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AQUECIMENTO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                                “Eu tive um sonho que não era em tudo um sonho./  O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas vagueavam…” (Byron – “Trevas”)

Foi no Brasil, em 1992, por ocasião da Cúpula do Rio sobre o clima, que se impôs a ideia do “aquecimento global”. Na reunião, em que participaram chefes de Estado de vários países saíram os rascunhos de acordos internacionais para enfrentar a ameaça que, como teoria, não passava de uma hipótese.

A intensa propaganda levada a efeito pela mídia mundial em torno do aquecimento global fez muita gente crer em maus prenúncios para a humanidade. Embora não houvesse uma base científica para isto, definiu-se que se tratava de um processo climático surgido pela liberação de gases com “efeito de estufa”.

Assim foram divulgados alarmantes anúncios de aumento da temperatura média dos oceanos e da atmosfera da Terra, causado por massivas emissões de dióxido de carbono, o metano e os clorofluorcarbonetos, pela liberação da queima de combustíveis fósseis.

A radiação solar, uso da terra, resíduos e lixões, poluição, desflorestamentos e o desmatamento seriam as causas principais do desequilíbrio atmosférico; estes fatos alardeados levaram 196 países a participar do “Acordo de Paris” com o objetivo de limitar o hipotético aquecimento global a 2ºC.

Ser contra este fantástico cenário considerava-se uma insanidade mental, até que o dirigente máximo da maior potência do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada do seu País do Acordo de Paris.

Para líderes europeus, a redução do aquecimento global, era uma imposição inarredável, e o próprio Trump, segundo a imprensa norte-americana vacilou em cumprir esta promessa feita na campanha eleitoral que o elegeu: a doutrina America First.

Dirigindo à Nação, Trump disse: “Cumpri minhas promessas uma após a outra. A economia cresceu e isso está apenas começando. Vamos crescer e não vamos perder empregos. Pela gente deste país saímos do acordo. Estou disposto a renegociar outro favorável aos Estados Unidos, mas que seja justo para os trabalhadores, contribuintes e empresas”.

Apesar da massiva campanha feita contra Trump, ele foi apoiado por mudanças climáticas contrárias à ideia do aquecimento global. Um frio extremo cobre os EUA, o Canadá, a Europa e o Norte da Ásia. Chegou até a nevar em Jerusalém…

A História registra que o século 19 passou por uma pequena Era Glacial e o ano de 1816, em particular, ficou conhecido como o ano em que a Primavera não chegou e não teve Verão.

A expressão Era Glacial foi criada pelo cientista alemão Karl Schimper. Ainda no século 19 surgiram teorias sobre as intermitentes épocas de frio e a causa das eras glaciais que a Terra atravessou. Muitos artigos científicos falaram das mudanças cíclicas da órbita terrestre, de elíptica para circular; e no século 20 comprovou-se que o gelo cobrira antigamente todo o planeta.

O mundo científico aceita hoje a relação entre as eras glaciais e a oscilação planetária, sem dúvida mais determinante para o clima do que o chamado efeito estufa. Entretanto, como o sábio Alexander von Humboldt aponta dois estágios na descoberta científica: “primeiro, as pessoas negam a verdade; depois dizem que não é importante”. deixa-nos em dúvida.

Assim,  embora assistirmos hoje uma coisa mais parecida com as eras glaciais do que com as altas temperaturas, “todos nós conhecemos a força das ilusões visuais para levar a mente a perceber as coisas incorretamente” como constatou Bruce Hood  (“The self illusion”).

 

Mário de Andrade

Quando eu morrer quero ficar

 

Quando eu morrer quero ficar,

Não contem aos meus inimigos,

Sepultado em minha cidade,

Saudade.

 

Meus pés enterrem na rua Aurora,

No Paissandu deixem meu sexo,

Na Lopes Chaves a cabeça

Esqueçam.

 

No Pátio do Colégio afundem

O meu coração paulistano:

Um coração vivo e um defunto

Bem juntos.

 

Escondam no Correio o ouvido

Direito, o esquerdo nos Telégrafos,

Quero saber da vida alheia,

Sereia.

 

O nariz guardem nos rosais,

A língua no alto do Ipiranga

Para cantar a liberdade.

Saudade…

 

Os olhos lá no Jaraguá

Assistirão ao que há de vir,

O joelho na Universidade,

Saudade…

 

As mãos atirem por aí,

Que desvivam como viveram,

As tripas atirem pro Diabo,

Que o espírito será de Deus.

Adeus.

