Arquivo do mês: janeiro 2008

GONZAGUINHA

Canta “Sangrando”.

No site http://www.gonzaguinha.com.br/

Com atraso de um dia, lembramos aqui os 20 anos de morte do Cartunista Henfil, feitos ontem, dia 4 de janeiro. Abaixo transcrevo uma carta de Henfil para sua mãe escrita em Natal, onde viveu por quase cinco anos.

Henfil Morde (e Não Assopra)

Subversão total, e não prevista nem no AI-5: morder.

Natal, 12 de outubro de 1977 (do livro Cartas da Mãe)

Dona Conceição,tá difícil seguir aquele seu conselho: mais vale um biscoito de farinha para desarmar os espíritos…Tem horas que estupora. A gente vai se irritando diante das cosias e diante de certas gentes, que esquece a receita do biscoito. Eu tenho que desabafar em cima deles, mãe. Senão fico doente. O que pensei foi o seguinte: já que eu não posso falar o que penso, já que não posso escrever o que acho realmente de tudo e de todos, o que me resta para demonstrar minha ira? Morder.Tem algo menos subversivo, menos contestador e menos passível de ser relacionado com qualquer plano exótico e alienígena do que morder? Tem? Acho morder a coisa mais Brasil, mais nacionalista que tem. É um ato individual, sem ligações com grupos e que jamais poderá ser acusado de revanchismo, saudosismo. Melhor ainda: não está previsto no 477 nem no AI-5. Morder.

O único caminho legal que nos resta. O que fazer com o governador biônico do Espírito Santo que quer expulsar o professor Ruschi de sua reserva ecológica onde estuda plantas e beija-flores, para no lugar plantar palmito? Morder! Aquele que estiver mais próximo do governador, tenha a bondade: dê-lhe uma mordida! E, que nem as tartarugas quando mordem: só soltem quando relampear! E o Marcos Tamoyo? Aquele prefeito eleito diretamente pelas incorporadoras para facilitar o maior boom imobiliário do Rio? Que vai morar num apartamento de 20 bi, onde o condomínio é de 20 milhões mensais e onde mora o seu vizinho (e sócio) Sérgio Dourado?

MORDAM ELE! Você, funcionário da prefeitura, faxineiro, copeiro, fiscal, um de vocês aí: mordam o prefeito Tamoyo! Onde pegar! Onde pegar! Quando alguém vier perguntar a você, que não pode votar, qual o seu candidato a presidente: MORDA O DEBOCHADO! E atenção: prestem atenção no dom Sherer, que vive oferecendo seus colegas bispos e padres em holocausto. Quando ele levantar o dedo: mordam! MORDAM O DEDO DELE! Ai que desespero, meu Deus!

A bênção de seu filho,Henfil.

P.S.: Mino! Se você não publicar, eu te mordo!

Guerra à hipocrisia

Aderindo à costumeira onda de bons propósitos lançados nos inícios de ano, aqui proponho uma verdadeira guerra contra a avalancha de hipocrisia que se tem despejado e apossado do território nacional, “como nunca antes neste país”. Trata-se da inversão de fatos e coisas, para que fiquem “como se fossem”, mais palatáveis e politicamente corretos. Mencionarei apenas algumas hipocrisias das muitas que invadem nosso cotidiano, especialmente vindas do espaço público-político – mas não só dele.

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Fonte: Estadão/Mauro Chaves

OBAMA SALTA NA FRENTE

Barak Obama? Que nome é esse? Parece Osama Bin Laden. Não foram poucas as vezes que o senador Barak Obama ouviu isto nas ruas, quando começou sua campanha. Mas também não foram poucas vezes que ouviu esta frase: a só tem gente estranha, por que se meter nisto?As estórias das eleições e dos anseios de Barak Obama estão contadas no livro Audácia da Esperança, lançado no Brasil pela editora Larousse.Vale a pena conhecer esta nova figura da norte-americana que começa, com sua vitória nas prévias, a ter também projeção internacional.

Ele transmite decência em seus relatos, mostra como toma suas posições, como se relaciona com os eleitores, como vê o futuro dos EUA.Quando digo novo na política, não quero dizer necessariamente marciano. Ele tem uma grande equipe de assessores, procura tomar posições que garantam uma aceitação majoritária e tem a vantagem de não romantizar as revoltas do passado, como as de 1968.

Barak era menino naquela época e hoje tem condições de propor pontes entre conservadores e contracultura, buscando um denominador comum para fazer o país avançar.Com a vitória parcial de Barak e sua aceitação pelos jovens, parece que todo um período da americana entre em declínio e começa uma nova e interessante fase.

Ver A Audácia da Esperança, Larousse, 399p

Fonte: http://www.gabeira.com.br

OSVALDO GOELDI

AMIGOS

Cerca de 1935. Coleção Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

Estão imortalizados neste desenho Artur da Silva e um de seus cachorros. Ambos existiram. Goeldi conhecera Artur no Leblon, bairro carioca e conquistara total confiança e amizade. A paixão lhe rendeu uma série cujo título é “Bêbado e o Cachorro”.

“A ternura de Oswaldo pelos humildes era imensa, e, com relação a esse coitado, particularizou-se, desde que presenciou a paixão com que investira em um dos seus cães. Ternura que o artista tornou contagiante, derramando-a com veemência pelos desenhos em que imortalizou essa miserável existência”.

