Arquivo do mês: agosto 2007

Comentário (VI)

“A Justiça do Brasil nos deu alguma esperança de que nem tudo está perdido. Esperamos que os envolvidos no mensalão sejam realmente punidos, inclusive o Ali Babá. Tomara que sejam condenados, pelo menos politicamente. Ainda bem que temos, juntamente com o Judiciário, o quarto poder, com uma imprensa independente e atuante”.

Gilberto Ruas (gilruas@uol.com.br)

Ao Debate (4):

Quem escreve os discursos

“Quando Francisco Weffort e, depois, José Dirceu tinham o controle do PT (e com isso não comparo um com o outro), a linha social-democrata do partido apresentava um bom discurso. Alguém mais à direita ou à esquerda podia não concordar, mas não diria que o discurso era ruim. Lula, atualmente, está praticamente sozinho. Perdeu seu partido, e o partido se perdeu. Quem escreve seus discursos ou sugere suas falas não acerta de modo algum. E quando o presidente fala de improviso, a linha populista fica acentuada, e já não tem o tom atrativo que conseguiu no passado. O populismo, talvez graças ao próprio PT, não é mais fonte retórica de sustentação política”.

Paulo Ghiraldelli Jr., articulista do Estadão

Comentário (V)

Aplauso e frustração

“Ao transformar em réus os 40 denunciados de participação no maior escândalo político do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Supremo Tribunal Federal fez mais do que recusar o papel de abrigo confortável da impunidade. Devolveu à sociedade, à qual não deu as costas, o direito de acreditar que, também no Brasil, as instituições que garantem a democracia funcionam. Resgatou a fé de que a Justiça está de pé e vigilante para que o direito prevaleça sobre os arranjos, por mais poderosos que sejam seus autores. Por isso mesmo, a Suprema Corte não pode correr o risco de ser envolvida por recursos protelatórios. Trata-se de vício amplamente admitido pela legislação brasileira e expediente capaz de arrastar os processos até a prescrição. É a forma menos corajosa de transformar o aplauso de hoje na frustração de amanhã”.

Editorial do Correio Braziliense

Ao Debate (3):

“Quando Dirceu declarou que não fazia nada sem autorização do Lula, este não contestou. Clara evidência de que ele era também da quadrilha. Agora o povo pergunta: o Lula não deveria também ser julgado como quadrilheiro, ou ele alega não conhecer o José Dirceu?”

Nelson Meirelles (nelsonmeirelles@terra.com.br)

FRASE DA VEZ_8/29

“Parodiando o Galvão Bueno nas transmissões de Fórmula 1, virar réu é uma coisa, quero ver é condenar”.

Ronaldo José Neves de Carvalho (rone@roneadm.com.br)

FRASE DA VEZ_

“Parodiando o Galvão Bueno nas transmissões de Fórmula 1, virar réu é uma coisa, quero ver é condenar”.

Ronaldo José Neves de Carvalho (rone@roneadm.com.br)

Ao Debate (2):

“Quem recebe produtos furtados ou roubados é receptador e, conseqüentemente, é criminoso também. O núcleo administrativo do PT formou a quadrilha para desviar dinheiro e comprar deputados, visando a aprovações de interesse do governo no Congresso Nacional e, também, a sua permanência por tempo indeterminado, como comprova o julgamento dos mensaleiros no STF. Nesse caso, o receptador, ou melhor, o beneficiário é isento de responsabilidade?”

Vicente Muniz Barreto (dabmunizbarreto@hotmail.com)

RESENHA DA IMPRENSA_29.ag.07

-=- Ex-ministro Delfim Netto lançou ontem dúvidas sobre a veracidade do documento oficial que descreve atos de tortura durante a ditadura militar (1964-1985). Ministro da Fazenda nos governos Costa e Silva e Médici, Delfim disse – à véspera da divulgação do livro – que “há sérias dúvidas se tudo é verdade”. Participante da reunião do Conselho de Segurança Nacional que levou à promulgação do AI 5, Delfim afirmou desconhecer o que ocorria nos “porões”. “Não havia ligação entre a área econômica e os ministros militares. Nunca houve”, alegou ele, criticando uma indústria de indenizações no país.