 

 

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Cony evitava ser “refém de Dilma e Lula” (O Antagonista)

Em setembro de 2016, Carlos Heitor Cony escreveu o seguinte sobre Lula na Folha:

 

“Não lhe adianta acusar as elites, o imperialismo e os golpes que alega estar sofrendo.

 

Na sua primeira investida rumo ao poder, era um líder respeitável e pobre. Levado pelo seu primeiro secretário de imprensa, o elegante Ricardo Kotscho, cheguei a comprar uma camisa do PT para ajudar a sua eleição. Apesar da minha modesta contribuição, ele não se elegeu (votei em Brizola) e deixou de vender camisas, inaugurando uma corrupção que não soube parar e que agora o atinge pessoalmente. A pobre e solitária camisa, que lhe comprei e nunca vesti, não pode concorrer com o mensalão, o petrolão e a Lava Jato.”

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PEDRAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                             “Sombra, chegou a tua vez./ Deverás prestar contas/ de tua vida entre os homens” (Bertolt Brecht – “O processo de Lucullus”)

Faz muito tempo em que li, não me lembro em que livro, ou revista, que o grande Darwin era rigoroso quando tratava de números; chegou até a escrever com exatidão, que encontrara 53,767 minhocas num “acre” de terra, equivalente a 4046.86 m²…

Não foi muito diferente de mim, que contei 46 seixos sobre o túmulo de um cemitério judeu. Como se sabe, é um antigo costume judaico pôr uma pedrinha sobre a sepultura de um parente ou amigo falecidos.

Essa tradição evoca uma maneira de reverenciar o morto, espécie de convite para que ele “se manifeste e repouse” enquanto durar a visita. O número de pedras mostra que o jazigo é sempre visitado.

Um poeta judeu escreveu que “Embora as pedras não ouçam nem consigam ver/ Todas suplicam tristemente para não as esquecer”; e uma piada contada entre eles diz que isto ocorre por serem tão avarentos, adotaram as pedrinhas para economizar o dinheiro gasto com flores…

Josef Breuer, médico e fisiologista austríaco, considerado o pai da psicanálise, comentou certa vez que visitando cemitérios deixava seixos nos túmulos em que não via nenhuma delas.

Pedras também são usadas como punição em sentenças de morte: A Lei de Moisés na Bíblia Hebraica, assim como a Bíblia Cristã, prevê a morte por apedrejamento em dezoito situações, entre elas blasfêmia, bruxaria, homossexualidade, rebeldia dos filhos contra os pais e vários tipos de relações sexuais, com virgem comprometida, enteada, mãe e madrasta.

As pedradas como castigo perduram até os dias de hoje; oficialmente em países mulçumanos> Além de servirem como agressão, a gíria brasileira registra o uso da pedra em diversas situações, como “uma pedra do sapato” falando de incômodo, ou referindo-se a uma coisa boa, “pedra noventa”.

Fala-se também de “pedra lascada”, aludindo a coisa por demais antiga e superada, como conhecemos no Brasil a rotina da corrupção entre os políticos, desde a colônia, mas transparecendo incrivelmente agora após ser institucionalizada nos governos da pelegagem lulopetista…

Com as pedras no xadrez da politicagem que assola em nosso País, joga-se o jogo da fraude, revoltando os patriotas. No momento, assistimos na corrida dos presidenciáveis na campanha pré-eleitoral, velhos atores se apresentando como “o novo”.

… E, muito pior do que a mascarada que estão armando para iludir, mais uma vez, o eleitorado, persiste a cegueira política de colocar Lula da Silva, réu condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre os peões desta enganação demagógica.

Os fanáticos cultuadores da personalidade do chefão da Orcrim – que orienta seus seguidores a defenderem a indefensável ditadura Maduro, da Venezuela –, organizam o confronto com a Justiça e os responsáveis pela segurança pública em Porto Alegre, no julgamento que o levará à perda dos direitos políticos e possivelmente à prisão.

O noticiário da mídia comprometida e dos jornalistas comprados, exalta essa mobilização do PT para levar seus grupos de assalto alcunhados de “movimentos sociais”, para acompanhar o julgamento da apelação da defesa do Corrupto, condenado pela Justiça Federal do Paraná.

O chamamento petista contém palavras-de-ordem para a reação contra o Tribunal de 2ª Instância; e o “exército de Stédile” – o MST terrorista – se manifesta forçando a barra para acampar defronte do órgão, mesmo após a proibição.

