POESIA

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Elogio da Dialética

A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante.
Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.

No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar:
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!

O seguro não é seguro.
Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição?

Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!

Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o “hoje” nascerá do “jamais”.

Victor Hugo (1802-1885), Escritor francês. Poeta, prosador e principal mentor do romantismo em seu país. Na política, evoluiu para o liberalismo reformista e os ideais revolucionários.
A riqueza imagística e formal de sua lírica fez de Victor Hugo o maior poeta romântico francês, também principal mentor do romantismo em seu país e um de seus mais importantes prosadores.


Como político, evoluiu da postura conservadora e monarquista para o liberalismo reformista e os ideais revolucionários. Fundou e dirigiu uma revista, Conservateur Littéraire (1819-1821). Victor Hugo apoiou a revolução de julho de 1830 e a ascensão da monarquia constitucional de Luís Filipe.

Após a revolução de 1848, Hugo tornou-se republicano e passou a combater Napoleão III. O golpe de 1851 levou-o ao exílio, definido por ele como “uma espécie de longa insônia” que duraria quase vinte anos, 15 dos quais na ilha inglesa de Guernsey. Em prosa, são dessa época seus melhores romances, que constituem propostas de reforma social: Les Misérables (1862; Os miseráveis), Les Travailleurs de la mer (1866; Os trabalhadores do mar) e L’Homme qui rit (1869; O homem que ri).

Anistiado por Napoleão III em 1859, Hugo não quis deixar Guernsey e só retornou à França em 1870. Recebido em triunfo, elegeu-se deputado, cargo ao qual renunciou depois. Não aderiu à Comuna de Paris mas, em 1876, como senador, fez vigorosa defesa da anistia aos communards. Entre seus seguidores no Brasil, o mais célebre é Castro Alves. Morreu em Paris, em 22 de maio de 1885.



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