-=- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, decidiu confirmar presença na abertura do 3º Congresso Nacional do PT, na próxima sexta-feira, apesar da abertura de processo contra a antiga cúpula dirigente do partido. A decisão causou incômodo, sobretudo pela acusação de formação de quadrilha contra seus ex-ministros, mas a avaliação do Planalto é de que a decisão do STF terá mais reflexos no PT do que no governo.

-=- Sob as bênçãos do ministro da Defesa, Nelson Jobim, o presidente Lula confirmou ontem a indicação do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Carlos Alberto Direito, para ocupar a vaga de Sepúlveda Pertence como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele será sabatinado hoje pelo Senado.

-=- Após a publicação do acórdão com a aceitação das denúncias, o STF intimará os 40 acusados, que começarão a ser interrogados. Cada um deles pode chamar oito testemunhas, o que significará ouvir 360 pessoas. Carlos Velloso, ex-presidente do STF, alerta que essa corte foi criada para resolver questões constitucionais, não para funcionar como primeira instância. Assim, Velloso calcula que o processo se arrastará por pelo menos 5 anos, período em que alguns crimes prescreverão.

-=- Em depoimento sob o acordo de delação premiada, o operador de mercado financeiro Lúcio Bolonha Funaro fez uma série de denúncias contra a cúpula do PT e PR no caso do mensalão, segundo documentos obtidos pela Folha que compõem a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal. Funaro disse que ele e dois doleiros emprestaram R$ 3 milhões ao então presidente do PL Valdemar Costa Neto para cobrir despesas da campanha do partido em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao Ministério Público, afirmou que um empresário pediu que fosse feito o empréstimo a Valdemar “com o intuito de pagar fornecedores da campanha a presidente do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação PL-PT”, disse ele.

-=- A Polícia Federal desbaratou uma quadrilha de estelionatários que se especializou em dar golpes nas loterias da Caixa Econômica Federal. O grupo comprou uma lotérica na Tijuca, que funcionou normalmente por quatro dias apenas. A partir daí, segundo os policiais, foram feitas apostas de R$ 7.500 em jogos usando o dinheiro arrecadado dos clientes em dois concursos e não repassado. O golpe rendeu R$ 5 milhões ao banco. Seis dos sete integrantes foram presos.

-=- A consultoria jurídica do Congresso recomendou ao presidente do Conselho de Ética do Senado que o julgamento do parecer sobre o presidente da Casa, Renan Calheiros, seja por voto secreto. O autor do parecer teria pedido demissão por força de pressões do grupo pró-Renan.

-=- No Dia Nacional de Combate ao Fumo, a melhor notícia é para os que convivem com tabagistas. O Ministério da Saúde defende a proibição da instalação de fumódromos em ambientes coletivos.

FRASE DA VEZ_6/29

“Desde o início do processo ficou claro que Renan prima pela discrição em seus negócios”.

Jarbas Vasconcelos, senador

Informação (2)

Voto aberto no Conselho de Ética

“Às vésperas da votação da primeira representação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética, dois dos três relatores do processo disseram que vão trabalhar para que o voto no colegiado seja aberto. Os aliados de Renan iniciaram na semana passada manobras para tentar impor o voto fechado. A avaliação é de que isso reduziria a exposição dos senadores diante da opinião pública e facilitaria a absolvição. O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB), aliado de Renan, é um dos defensores da idéia. “Se no plenário do senado, que é soberano, o voto é fechado, não há razão para ser diferente no conselho”, argumentou. Os relatores do caso Renato Casagrande (PSB) e Marisa Serrano (PSDB) afirmaram ontem que não concordam com o argumento de Quintanilha. “Os relatores são senadores. Se nós temos de revelar o nosso voto por que os outros integrantes do conselho não têm?”, questionou Marisa. “O voto tem de ser aberto no conselho”.

Ana Paula Scinocca, jornalista (de Brasília)