Poesia

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Canto Grande

Não tenho mais canções de amor.
Joguei tudo pela janela.
Em companhia da linguagem
fiquei, e o mundo se elucida.

Do mar guardei a melhor onda
que é menos móvel que o amor.
E da vida, guardei a dor
de todos os que estão sofrendo.

Sou um homem que perdeu tudo
mas criou a realidade,
fogueira de imagens, depósito
de coisas que jamais explodem.

De tudo quero o essencial:
o aqueduto de uma cidade,
rodovia do litoral,
o refluxo de uma palavra.

Longe dos céus, mesmo dos próximos,
e perto dos confins da terra,
aqui estou. Minha canção
enfrenta o inverno, é de concreto.

Meu coração está batendo
sua canção de amor maior.
Bate por toda a humanidade,
em verdade não estou só.

Posso agora comunicar-me
e sei que o mundo é muito grande.
Pela mão, levam-me as palavras
a geografias absolutas.

Lêdo Ivo

O Poeta

Lêdo Ivo (Maceió, 18 de fevereiro de 1924) jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta. Publicou o seu primeiro livro, As Imaginações. Fez jornalismo e tradução. Da sua vasta obra, destacam-se títulos como Ninho de Cobras, A Noite Misteriosa, As Alianças, A Ética da Aventura ou Confissões de um Poeta.

Como poeta, foi distinguido com o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, o Prêmio Cláudio de Souza, do Pen Club do Brasil, o Prêmio Jabuti, o Prêmio de Poesia da Fundação do Distrito Federal e o Prêmio Casimiro de Abreu.

Em 1982, Lêdo Ivo foi distinguido com o Prêmio Mário de Andrade, conferido pela Academia Brasiliense de Letras ao seu conjunto de obra, O seu livro de ensaios “A Ética da Aventura”, mereceu, em 1983, o Prêmio Nacional de Ensaio do Instituto Nacional do Livro. Em 1986, Lêdo Ivo recebeu o Prêmio Homenagem à Cultura, da Nestlé, pela sua obra poética. Em 1990, foi eleito o Intelectual do Ano pela União Brasileira de Escritores (Troféu Juca Pato).

Ledo Ivo pertence à Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito por unanimidade, e é Comendador da ordem do Rio Branco e oficial da ordem do Mérito Militar.

Fonte: Jornal de Poesia

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