A insanidade de uma ideologia corrompida não vê o que a grande maioria do povo brasileiro quer: a punição exemplar para os agentes da corrupção. E Lula é uma pedra no caminho para a afirmação do Estado de Direito vigente.

 

Gilka Machado

Reflexão

 

Há certas almas

como as borboletas,

cuja fragilidade de asas

não resiste ao mais leve contato,

que deixam ficar pedaços

pelos dedos que as tocam.

Em seu vôo de ideal,

deslumbram olhos,

atraem as vistas:

perseguem-nas,

alcançam-nas,

detem-nas,

mas, quase sempre,

por saciedade

ou piedade,

libertam-nas outra vez.

Ela, porém, não voam como dantes,

ficam vazias de si mesmas,

cheias de desalento…

Almas e borboletas,

não fosse a tentação das cousas rasas;

– o amor de néctar,

– o néctar do amor,

e pairaríamos nos cimos

seduzindo do alto,

admirando de longe!…

 

(in Sublimação, 1928)

Ferreira Gullar

Dois e dois: quatro

Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena

Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena
como é azul o oceano
e a lagoa, serena

como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena

— sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena

SILÊNCIO

MIRANDA SÁ (E-mail: (mirandasa@uol.com.br)

“O homem é dono do que cala e escravo do que fala” (Freud)

Durante a XVII Conferência Ibero-Americana, realizada na cidade de Santiago do Chile, no final de 2007, o golpista Hugo Chávez, mal-educado, fez várias interrupções na fala do primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. Presente ao evento, o rei Juan Carlos de Espanha, cheio de moral, dirigiu-se a ele e disse: ¿Por qué no te callas?

O “Por que não te calas?” de sua majestade correu o mundo e desmoralizou a agitação costumeira dos narco-populistas bolivarianos nos encontros internacionais. Estou esperando que alguém neste País tenha autoridade para mandar calar Aécio, Dilma, FHC, Gilmar Mendes e Lula.

Aos falastrões, a História nos conta a primeira lição do grande Pitágoras aos que se candidatavam a ser seus discípulos. Impunha dois anos de silêncio antes de inscrever -lhes na academia. Mais tarde, os mosteiros da Idade Média estabeleciam o silêncio para ajudar na meditação, a contrição e a ascese.

Há os falastrões gráficos. Na Internet, desde o tempo do Orkut, sempre aparece os tais, e agora, com o aumento dos 180 toques para 280, estão proliferando no Twitter…

Irritam-me as mensagens cheias de ideias vazias, ilustrações que – tirando a estética e as cores – nada dizem, e o mal emprego da gramática. Não distingo se são robôs ou fanáticos defensores de personalidades políticas que ficam repetindo palavras-de-ordem impositivas e argumentos inconsumíveis.

A dispensa mental de certos indivíduos só contém a lataria vulgar para quebrar o galho nas suas refeições íntimas. Faltam ali propostas inteligentes, rareiam as charges com humor e são poucas as informações culturais úteis.

No mundo além da web sinto a privação, também, de modéstia. Os discursos demagógicos dos parlamentares brasileiros auto assumidos como “de esquerda” envergonhariam os socialistas europeus, particularmente os nórdicos. A senadora Gleise Hoffman, presidente do PT, quando abre a boca exala o mal hálito da hipocrisia, da infâmia e da mentira.

A minoria ruidosa do lulopetismo está impossibilitada de sair as ruas sem ouvir altercações e xingamentos. Por isso não se pode aconselhá-los a fazer como o califa Harum el Raschid no seu tempo, quando saia disfarçado, misturando-se com o povo, para ouvir o que os cidadãos de Bagdá falavam dele…

Aqui, Lula, o chefão, de cara limpa anda cercado de seguranças e mesmo nos seus comícios para grupos amestrados não escapa do “pega ladrão! ” Imagine-se como o povo trata seus comparsas de corrupção e traição nacional.

Os “politicamente corretos”, os “humanistas de araque”, os “antirracistas de picadeiro”, e os oportunistas em geral falam demais e importunam a gente e a Federação Mundial da Mediocridade recolhe no seu seio não somente os petistas de carteirinha.

Fazem silêncio ante as “ditaduras amigas”. Agora mesmo as arbitrariedades de Maduro na Venezuela, culminando com a prisão de um brasileiro que estava no país em missão humanista. Silêncio dos “movimentos populares” e, pior, dos “direitos humanos”.

