Arquivo do mês: agosto 2007

Comentário (IV)

Elogio da ignorância

“Lula se repete de gafes em gafes, de erros em erros, e vai cada dia mais se distanciando dos setores escolarizados, herdando o curral eleitoral do Norte e do Nordeste, que foi do antigo PFL. Para manter os intelectuais ao seu lado, precisa colocá-los em cargos de confiança. Mas não há tanto espaço assim no Conselho Nacional de Educação e similares.O último exemplo de má retórica do presidente foi para a TV dia 16 deste mês.

Lula fez duas comparações sem pés nem cabeça: Disse que os que o vaiavam eram muito jovens, como se isso fosse um defeito (era uma virtude, para o PT, ter jovens, lembram?), e que não tinham “consciência política”, dado que apareciam ali fantasiados de palhaço, quando “palhaço é uma figura alegre, suave” (e não figura de protesto); disse que os que criticam a bolsa minguada para os pobres não criticam a bolsa (que seria gorda) para um pesquisador ir para os Estados Unidos”.

Paulo Ghiraldelli Jr., professor e articulista do Estadão

FRASE DA VEZ_5/29

“Todo mundo pensa que meu livro tem dois capítulos: escândalo do Renan e historinha de amor que não deu certo. Nada disso. Vou contar coisas de Brasília que nunca foram publicadas.”

Mônica Veloso, jornalista

Informação

Manobras para salvar Renan

Os partidos de oposição vão pressionar o Conselho de Ética para que o voto no colegiado seja aberto na sessão que analisará a situação do presidente do Senado, Renan Calheiros as organizações avaliam que a sessão secreta poderia funcionar como uma estratégia favorável à absolvição de Renan, acusado de ter contas pessoais – como a pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento – pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior. Renan também responde a outros dois processos no conselho: o de supostamente ter beneficiado a cervejaria Schincariol junto ao INSS e à Receita e a de ter usado laranjas na compra de duas rádios e um jornal em Alagoas.

Comentário (III)

A entrevista de Lula no Estadão

“Admirável trabalho a entrevista com o Presidente! Solicito, no entanto, esclarecimentos dos seguintes tópicos.

1) Democracia – então Lula reconhece que a “grande mudança” foi a consolidação da democracia nos oito anos de FHC e que a base da política econômica foi fruto da equipe existente no Ministério da Fazenda e mantida por Palocci durante e após o período de transição?

2) Aliados – então Lula reconhece que antes da Carta ao Povo Brasileiro havia o tema da ruptura (mudar tudo o que está aí), pregada pelo PT, e foi por ele rejeitado?

3) Mensalão – então Lula sabe “quem errou” e que o processo penal no STF vai causar impacto a ele (aquele que montou o esquema que arrecadou os milhões das prefeituras do PT), o chefe da quadrilha? E o que Lula acha “abominável”: o fato de o Professor Luizinho ter pego “somente” R$ 20 mil para si (e para sua campanha frustrada) ou por ele, por essa miséria, estar no bolo com os outros?

4) Bolsa-Família – se 8 milhões já deixaram a pobreza (mas continuam recebendo?) e 45,8 milhões ainda recebem o benefício, significa que existiam 53,8 milhões na pobreza? Não seria esse um índice de país subdesenvolvido? Há provas (com números reais) de que as pessoas se estão retirando do Bolsa-Família?

5) Crise aérea – a Anac foi implantada em 2006 e aparelhada pelo governo. A Infraero foi presidida de 2003 a 2006 por Carlos Wilson, amigo do Lula e agora deputado federal pelo PT-PE. Sem comentários…

ConclusãoLula diz: “Eu sou adepto da alternância de poder” e admite que Henrique Meirelles foi seu grande achado na administração da economia. Temos esperança!”

Paulo Gorresen (gorresenpp@uol.com.br)

FRASE DA VEZ_4/29

“Ex-cúpula do PT acusada de corrupção ativa. Pergunta simples que não quer calar: a serviço de quem, na época?”

Geraldo Alaécio Galo (ggalo10@terra.com.br

Artigo publicado 2ª feira n’O JORNALDE HOJE

“Esquerda” lulista-petista abandona Marx

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail:
mirandasa@uol.com.br

Não acredito que a “esquerda da boquinha” tenha preocupação em conhecer o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels. Acho, também, que os demais seguidores do lulismo-petismo ditos “de esquerda” ignoram que o documento de 1888 foi a origem do movimento comunista internacional, de riquíssimas experiências positivas e negativas. Pela auto-suficiência desses pelegos que ascenderam ao poder com Lula da Silva, conclui-se que eles se satisfazem em julgar que o sindicalismo nasceu no ABC paulista e a luta política se resume ao jogo de poder onde os mais sabidos vencem.

Como não estudaram os clássicos do socialismo, pouco se lhes dá se as palavras-de-ordem baixadas pelos dirigentes do governo e do partido representam ou não uma verdade histórica. Para eles é mais cômodo acompanhar a manada tangida pelo Nosso Guia. Seja lá como for vou contribuir para os que escapam da lavagem estomacal – proporcionada pelos privilégios e vantagens que o poder oferece e da lavagem cerebral – feita pela propaganda massiva de um governo virtual.

