Arquivo do mês: janeiro 2008

PROUDHON PENSA…

 

NOTICIÁRIO

1 – A Agência Nacional de Aviação Civil vai pôr fiscais nas cabines dos pilotos para fiscalizar o trabalho das companhias. O objetivo é reduzir o número de atrasos de vôos. O Brasil tem 3 aeroportos entre os 4 onde houve mais atrasos em todo o mundo.
2 – Assustados com a crise nos EUA, os investidores estrangeiros saíram do Brasil neste início de ano e causaram um déficit de US$ 2,1 bilhões no fluxo de capitais. Ontem, a Bolsa caiu 1,89%.
3 – O número de telefones celulares no Brasil chegou perto de 121 milhões de aparelhos no ano passado, com um crescimento de 21,07% em relação a 2006. A maior proporção está em Brasília – 1,14 celular por habitante. Representante das operadoras de celular estima que o crescimento este ano será de 10% a 12%.
4 – Secretários estaduais de Energia discordam do tratamento dado pelo governo federal à ameaça de crise no setor e cobram ações para evitar um apagão. A secretária paulista, Dilma Pena, defende a adoção imediata de medidas de contingenciamento.
5 – O controvertido general da reserva Lino Oviedo, candidato à presidência do Paraguai, conta com o apoio explícito de empresários e políticos brasileiros para as eleições e já levou para o palanque um aliado tido como amigo próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
6 – Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) defendeu ontem a recriação da CPMF para financiar o setor. Os secretários estaduais começaram a discutir a proposta com o Palácio do Planalto. Mas o governo não se envolverá no debate, para facilitar o diálogo com a oposição.
7 – O Brasil perdeu duas posições e ficou no 101º lugar entre 157 países no ranking de liberdade econômica, elaborado pelo instituto conservador americano Heritage Foundation em parceria com o jornal “The Wall Street Journal”. Essa é a pior posição do país no levantamento desde 1998, quando ficou no 107º lugar.

Artigo publicado n’ O JORNAL DE HOJE (Natal/RN)

Utopia socialista como um sonho

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

No dia em que os marxistas se deram conta que a União Soviética era um estado policial e o movimento comunista internacional controlado por funcionários bajuladores e carreiristas despertaram para a realidade em que viviam, descobrindo que eram peças no tabuleiro da política internacional.

Olhando em volta viram que as lideranças eleitas pelo partido para representar o povo na sociedade civil haviam se burocratizado e seus nomes constavam das folhas de pagamento mantidas pela burocracia. Aí, desapontados com os rumos da sonhada revolução socialista largaram o Cominform à própria sorte e assistiram com um nó na garganta a queda do muro de Berlim, o esfacelamento da URSS e a máfia dos dirigentes de empresas estatais e os pelegos sindicais dominarem a Rússia.

Mas a utopia socialista continuou de alguma forma. Como nuvem, horizonte oceânico ou simplesmente sonho; não o sonho retórico dos oradores, mas o sonho banal do homem comum que deseja uma vida melhor para si e para os outros.

Quando este sonho – idéia força de concepção intelectual – entra por interesse próprio na política convencional, burguesa, se degenera. É este fenômeno sociológico que temos o privilégio de assistir nas atitudes do lulismo-petismo, máscara de um PT adulterado pela astúcia ambiciosa de Lula da Silva ( que hoje nada tem do trabalhador que representou um dia, tornando-se milionário com direito, pelo casamento, à cidadania italiana ).

Em termos de economia, não há exemplos mais claros do que ocorrem nesses dias vazios que vêm do Natal ao Carnaval. Aponte-se a compra da Telecom que Lula sempre desejou em agradecimento pela fortuna de Lulinha, e pelo lobby de Zé Dirceu. Esta transação é a essência do ativismo do PT-governo. Na outra tela, mais popular, vemos a traição mesquinha no caso da CPMF e do acordo feito para a aprovação da DRU. O Presidente e seus agentes perderam o crédito necessário e fundamental para qualquer negociação parlamentar.