José Maria dos Reis Jr. Goeldi. Ed. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro,1966. p.28

Fonte: www.centrovirtualgoeldi.com

PACOTE

Governo faz remendo na cobrança de IOF no câmbio

O governo está tentando corrigir seus erros. É sempre assim com pacote mal feito. Ele deveria ter feito as contas, analisado a conseqüência de cada vírgula do decreto, antes de anunciar. Foi precipitado e agora terá que ir corrigindo diante dos problemas que surgirem.
O mercado de câmbio é sensível, movimenta bilhões, e exige regras claras e simples. Foi por isso que a nova taxação provocou a paralisia dos negócios.

Para se ter uma idéia, o mercado interbancário de câmbio, que movimenta de R$ 3 bilhões a R$ 4 bi diariamente, movimentou hoje apenas US$ 180 milhões. Luis Otavio Leal, do ABC Brasil tomou um susto com a decisão. Segundo ele, essa incidência do IOF reduziria drasticamente o ganho de pequenas empresas importadoras e exportadoras.

Há outros problemas que poderão criar dificuldades mais tarde. O pior caminho é este: o de ir corrigindo diante das confusões que forem surgindo. Um outro exemplo de como a medida foi feita sem exatamente saber seu impacto: a arrecadação do IOF apenas nestas operação chegaria a cerca de R$ 10 bilhões, ou seja, o total que o governo pretende arrecadar com as mudanças. Um sinal de que ou não se fizeram as contas ou elas foram mal feitas.

O pacote não foi o que se disse que seria: neutro. Escolheu uma vítima para pagar um preço maior que os outros: o tomador de crédito pessoa física, que chegará a ter até mais de 1% de taxa de juros nos seus empréstimos de um ano.

O IOF nas compras internacionais do cartão de crédito não mudou apesar de o governo ter dito que aumentaria. A explicação é do especialista Everardo Maciel.
– A alíquota já era de 2%. O FMI estabelece punições para países que taxa em mais de 2% as operações de câmbio.

Fonte: Míriam Leitão

Dia de leitura

Recomendo vivamente a leitura atenta da revista Piauí, que está nas bancas. As afirmações ali contidas vão render muita dor de cabeça para muita gente. Embora os jornais de hoje já estejam repercutindo a notícia, é sempre bom ter acesso ao texto completo.

Ao texto, ao subtexto, ao contexto e ao pretexto. O que foi dito, o que foi insinuado, em que circunstâncias foi dito e, sobretudo, por que foi dito.

Problema para os deuses dos estádios (1962×1970)

Copa dos Sonhos II

*Por UGO GIORGETTI

O jogo entre a seleção de 62 e a de 70 seria difícil e um empate não seria improvável.
Eu, se tivesse que apostar, apostaria nele.
Os pontos fortes das duas equipes eram os ataques.
E no ataque, dois nomes de cada lado: de 62, Garrincha e Amarildo. De 70, Pelé e Tostão.
As meias canchas eram mais ou menos equivalentes. Zito, Didi e Zagalo, contra Clodoaldo, Gerson e Rivelino.

As defesas não eram grande coisa: a de 62, lenta e envelhecida, a de 70, mais jovem, mas tecnicamente bem mais fraca.
A pergunta é: como evitar que Pelé, Tostão (e Jairzinho) ficassem mano a mano contra os veteranos Mauro Ramos de Oliveira, Nilton Santos e o fraco Zózimo?
A questão do outro lado é: teriam Brito, Piazza e Everaldo alguma chance contra Garrincha, Amarildo (e Vavá)?

Tenho a impressão que Clodoaldo iria jogar junto de Everaldo para o primeiro combate contra Garrincha, o que obrigaria Rivelino a recuar muito para compor o meio de campo com Gerson e, consequentemente, enfraqueceria um pouco o ataque.
Em compensação, do outro lado, ninguém estava acostumado a marcar jogadores sem posição fixa, abrindo grandes possibilidades principalmente para Tostão e Jair nos contra ataques.
Aparentemente a seleção de 70 leva alguma vantagem pela juventude.

No banco, porém, a de 62 tinha um treinador que enxergava o jogo como poucos: Aimoré Moreira.
E finalmente um ponto importantíssimo.
A seleção de 62 tinha um grande goleiro, a de 70 não.
Suponhamos, porém, que Felix estivesse num de seus grandes dias (como contra a Inglaterra), daí tudo ficaria de novo equilibrado.

E o resultado ficaria por conta dos deuses do futebol, caprichosos e imprevisíveis.
Acho que ao ver tantos craques em campo os deuses não deixariam o acaso, o lance isolado, a falha inesperada, decidir o resultado.
Generosamente optariam pelo empate.

*Ugo Giorgetti é colunista de “O Estado de S.Paulo”, diretor de cinema de mão cheia. E poeta.

Fonte: Juca Kfouri

Fonte: charge do Sponholz

Punição e poesia em 2008″

(…) condenação para os políticos corruptos, aproveitadores e sanguessugas do dinheiro do povo”. Para que 2008 seja um ano melhor que 2007, o poeta Ferreira Gullar sugere punição para os corruptos e poesia para os brasileiros.

Leia o artigo de A. Zarfeg aqui.