Arquivo do mês: janeiro 2008

Fonte: chargeonline.com.br/Ronaldo

GloboNews : Reveja o programa Espaço Aberto, especial sobre energia

Análise de Míriam Leitão:

No último programa Espaço Aberto, que foi ao ar pela GloboNews, entrevistei Marco Tavares, sócio-diretor da consultoria Gás Energy, e Paulo Mayon, diretor-presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia.

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Pânico nos mercados

Feriado nos EUA aumenta a volatilidade nas bolsas

A queda das bolsas é pura volatilidade: tanto que já esteve pior e está melhorando. Nada impede que piore de novo. O mercado opera com preocupação, sem saber qual é no final das contas o tamanho da crise nos Estados Unidos. O que aumenta o sobe e desce é não haver mercado aberto hoje nos Estados Unidos.

O economista Alexandre Azara, do Itau BBA, disse que certamente o recado que o mercado está mandando para o FED é que aumente a queda das taxas de juros na próxima reunião, para 0,75% ou até para 1%.
– O problema financeiro é pior do que se imaginava, o estrago nos balanços dos bancos é maior. Quanto mais piora a crise, mais market down (desvalorização dos ativos) os bancos têm que fazer e isso se realimenta. Neste momento um choque de juros americanos pode interromper o processo e melhorar o humor – diz Alexandre.

Mas Ázara diz que olha com cautela toda essa piora de hoje, porque o mercado americano não está operando e isso pode retornar.

FRASE DA VEZ_1/21

“Para ter sucesso neste mundo não basta ser estúpido, é preciso também ter boas maneiras”.


Voltaire, filósofo francês

GENIPABU – RN

 

Artigo publicado n’ O JORNAL DE HOJE

Utopia socialista como um sonho

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

No dia em que os marxistas se deram conta que a União Soviética era um estado policial e o movimento comunista internacional controlado por funcionários bajuladores e carreiristas, despertaram para a realidade em que viviam, descobrindo que eram peças no tabuleiro da política internacional.

Olhando em volta viram que as lideranças eleitas pelo partido para representar o povo na sociedade civil haviam se burocratizado e seus nomes constavam das folhas de pagamento mantidas péla burocracia. Aí, desapontados com os rumos da sonhada revolução socialista largaram o Cominform à própria sorte e assistiram com um nó na garganta a queda do muro de Berlim, o esfacelamento da URSS e a máfia dos dirigentes de empresas estatais e os pelegos sindicais dominarem a Rússia.

Mas a utopia socialista continuou de alguma forma. Como nuvem, horizonte oceânico ou simplesmente sonho; não o sonho retórico dos oradores, mas o sonho banal do homem comum que deseja uma vida melhor para si e para os outros.

Quando este sonho – idéia força de concepção intelectual – entra por interesse próprio na política convencional, burguesa, se degenera. É este fenômeno sociológico que temos o privilégio de assistir nas atitudes do lulismo-petismo, máscara de um PT adulterado pela astúcia ambiciosa de Lula da Silva ( que hoje nada tem do trabalhador que representou um dia, tornando-se milionário com direito à cidadania italiana pelo casamento).

Em termos de economia, não há exemplos mais claros do que ocorrem nesses dias vazios que vêm do Natal ao Carnaval. Aponte-se a compra da Telecom que Lula sempre desejou em agradecimento pela fortuna de Lulinha, e pelo lobby de Zé Dirceu. Esta transação é a essência do ativismo do PT-governo. Na outra tela, mais popular, vemos a traição mesquinha no caso da CPMF e do acordo feito para a aprovação da DRU. O Presidente e seus agentes perderam o crédito necessário e fundamental para qualquer negociação parlamentar.

E tudo se faz com clareza meridiana. Está nas gravações divulgadas pelas tevês e pela Internet, as repetidas declarações de Lula abjurando o aumento de impostos e posteriormente a sua assinatura nos aumentos percentuais da CSSL e da IOF. Se não bastasse um Presidente renegado, os atores da cena política que defendem o governo atuam com falava Fernando Pessoa, fingindo, caindo no ridículo, caricaturescos perante a opinião pública.

Semana passada o presidente da República se reuniu com as lideranças parlamentares da chamada base aliada para discutir cortes no Orçamento e logo após a reunião ouve-se sugestões para a CPMF ser recriada com uma alíquota menor como início da decantada reforma tributária. Não é necessária a argúcia de um gênio para ver-se que há um acerto, um projeto comum antidemocrático e antipopular

Como sempre o serviço sujo fica por conta dos sabujos, a maneira costumeira de blindar Lula da Silva. Ele tergiversa quando fala de impostos e trata da necessária contenção de gastos de forma genérica. Os parlamentares controlados pelo partido e o governo conchavam a partilha das emendas orçamentárias e os ministros vociferam ameaçando a interrupção de obras, suspensão dos serviços públicos e o propósito de interditar os reajustes e aumentos prometidos solenemente aos funcionários públicos civis e militares.

Sua Excelência embarcou no Aerolula para mais uma viagem. Na agenda, visitas à Guatemala e a Cuba. Assim, deixou as coisas como estavam para ver em que dava, abandonando a cena sem a definição pública que a sociedade aguardava, com os políticos de oposição radicalizando no recesso do Congresso, os servidores civis mobilizando-se para uma greve de proporções imprevisíveis e os militares demonstrando abertamente a insatisfação pela falta de palavra do Ministro da Defesa.