E tudo se faz com clareza meridiana. Está nas gravações divulgadas pelas tevês e pela Internet, as repetidas declarações de Lula abjurando o aumento de impostos e posteriormente a sua assinatura nos aumentos percentuais da CSSL e da IOF. Se não bastasse um Presidente renegado, os atores da cena política que defendem o governo atuam com falava Fernando Pessoa, fingindo, caindo no ridículo, caricaturescos perante a opinião pública.

Semana passada o presidente da República se reuniu com as lideranças parlamentares da chamada base aliada para discutir cortes no Orçamento e logo após a reunião ouve-se sugestões para a CPMF ser recriada com uma alíquota menor como início da decantada reforma tributária. Não é necessária a argúcia de um gênio para ver-se que há um acerto, um projeto comum antidemocrático e antipopular

Como sempre o serviço sujo fica por conta dos sabujos, a maneira costumeira de blindar Lula da Silva. Ele tergiversa quando fala de impostos e trata da necessária contenção de gastos de forma genérica. Os parlamentares controlados pelo partido e o governo conchavam a partilha das emendas orçamentárias e os ministros vociferam ameaçando a interrupção de obras, suspensão dos serviços públicos e o propósito de interditar os reajustes e aumentos prometidos solenemente aos funcionários públicos civis e militares.

Hoje Sua Excelência embarca no Aerolula para mais uma viagem. Na agenda, visitas à Guatemala e a Cuba. Assim, para deixar as coisas como estão para ver como ficarão, abandona o palco sem uma definição pública que a sociedade aguarda conturbada, como os políticos de oposição radicalizando no Congresso, os servidores civis mobilizando-se para uma greve de proporções imprevisíveis e os militares demonstrando abertamente a insatisfação pela falta de palavra do Ministro da Defesa.

Antes do vôo, Lula sugeriu aos presidentes da Câmara e do Senado, Arlindo Chinaglia e Garibaldi Alves um acerto para traçarem a agenda de trabalho principalmente para levar a plenário as reformas tributária e política, a nova Lei de Imprensa e, com urgência urgentíssima por motivos óbvios, votarem a regulamentação do direito de greve dos servidores públicos.

É, como se vê, uma pauta defensiva do PT-governo. No caso, Chinaglia é um tarefeiro do PT-partido e, portanto, fará tudo o que seu mestre mandar; mas Garibaldi demonstra um caráter que rejeita subalternidade, esperando-se dele uma posição eqüidistante das querelas do lulismo-petismo, cumprindo os acordos com a oposição, que nele votou.

Se o Senado reagir à investida governamental, veremos se esfumaçar a arrogância dos ministros e o inevitável recuo do Governo, voltando a articular o as mesmas maquinações parlamentares que terminam com a aprovação do Orçamento de forma negociada, “democrática”, como Lula da Silva não gosta que seja…

ECONOMIA

1 – Depois das perdas do Citigroup, outro banco dos Estados Unidos, o JP Morgan, anunciou prejuízo de US$ 1,3 bilhão, o que provocou novas quedas nas bolsas de valores. O dia ruim no mercado financeiro global puniu especialmente os emergentes. Nos Estados Unidos, cuja economia está no epicentro das preocupações de analistas e investidores, as Bolsas tiveram baixas menos intensas ontem. A Bovespa encerrou seu pregão com desvalorização de 1,89%, após chegar a cair 3,05% no pior momento do dia. O dólar avançou 1,14%, a R$ 1,773.

2 – Nas duas primeiras semanas de janeiro, o Brasil teve déficit de US$ 2,18 bilhões no fluxo cambial, que registra o balanço da entrada e saída de moeda estrangeira. Investidores estão tirando dinheiro do País para cobrir perdas. O presidente Lula recomendou vigilância à equipe econômica e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, antecipou a volta das férias. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que a crise americana pode influenciar a economia brasileira. “Se os EUA tiverem um problema grave, isso não é bom para ninguém, vai afetar todo mundo, inclusive o Brasil.

3 – A queda dos preços dos principais ativos financeiros, como ações e títulos, pode ser o início de uma correção de mercado prenunciada há quase um ano pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Em depoimento ao Congresso, ele alertou em fevereiro para os riscos das apostas unilaterais. Nos meses seguintes, ouvia-se no BC que, com os sinais de crise nos EUA, o Brasil “não deveria se contaminar pelo clima de Alice no país das maravilhas”. Desde então, o BC passou a monitorar mais de perto o mercado bancário já projetando uma provável recessão americana.