Como ocorre no Foro de São Paulo – agência bolivariana de apoio ao narcopopulismo – a Federação Mundial da Mediocridade recebe os mascarados de vários partidos, dos pé-de-chinelo do MST aos efeagacês intelectuais da vida.

Lembram-me uma antiga anedota que corria nos meus tempos de estudante de Química envolvendo Einstein. Conta que o genial criador da relatividade, foi abordado, após a aula por uma estudantizinha histérica como as ativistas lulopetistas de hoje.

A moçoila perguntou ao mestre se ele poderia traçar a fórmula da felicidade em termos matemáticos. Einstein pegou o lápis e escreveu “a = y + x + z” e resumiu: – “O ‘a’ é felicidade; ‘x’ é trabalho e ‘y’ é a riqueza”. A aluna perguntou: – “E o ‘z’? ” – “O ‘z’ é o silêncio, respondeu o professor.

BALANÇA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                       “A justiça, cega para um dos dois lados, já não é justiça. Cumpre que enxergue por igual à direita e à esquerda” (Rui Barbosa)

Nos dicionários, o verbete “Balança” é substantivo feminino, definido como um instrumento que serve para comparar massas ou medir forças. Foi inventada no antigo Egito, por volta do ano 5.000 A.C. para pesar o ouro, que era usado como moeda de troca.

Era uma barra suspensa, com um prato pendendo em cada extremidade, uma com um peso de determinada medida e a outra com uma peça a ser aferida.

Hoje tem balanças de vários tipos, até eletrônicas, usando uma medida convencionada pelo Sistema Internacional de Medidas, na escala de gramas até toneladas.

Os egípcios representavam as balanças também em várias situações, sendo a mais reverenciada a do Livro dos Mortos, em que é contada a versão do “Julgamento Final”, e daí tornou-se referência ao equilíbrio e imparcialidade nos julgamentos.

Roma adotou a balança como símbolo do Direito, aparecendo também na iconografia da Justiça com outros dois elementos, os olhos vendados e a espada; a balança é o equilíbrio, a venda nos olhos a imparcialidade, e a espada, o poder de decisão.

A minha longeva memória leva-me aos sete ou oito anos, quando vi passando na rua um homem com uma bandeja na cabeça cercado por três soldados da polícia, e disseram que era levado para a cadeia por usar pesos fraudados na sua barraca da feira.

Acho que isto, como a moeda falsa, sempre ocorreu desde a antiguidade e era punida com trabalhos forçados para remunerar os queixosos. O desequilíbrio da balança da Justiça. Porém, era um crime abjeto e o juiz, seu autor, era condenado à pena de morte.

Na atualidade, os crimes praticados na Justiça, da venda de habeas corpus, até a desobediência à Constituição veem sendo vilmente tolerados, e assistimos o que o grande Platão já condenava na Grécia do seu tempo: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”.

No infeliz Brasil, nascido nos catorzes anos da República dos Pelegos que patrocinou a ausência da ordem econômica, jurídica e política, a balança da Justiça tem usado pesos falsificados. Juiz que vende sentenças, desembargador que solta traficante, ministro rasga a Constituição para favorecer quem o indicou.

Assistimos no TSE o tragicômico julgamento da Chapa Dilma-Temer, absolvida tragicamente por excesso de provas, e arrastando a comicidade de alguns ministros da Corte. Depois vieram no STF as libertações de presos por corrupção, cominando com a estranha (e suspeita) situação de Pizzolato.

Escrevi meses atrás (talvez anos) que os brasileiros, diante da arrogância, equívocos, e, porque não dizer, desonestidade nos círculos forenses não tínhamos sequer a “mãe do bispo” para nos queixar… Mantenho esta afirmação, sem desalento, pois acredito que a Nação Brasileira vai corrigir isto, pensando como Millôr: “A esperança é uma espera que não cansa”.

Sei que a História com a sua balança infalível, que “balança, mas não cai”, não perdoará o antipatriotíssimo reinante nas esferas jurídicas. Os que erraram, por bem ou por mal, deviam ouvir nosso epigrafado, Rui Barbosa; “Nada mais honroso do que mudar a justiça de sentença, quando lhe mudou a convicção”.

OS “12” MAIS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Gente é para brilhar,/ que tudo mais vá para o inferno,/ este é o meu slogan/ e o do sol” (Maiakóvski)

Imaginei fazer este ano a lista dos “dez mais” – com pessoas que se destacaram neste ano do Senhor de 2017… Trata-se de uma escolha pessoal, sem pretensão de impingi-la a ninguém. Muito menos aos milhares de amigos do Twitter.