Quem não quiser o “ouvir e obedecer” fascista aprenda que Marx e Engels principiam o Manifesto dizendo que “a história da sociedade existente até hoje tem sido a história das lutas de classe”. E deve saber (se possível bebendo na fonte) que a introdução do documento é uma lição de Materialismo Histórico, assentada na concepção de que “desde as épocas mais remotas da História, encontramos, em praticamente toda parte, uma complexa divisão da sociedade em classes diferentes, uma gradação múltipla das condições sociais”.

Engels, cientista social na acepção do termo e antropólogo por predileção, e Marx, historiador e economista, descrevem com detalhes as distinções de ordem econômica, social e jurídica da Roma Antiga até a sociedade burguesa – tal como se apresentava à sua época. Nunca, em nenhum trabalho da vasta produção literária dos dois, individual ou conjunta, aponta a divisão social entre “elites” e “pobres” como o antagonismo que sustenta o Estado e seus aparelhos distributivos ou repressores.

A divisão social entre “elite” e “massas” é de Vilfredo Pareto, um dos ícones da direita italiana. Foi por ele que a “esquerda lulista-petista” abandonou Marx. No seu primarismo intelectual, Lula da Silva reproduz a condenação da “elite” como origem de todos os males que afligem o Brasil. Seus sequazes não discutem; qualquer que sejam suas origens, socialistas cristãos, stalinistas e trotskistas, todos aceitam sem discutir a tese e levantam a bandeira da divisão social entre ricos e pobres, em vez de burguesia e proletariado, como é na realidade.

Aproveitando-se do analfabetismo político da pelegagem miúda e da natural acomodação dos que aparelham o governo, os intelectuais do lulismo-petismo (que se auto-intitulam “orgânicos”) baseados na doutrina de Pareto criaram a “conspiração das elites contra o trabalhador que se elegeu presidente da República”. Não definem o que para eles é a “elite” e escondem que Lula da Silva não trabalha há mais de 40 anos e, com menos de dez anos nas oficinas metalúrgicas, não adquiriu uma ideologia proletária.

Anteriormente tive a oportunidade de escrever que, apesar de desonesta, esta campanha contra-informativa é inteligentíssima. De um lado, amarra o restante da antiga militância de inteligência curta que aceita a posição certa ou errada do partido; e, do outro, oculta a elite emergente do lulismo-petismo que renegou o socialismo e só atua para ascender social e politicamente ou enriquecer rapidamente.

Esta nova elite não vê conceitos de classe: mistura-se com pelegos, financistas, usineiros, espiões do antigo SNI, políticos profissionais, intelectuais desonestos, juristas acomodados e militares em desalento. Todos acomodados no PT-governo, cujo organograma está exposto, estudado e divulgado no processo do mensalão que corre no Supremo Tribunal Federal. Vejam os personagens que ali desfilam; confiram as performances na sua trajetória política, a aquisição de bens, o prestígio governamental e o uso disto em benefício próprio.

FRASE DA VEZ_3/29

“O STF tornou réus todos os 40 acusados pelo mensalão. Só ficou de fora o Ali Babá”.

Deborah Marques Zoppi (dmzoppi@uol.com.br)

Um giro pelo “mensalão”

1No último dia de apreciação da denúncia, o Supremo Tribunal considerou réus todos os 40 denunciados. O julgamento poderá ocorrer dentro de dois ou três anos. Ontem mesmo o STF determinou a citação imediata dos 40 réus. “Percebe-se que todo o Tribunal está preocupado em agilizar, dentro dos limites legais, o julgamento deste processo”, disse o procurador Antônio Fernando de Souza.

2Ao fim do mais longo julgamento da história do STF, os 40 denunciados no inquérito do mensalão passaram à condição de réus. Inclusive os 24 acusados de formação de quadrilha, entre eles os petistas José Dirceu e José Genoíno, e Delúbio Soares, expulso do partido.

3 O presidente Lula e o presidente do PT, Ricardo Berzoini, preferiram o silêncio e não comentaram a abertura de processo contra antigos integrantes das cúpulas do governo e do partido. O publicitário Duda Mendonça, acusado de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, foi chamado de mensaleiro e vaiado ao dar palestra para universitários em SP.

4 As empresas aéreas começaram a suspender pousos e decolagens no Santos Dumont em dias de chuva. A decisão é motivada por comunicado do Departamento de Controle do Espaço Aéreo sobre o coeficiente de atrito nas pistas.

5O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu divulgou ontem uma nota criticando o resultado: “A decisão do Supremo Tribunal Federal de aceitar parcialmente a denúncia contra mim formulada pelo procurador-geral da República é injusta, mas não me surpreende, diante das circunstâncias que cercaram esse julgamento”.

6 Nenhum acusado de mensalão escapou – Acabou, no STF, o julgamento que transformou em réus todos os 40 denunciados pela Procuradoria-Geral da República no caso do mensalão.

7 O governo vê até um lado positivo: se a denúncia do procurador Antonio Fernando de Souza tivesse sido recusada, é possível que se formasse um novo grupo hegemônico dentro do PT, o que tornaria mais difícil a articulação de Lula no sentido de manter o partido aberto a uma candidatura não petista.

8O PT não foi feliz na escolha da data de seu 3º Congresso: a semana em que o STF transforma em réus próceres do partido que protagonizou o maior escândalo da Nova República.

FRASE 2/29

“Todo o poder sem controle leva à loucura.”

Émile Chartier, ensaísta e filósofo francês (1868 -1951)

BOM DIA NATAL!

João de Barro