos dos comerciantes e os preços cobrados por produtos e serviços dos consumidores finais. Um dos projetos quer o compartilhamento das máquinas usadas pelos comerciantes.

CARTÕES CORPORATIVOS (II)

Compras na Feira do Paraguai

Autoridades e servidores públicos estão utilizando os cartões corporativos do governo federal para gastos que vão de uma compra em camelô no mercado conhecido como Feira do Paraguai, em Brasília, até o pagamento de diárias no luxuoso Hotel Copacabana Palace, passando por compra de flores, cosméticos, remédios e até jóias. Há registro também de gastos em lojas de roupas, de colchões e de equipamentos para piscinas. A funcionária que comprou na Feira do Paraguai é da Presidência da República.

Em nota, a Casa Civil afirmou que “as despesas mencionadas são de pequeno vulto e se destinam a atender às necessidades diárias das diretorias da Secretaria de Administração”. A funcionária diz ter adquirido baterias para celular e CDs. Na lista da Marinha, que gastou R$ 915 mil com cartão em 2007, há ainda vinho, chocolate e até bicho de pelúcia. O Banco Central anunciou abertura de auditoria interna nos gastos com cartões na instituição. (O Globo)

CARTÕES CORPORATIVOS

Casa Civil entra na dança

O Ministério Público do Distrito Federal abriu, há duas semanas, um inquérito para apurar suspeita de irregularidades no uso de cartões de crédito da secretaria de Administração da Casa Civil da Presidência. Incluem as despesas de hospedagem de comitiva precursora de uma viagem de Lula. Deu-se em 2 de maio de 2003. Nesse dia, Lula visitou os municípios paulistas de Ribeirão Preto e Sertãozinho. Inaugurou uma termelétrica e compareceu a uma feira agrícola.

Para organizar a viagem, o Planalto enviara um “escalão avançado” – agentes de segurança e equipe de apoio técnico. Hospedaram-se em dois hotéis. Descobriu-se que, com cartão de crédito do Planalto, um funcionário pagou R$ 3.030 por 22 diárias de pessoas que não constavam da lista de integrantes da comitiva oficial. Pagou também R$ 1.475 em diárias que excederam ao período de permanência de alguns dos membros da comitiva. Constatou-se um indício de superfaturamento.

Em 2003, o cartão de crédito do Planalto deixou no hotel de Sertãozinho R$ 23.830. Checagem feita em 2006 constatou que o mesmo hotel cobrava preços bem menores: a mesma comitiva custaria R$ 10.208, uma diferença de R$ 13.622 em relação ao valor pago quatro anos antes. Somando-se a estadia de pessoas estranhas à comitiva, as diárias excedentes e o valor que extrapolou os preços de mercado, chega-se a um gasto supostamente irregular de R$ 18.127.

MANCHETES do dia_8.fev.08

JORNAL DO BRASIL – Menos mortes, mais acidentes

FOLHA DE SÃO PAULO – FOLHA DE SÃO PAULO – SP gasta R$ 108 milhões com cartões

CORREIO BRAZILIENSE – Festival de saques na Abin, HUB e Funai

ESTADO DE MINAS – Lei seca com mais rigor

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Material escolar em falta nas livrarias

ZERO HORA – CPI do Detran pedirá à Justiça acesso a escutas de acusados

O ESTADO DE SÃO PAULO – Governo quer volta de diárias para ministros

O GLOBO – Cartão corporativo paga de camelô a Copacabana Palace

TRIBUNA DO NORTE – IBGE/RN gasta R$ 500 mil com cartões corporativos

A TARDE – Senadores vão divulgar gastos

GAZETA MERCANTIL – Cesp faz Serra e Aécio entrarem em choque

VALOR ECONÔMICO – BNDES exigirá garantia inédita no crédito à Oi

DIÁRIO DE NATAL – Soldado foi negligente, diz comandante da PM

TRIBUNA DA IMPRENSA – Anac anuncia medidas duras e imediatas contra atrasos