Não invento nada; não criei, apenas redescobri uma antiga fórmula do jornalismo para avaliar pessoas e até coisas que se projetaram em certo período.

O mérito de fazer sobressair fatos, nomes e instituições vem de longe, do século passado, mais propriamente dos anos 1940. Seu nascimento se deve a um fotógrafo, Ibrahim Sued, que fazia freelance nos jornais “A Vanguarda”, “Diário Carioca” e “Tribuna da Imprensa”, do Rio de Janeiro.

Com a sorte – Madrinha dos fotógrafos – flagrou um momento em que o líder da UDN, Otávio Mangabeira fez um gesto dando a impressão de beijar a mão do general americano Dwight D. Einsenhower que visitava o Brasil. E criou uma celeuma política bombástica.

Daí em diante, a sua carreira na imprensa se firmou e mesmo semianalfabeto, com brilhante inteligência (herdade de seus ancestrais libaneses) Ibrahim Sued tornou-se o inovador do colunismo social, explorando aquilo a que se refere Arnaldo Niskier a “fogueira das vaidades”. Escreveu para vários jornais, revistas, e teve um programa na TV-Globo.

As listas dos “dez mais” de Sued alcançavam surpreendentes personagens que iam do presidente Dutra ao sambista Ataulfo Alves e eram esperadas por todos, de todas as classes sociais.

Pela fama adquirida, o colunista social impôs bordões ao coloquial brasileiro, como “café society”, “champanhota”, “de leve” e inspirado nos ditados árabes, “os cães ladram e a caravana passa” e “cavalo não desce escada”… Foi citado numa crônica de Manoel Bandeira, entrou na letra de um samba de Jorge Veiga e numa paródia de Juca Chaves.

A divulgação de listas de “dez mais”, segundo pesquisas, foi inspirada nas colunistas da imprensa norte americanas Elza Maxuel e Louella Parsons, mas no Brasil quem as consagrou foi sem sombra de dúvidas Ibrahim Sued.

Mais tarde esta seleção de realce de personalidades ganhou o mundo, com os dez finalistas da UEFA, os dez jogadores mais festeiros do futebol do jornal esportivo Às, da Espanha, e os dez livros mais vendidos divulgados pela Editora Saraiva.

A revista Exame divulgou também os dez mais procurados pelo FBI por crimes de colarinho branco e por terrorismo, e o popular animador da televisão Silvio Santos apresenta a anos o Troféu Imprensa, lista anual dos destaques da tevê.

A minha lista inflacionou. Em vez de dez tem doze, não pude limitá-la. Trago-a à apreciação dos que leem os meus artigos:

1º)  A professora Heley Abreu, 43, teve 90% do corpo queimado para impedir que crianças fossem queimadas, no incêndio criminosos provocado na creche da cidade de Janaúba, em Minas Gerais;

2º)  Os juízes Sérgio Moro e Marcelo Bretas, que conquistaram o respeito nacional julgando os crimes de corrupção investigados pela Operação Lava Jato;

3º)  A procuradora Raquel Dodge, cuja atuação à frente da Procuradoria Geral da República até agora não decepcionou como ocorreu no STF;

4º)  A senadora gaúcha Ana Amélia Lemos que se projeta, como uma flor no pântano da mediocridade e da corrupção parlamentar;

5º)  O humorista de apresentador de televisão Danilo Gentili, que ganhou a maior audiência no seu horário por mérito pessoal;

6º)  O jornalista Fernando Gabeira pelas excelentes reportagens televisivas e artigos que refletem a visão equilibrada da política nacional;

7º)  A repórter Andrea Sadi, uma revelação na nova geração de jornalistas, pela qualidade da sua atividade profissional;

8º)  O fotógrafo Sebastião Salgado laureado internacionalmente pela sua dedicação ao trabalho artístico e educativo;

9º)  A diva do teatro brasileiro Bibi Ferreira, incansável no seu afã de representar e produzir peças de real valor dramático.

10º)  A cantora Anitta, pelo trabalho que vem realizando como artista e produtora de clipes de ótima qualidade;

11º) O técnico da Seleção Brasileira Tite, que arrumou o time pelo conhecimento do futebol e liderança pessoal

12º) O jornalista e escritor potiguar, Rubens Lemos Filho pelo excelente livro “Memórias Póstumas do Estádio Assassinado”, denunciando a demolição de uma obra de arte arquitetônica em Natal – O Machadão – pelos propineiros, e narrando a sua história futebolística.