Antes do vôo, Lula sugeriu aos presidentes da Câmara e do Senado, Arlindo Chinaglia e Garibaldi Alves um acerto para traçarem a agenda de trabalho principalmente para levar a plenário as reformas tributária e política, a nova Lei de Imprensa e, com urgência urgentíssima por motivos óbvios, votarem a regulamentação do direito de greve dos servidores públicos.

É, como se vê, uma pauta defensiva do PT-governo. No caso, Chinaglia é um tarefeiro do PT-partido e, portanto, fará tudo o que seu mestre mandar; mas Garibaldi demonstra um caráter que rejeita subalternidade, esperando-se dele uma posição eqüidistante das querelas do lulismo-petismo, cumprindo os acordos com a oposição, que nele votou.

Se o Senado reagir à investida governamental, veremos se esfumaçar a arrogância dos ministros e o inevitável recuo do Governo, voltando a articular o as mesmas maquinações parlamentares que terminam com a aprovação do Orçamento de forma negociada, “democrática”, como Lula da Silva não gosta que seja…

NOTICIÁRIO

1 – O governo federal tem tido dificuldade para acompanhar o crescimento do comércio exterior. Não por falta de recursos, mas por incapacidade de bem aplicar o dinheiro disponível.
2 – Grupo apoiado por sociólogos e educadores ataca projeto gaúcho que pretende investigar base biológica da violência. Cientistas querem analisar adolescentes infratores com mapeamento cerebral; notícia motivou abaixo-assinado contra pesquisa.
3 – Senador licenciado, ex-prefeito de Manaus e nome forte para concorrer ao governo do Amazonas em 2010, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), incluiu entre os projetos de sua pasta para este ano a construção de novos 49 portos fluviais em seu Estado, quase um para cada município.
4 – Um pequeno exército de advogados e assessores técnicos dos paridos de oposição vasculham, todos os dias, o Diário Oficial da União. Eles são encarregados de encontrar brechas para impugnar, no Judiciário, projetos de lei e medidas provisórias editadas pelo governo federal.
5 – Estudo da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos indica que bastaria cobrar R$ 3 a mais de cada segurado para incluir os principais tipos de transplante nos planos de saúde. Hoje, só os de rim e córnea são cobertos.
6 – O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, criado no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, passa por um período de ostracismo e questionamento de suas funções, mas quer mais verba para este ano: R$ 2,6 milhões em sua proposta orçamentária, ou 73% a mais do que em 2007.
7 – Com a posse, hoje, do senador Edison Lobão (MA) no cargo de ministro de Minas e Energia, o PMDB passa a controlar cinco das mais importantes pastas do governo.
8 – Investigada pela Receita por sonegação, a Bemar Distribuidora, empresa que pertenceu a Edison Lobão Filho, está ligada a uma rede de sócios-laranjas e procurações falsas. Lobão Filho é suplente no Senado de Edison Lobão (PMDB-MA), que assume hoje o Ministério de Minas e Energia.

APAGÃO ENERGÉTICO

Em meio ao fantasma de um novo apagão, o Brasil está desperdiçando praticamente R$ 10 bilhões por ano da energia gerada, segundo estimativas oficiais. Essa perda, de 10% do total, equivale ao consumo anual das residências das regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste ou, em outra comparação, ao que indústria e comércio consomem no Sul. Além da descontinuidade de programas educativos e hábitos errados, o preço elevado e a desinformação sobre eletrodomésticos mais eficientes são incentivos extras ao esbanjamento. No caso das geladeiras, que respondem por 22% do gasto residencial, um aparelho com selo A do Procel (o mais eficiente) é até R$ 1.300 mais caro. Especialistas calculam que, se o governo investisse R$ 1 bilhão em programas de racionalização de energia, o país economizaria R$ 20 bilhões em investimentos em hidrelétricas. A verba do Procel é de R$ 120 milhões.

FEBRE AMARELA

1 – Ao menos quatro dos oito mortos por febre amarela no país passaram por hospitais com sintomas iniciais, como febre e mal-estar, e foram dispensados sem que a suspeita da doença fosse aventada, segundo familiares. As vítimas estiveram em regiões endêmicas e não tinham sido vacinadas.

2 – Estudos mostram que há um aumento na circulação do vírus da febre amarela entre os macacos de sete em sete anos, a exemplo do que ocorreu em 1999. Medidas preventivas nos meses anteriores a esse fenômeno, chamado epizootia, reduziriam as chances de contaminação humana.

CRISE ECONÔMICA

1 – A crise hipotecária dos EUA derrubou as ações das 23 companhias do setor negociadas na Bovespa. Neste mês caíram 19,56% na média, enquanto a Ibovespa perdeu 10%. Mas a crise não deve contaminar a forte expansão do setor aqui, porque o mercado secundário de crédito imobiliário (subprime) é apenas embrionário. Além disso, as taxas dos financiamentos de imóveis são compatíveis com a realidade brasileira, dizem os especialistas.

2 – Começa amanhã a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e a expectativa unânime é de que a taxa básica de juros seja mantida em 11,25%. Os analistas avaliam que a crise dos EUA e suas conseqüências na economia mundial eliminaram o espaço para a retomada da queda dos juros no Brasil. É provável que o Banco Central eleve os juros ao longo de 2008 para impedir que a turbulência externa pressione a inflação aqui.

3 – Desde que a crise americana estourou, o real foi uma das moedas que menos se desvalorizaram. Até sexta-feira, a queda em relação ao dólar era de 0,56%, fechando em R$ 1,785. Para especialistas, é um sinal de confiança do investidor estrangeiro.