PACOTE
Governo faz remendo na cobrança de IOF no câmbio
O governo está tentando corrigir seus erros. É sempre assim com pacote mal feito. Ele deveria ter feito as contas, analisado a conseqüência de cada vírgula do decreto, antes de anunciar. Foi precipitado e agora terá que ir corrigindo diante dos problemas que surgirem.
O mercado de câmbio é sensível, movimenta bilhões, e exige regras claras e simples. Foi por isso que a nova taxação provocou a paralisia dos negócios.
Para se ter uma idéia, o mercado interbancário de câmbio, que movimenta de R$ 3 bilhões a R$ 4 bi diariamente, movimentou hoje apenas US$ 180 milhões. Luis Otavio Leal, do ABC Brasil tomou um susto com a decisão. Segundo ele, essa incidência do IOF reduziria drasticamente o ganho de pequenas empresas importadoras e exportadoras.
Há outros problemas que poderão criar dificuldades mais tarde. O pior caminho é este: o de ir corrigindo diante das confusões que forem surgindo. Um outro exemplo de como a medida foi feita sem exatamente saber seu impacto: a arrecadação do IOF apenas nestas operação chegaria a cerca de R$ 10 bilhões, ou seja, o total que o governo pretende arrecadar com as mudanças. Um sinal de que ou não se fizeram as contas ou elas foram mal feitas.
O pacote não foi o que se disse que seria: neutro. Escolheu uma vítima para pagar um preço maior que os outros: o tomador de crédito pessoa física, que chegará a ter até mais de 1% de taxa de juros nos seus empréstimos de um ano.
O IOF nas compras internacionais do cartão de crédito não mudou apesar de o governo ter dito que aumentaria. A explicação é do especialista Everardo Maciel.
– A alíquota já era de 2%. O FMI estabelece punições para países que taxa em mais de 2% as operações de câmbio.
Fonte: Míriam Leitão
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