Reedição do patrimonialismo colonial
“A vida política reduziu-se, nos últimos tempos, à administração das crises internas da base governista e ao importante, mas limitado, terreno das apurações de sempre em torno dos escândalos da véspera.As prioridades do Executivo agora se concentram no esforço de obter a prorrogação da CPMF no Congresso. A manutenção “ad aeternum” de uma alíquota provisória sobre a movimentação financeira se torna como que o símbolo de um modelo político em que nenhuma solução de longo prazo é discutida e aprovada, em que o temporário se torna crônico, em que os cuidados do varejo predominam sobre a visão de Estado e em que a velha “vontade política” se traduz, em toda parte, no desejo de ocupar mais postos de poder.
Trocam-se emendas por migalhas, negocia-se com esforço a manutenção da mesma coisa, órgãos públicos são entregues de “porteira fechada” a pecuaristas virtuais, para manter intocadas as fontes de recursos à disposição de uma estrutura parasitária e ineficiente.De republicana e democrática, a vida política brasileira parece assim transformar-se numa espécie de reedição do patrimonialismo colonial: distribuem-se capitanias aos favorecidos, organizam-se periódicas derramas tributárias, o país estagna, e a corte se diverte”.
(Agência Folha)
OPINIÃO: Outro dia escrevi um artigo em cima deste tema. Não há prática eleitoral mais parecida com os restos do coronelismo paternalista do que a distribuição de esmolas e sinecuras para conquistar votos. O pior é que isto que se reflete nas bases é o que se faz na cúpula do PT-governo; relações espúrias de compra e venda de consciências no carnaval sórdido e vicioso dos corruptos e corruptores fantasiados de mensaleiros e sanguessugas. É o reino dos pelegos amorais que entravam o desenvolvimento econômcio para manter os privilégios de classe dominante. MIRANDA SÁ
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