FEBRE AMARELA

Casos superam os ocorridos em 2007

O Ministério da Saúde confirmou ontem mais 4 casos de febre amarela, com 2 mortes. Com isso, o número de casos de febre amarela no Brasil neste ano já subiu para dez. Outros 12 registros estão sob investigação e sete foram descartados após análises. A estatística deste ano, passados apenas 16 dias, já supera a de todo o ano passado. Em 2007, foram registradas cinco mortes provocadas pela doença, entre seis casos. Desde 2003 não havia nem tantos casos nem tantas mortes por febre amarela no país. Naquele ano, o país registrou 64 casos e 23 mortes. Brasília teve mais duas mortes com suspeita, a do funcionário público Antônio Rates dos Santos, internado desde o dia 8, e de um agricultor de Goiás, cujo nome não foi revelado. Até agora, sete pessoas já morreram.

TRÁFEGO AÉREO

Piores aeroportos do mundo

Com menos de 27% de partidas no horário em 2007, o aeroporto Juscelino Kubitschek (Brasília) foi considerado aquele com mais vôos atrasados do mundo, segundo um levantamento da revista “Forbes”. Em terceiro e quarto lugares no ranking estão os aeroportos de Congonhas (São Paulo) e Cumbica (Guarulhos), dados que evidenciam o impacto da crise aérea do país. Baseando-se no serviço FlightStats, que fornece pela internet dados em tempo real sobre pousos e decolagens, a revista calculou os índices de pontualidade de aeroportos internacionais com capacidade para atender mais de 10 milhões de passageiros.

ENERGIA

Ministério na boca do Lobo

O senador Edison Lobão (PMDB-MA) foi confirmado ontem como o novo ministro de Minas e Energia num dia marcado por constrangimentos. O presidente Lula chegou a adiar a audiência com Lobão, mas acabou recebendo-o no Planalto, após pressão do PMDB. O próprio Lobão anunciou sua indicação. A posse será segunda-feira. Ele assume o cargo fragilizado devido a denúncias contra seu filho e suplente – acusado de usar um laranja à frente de uma empresa para fugir de dívidas fiscais -, que deverá assumir o mandato. A fragilidade de Lobão, porém, agrada ao Planalto, em especial à ministra Dilma Rousseff, que não perde a força, pois serão mantidos pelo menos 3 de 4 técnicos de sua confiança em postos executivos.

MANCHETES DO DIA_17.jan.08

FOLHA DE SÃO PAULO – Estrangeiros tiram US$ 1,9 bi da bolsa

GAZETA MERCANTIL – Comércio vai continuar em alta em 2008

CORREIO BRAZILIENSE – Febre amarela mata mais um brasiliense

VALOR ECONÔMICO – BNDES terá direito especial sobre ações de controle da Oi

O GLOBO – Lobão vira ministro apesar de denúncias e crise energética

ZERO HORA – Anac lança operação em empresas aéreas para evitar caos no Carnaval

TRIBUNA DA IMPRENSA – Aeroportos brasileiros são os piores do mundo

DIÁRIO DE NATAL – PT se divide e se fecha após críticas à Saúde

TRIBUNA DO NORTE – Sec. de Tributação e a Câmara estão sob ameaça de despejo

O ESTADO DE SÃO PAULO – Saída de estrangeiros faz bolsa perder 8% em 16 dias

ESTADO DE MINAS – País tem 3 dos 4 piores aeroportos do mundo

JORNAL DO COMMERCIO – Promotores denunciam kombeiros

JORNAL DO BRASIL – Só boicote ao IPTU faz Cesar se mexer

O ronron do gatinho

O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.

Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.

É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.

No passado se dizia
que esse ronron
tão doce era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.

Tudo bobagem, despeito,
calúnias
contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença – é carinho.

Ferreira Gullar, poeta

FRASE DA VEZ_3/16

“Não há qualquer necessidade de enfeites na casa que tem um gato.”

Wesley Bates, ator canadense