DOS ERROS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)  

         “Ao examinarmos os erros de um homem, conhecemos o seu caráter” (Confúcio)

70 anos atrás, no tempo em que a minha fome de ler só perdia para a voracidade estomacal de adolescente, passou por minhas mãos um livro, “La trahison des Clercs” – “A traição dos intelectuais”. Não lembrava a autoria, mas o Google registra que é do escritor francês Julien Benda e foi publicado em 1927 e reeditado 1946

A memória do texto se deve ao infeliz momento no Brasil que atravessa a decadência da cultura em todos os estamentos sociais das Artes, do Direito, do Jornalismo e da Literatura.

É tão generalizada a queda da qualidade intelectual na atualidade que o argumento “esquerdista” da falta de oportunidades cai por terra, ao nos lembrar das extraordinárias figuras de Benjamim Constant, Carlos Chagas, Castro Alves, Rio Branco, Epitácio Pessoa, Santos Dumont, Silvio Romero, Pedro Américo, Oswaldo Cruz, Lima Barreto, Rui Barbosa, Machado de Assis… Seria fastigioso citar mais ilustres compatriotas do passado.

O legado desses brasileiros está sendo trocado pelas exposições pornográficas e canções pornofônicas, pela exibição asquerosa de estudantes histéricas, pela adoção de ideologias tronchas nos tribunais e pelo estado patológico da chamada grande imprensa.

Já não se encontram na mídia os erros médicos e judiciários; nem a falência da representação popular no Congresso, nem a apatia medíocre da Academia. Hoje, a editoria política dos jornais virou página policial, e as manchetes só abordam escândalos sexuais de personalidades do cinema e da televisão.

Seja como for, eu não poderia ser injusto se escondesse entre os erros, acertos que deixo para Deus. Relembro a História, e nela o fato em que o Papa enviou o cardeal Monfort para tratar da heresia albigense e este decretou: – “Exterminem-se todos; Deus saberá escolher os seus…”

Nada diferente da anedota que corre sobre um determinado pastor protestante que joga o dinheiro do dízimo para o ar e diz que Deus pega os dele; as notas e moedas que caem no chão “são minhas”.

Também deixo ao julgamento divino o caso da atriz negra que disse outro dia que as pessoas trocam de calçada para não olhar o seu filho. Mentira deslavada. Ninguém neste País faria isto; a aleivosia – isto não pode ser considerada denúncia – é feita para trocar a falta de talento pelo holofote do escândalo e a projeção do nome.

Deixo para o julgamento divino aquela escritora (que ninguém leu) que na avidez de um cotejo personalista improvável se compara a Lima Barreto, um mestre da escrita e do enredo.

Deixo para o julgamento divino a imprensa (aonde poucos jornalistas, novos ou antigos se salvam) “vendendo pesquisas” que todas pessoas bem informadas sabem serem compradas.

Que Deus julgue o juiz togado do STF, que na sua onipotência libertou um compadre da prisão decretada na 1ª Instância por revelar-se mafioso, corrupto e corruptor. Este meritíssimo, se vivesse anos atrás, se sentiria obrigado a se julgar impedido.

E chegando à Justiça, é impossível calar o clamor popular diante da leniência das primeira e segunda instância deixando Lula da Silva, um réu condenado por vários crimes, solto e fazendo campanha política com acusações insanas contra o juiz que o julgou.

Constatamos a dificuldade das exigências por Justiça, chegarem à Suprema Corte na sua suspeitosa vagareza para julgar e muitas vezes pelo engavetando dos processos. Não é por acaso que até hoje as declarações de Antônio Palocci, ex-poderosíssimo ministro nas gestões de Lula e de Dilma como proposta de delação premiada não foram ainda acolhidas pela Justiça.

Uma revista semanal trouxe as contundentes acusações de Palocci sobre os governos a que serviu; e mais, conta que o PT recebeu US$ 1 milhão de dólares do ditador líbio Muamar Kadafi para a campanha de Lula em 2002.

Diante disto, tudo o que se refere a Lula na vida criminosa paralela à do político, é fichinha. Ele cometeu um crime de lesa pátria receber dinheiro de procedência estrangeira na campanha eleitoral. Aliás, a traição nacional dos lulopetistas nunca foi segredo; é feito abertamente no chamado “Foro de São Paulo”.

Será um erro inominável que o STF continue a se omitir e que, junto às demais autoridades da República, civis, eclesiásticas e militares, não assuma uma punição exemplar para a traição ao País. Como ensina Freud: “De erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade”. E não quero esperar a punição divina!