POESIA
PIOR VELHICE
Sou velha e triste.
Nunca o alvorecer
Dum riso são andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!
A Vida, que ao nascer, enfeita e touca
De alvas rosas a fronte da mulher,
Na minha fronte mística de louca
Martírios só poisou a emurchecer!
E dizem que sou nova…
A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!
Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembrança de ter sido nova… outrora…
Florbela Espanca
Poetisa portuguesa. Nasceu em Vila Viçosa, no Alto Alentejo, em 8 de dezembro de 1894. Seus versos de aparência parnasiana expressam um erotismo e uma liberdade pioneiros na poesia de seu país. Florbela Espanca se matou em Matosinhos, em seu 36º aniversário, 8 de dezembro de 1930.
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