A MORTE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A morte não extingue, transforma; não aniquila, renova; não divorcia, aproxima” (Rui Barbosa)
A sabedoria do sertanejo nordestino diferencia a “morte morrida”, da “morte matada”, e o excelente “Dicionário de Termos e Expressões Populares”, do cearense Tomé Cabral, revela esta distinção entre a morte natural ou acidental e a morte por assassinato.
Encontramos também a expressão “morte súbita”, que no futebol passou a ser uma regra para decidir uma partida final que termina empatada após o tempo regulamentar; foi usada pela primeira vez na Cromwell Cup inglesa e é chamada pela Fifa de golden goal; mas a imprensa esportiva brasileira consagrou o nome funesto…
Do mesmo jeito como escrevi sobre a vida, e a proposta científica da sua origem, não custa ver o seu fim, a falência dos órgãos que animam os seres vivos, ocorrendo assim a morte.
Desde a mais remota antiguidade os homens sempre distinguiram o corpo do seu fluido vívido, a alma, o espírito, e as civilizações primordiais mantinham a crença na ressurreição dos mortos, criando um sem número de métodos para a preservação do corpo para a volta do espírito, ficando famosa a mumificação.
Como diversas religiões ainda persistentes no mundo, os espíritas, creem na vida post morte, com o espírito se desligando do corpo físico para a vida eterna, deixando a matéria inerte se decompondo. Originária da Índia e nações indígenas da América do Norte, viram cinzas ao se adotar a cremação…
No antigo Egito, dos faraós, das pirâmides e das múmias dominava a crença da reencarnação realizando a conservação dos corpos com métodos que os mantiveram por 4.000 anos… Junto ao morto, colocavam os seus pertences e ao lado da sua cabeça o Livro dos Mortos.
Assim foi batizado no Ocidente, mas na realidade era um rolo de papiro onde iam escritos hinos, orações, fórmulas mágicas e sobretudo a lembrança para a sua alma (KA) para defende-lo perante o ‘Grande Deus, o Deus de Amentet’, Khnemu, fazendo-o escutar o pedido, e não ouvir mentiras ao seu respeito…
Há também o Bardo Thodöl, em transliteração bar-do thos-grol, onde bardo é “transição” e thodol é “libertação”. É o chamado Livro Tibetano dos Mortos, tido como sagrado pelos monges budistas. É uma prece pela autolibertação da alma entre a morte e o renascimento para uma próxima reencarnação.
A cultura ocidental influenciada pelo cristianismo – em todas as suas vertentes – com a morte, o espírito vai para o céu ou para o inferno, sendo que para os católicos, ortodoxos, coptas e algumas denominações evangélicas, há o purgatório.
Segundo o vizinho judeu, o judaísmo prescreve que defunto seja despojado dos seus valores, dinheiro, joias, próteses e até perucas; que a sua casa tenha as janelas abertas e que o féretro deve ser de madeira, forrado de pano preto e uma estrela de Davi. Os caixões obedecem a um só padrão para mostrar que a morte iguala a todos.
Os muçulmanos creem que, como o nascimento, a morte está nas mãos de Deus. Lê-se no Alcorão: “Foi Alá quem te criou, quem te sustentou, e é ele quem te fará morrer”, Suräh 30:40.
Não é demais falar-se da morte em plena pandemia do novo coronavírus, o covid-19. A ameaça é um cutelo que está sobre todas as cabeças, independendo de raça, sexo, condição social e econômica. Por isso devemos estar preparados para enfrentar os riscos, porque não se trata de uma ‘gripezinha’ como é vista negligentemente pelo Presidente da República.
Da minha parte, faço uma declaração pública: Não acredito na sobrevivência da alma, nem tenho medo da morte; espero-a como cantou Raul Seixas a sua composição “Canto Para A Minha Morte”: “Vou te encontrar vestida de cetim/ Pois em qualquer lugar esperas só por mim/ Vem, mas demore a chegar…”
ALFARRÁBIO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Entre velhas páginas uma folha ainda verde da casa antiga”. (Alice Ruiz)
No ano de 1960 eu trabalhava no Correio da Manhã, o primeiro grande jornal em que atuei profissionalmente, e, como era madrugador, estava sozinho na redação quando apareceu um cidadão pedindo para falar com o chefe.
Conversa vai, conversa vem, a figura queria levar para Campina Grande, na Paraíba, um jornalista para dirigir um jornal local que transformaria a circulação semanal em diária; desejoso de participar deste desafio, antes de levar o campinense no aquário do chefe (que era meu primo) fui antes, e pedi-lhe para me indicar…
Não deu outra. Foi sopa no mel; o proprietário da publicação já tinha gostado da minha conversa e aceitou de bom grado a indicação.
Na Campina Grande regurgitante de progresso e vibrante movimentação econômica e cultural, encontrei um bar chamado Alfarrábio; era uma casa velha, com as paredes descoloridas e emboloradas, que acumulava como atividade comercial a venda de livros usados, de frutas e servir cachaça e cerveja (não muito gelada, como gostava o saudoso poeta Raimundo Asfora).
Perdoe-me, se ainda estiver entre nós, por não lembrar quem a pessoa me levou lá pela primeira vez; mas recordo que convivi ali com os jovens intelectuais Agnelo Amorim, Figueiredo Agra, Orlando Tejo, o jornalista Wallace Figueiredo e os estudantes Alcir Góes e Emílio Bezerra.
Vivi uma encantadora convivência no Alfarrábio, onde o papo era livre e agradável, e a gente se divertia quando apareciam comerciantes e políticos com a desculpa de levar para casa laranjas, maçãs e peras (um luxo na época) e aproveitavam a oportunidade para tomar umas e outras…
O curioso e inteligente nome do estabelecimento caía bem. Quando menino, pouco ouvia citar-se a palavra “alfarrábio”, que foi para a UTI da gramática e, ao que parece morreu, ficando no dicionário como elogio fúnebre: substantivo masculino originário do árabe, Al-Farābi, significando livro antigo ou há muito editado, cujo valor muitas vezes reside somente pela antiguidade.
Além de significar também sebos e lojas de nostalgia, Alfarrábio foi pluralizado pelo famoso escritor brasileiro José de Alencar, que intitulou “Alfarrábios” sua trilogia de romances históricos, seriada como “O Garatuja”, “O Ermitão da Glória” e “Alma de Lázaro”, crônicas dos tempos coloniais publicadas em 1873.
Às vezes fico conjecturando se uma visita a casos e fatos políticos ocorridos no século passado seriam alfarrábios…. Para mim ainda estão muito próximos, eu que cobri jornalisticamente a Câmara dos Deputados ainda no Rio, na Praça XV, e depois o Senado Federal sediado no Palácio Monroe, um belo monumento arquitetônico demolido estupidamente em 1976. Em nome do “progresso”…
No Rio de Janeiro antes da mudança da capital, era o espelho social e político do Brasil e viveu, sem dúvida alguma, os seus “anos dourados” na década de 1950, com uma efervescência generalizada, e a consequente evolução comportamental dos brasileiros, pelos avanços na ciência, na cultura e a implantação da tecnologia moderna, com a popularização da televisão e dos automóveis nacionais.
O lado triste, no começo da década – a derrota para o Uruguai no recém-inaugurado Maracanã – foi logo esquecido. Eleito para a presidência da República, Getúlio Vargas, criou a Petrobras, à época uma aspiração do povo brasileiro.
Tivemos a eleição de Juscelino Kubitschek e com ele uma era democrática e alegre, com paz e esperanças no futuro, coincidindo com o sucesso do rock e da nossa “Bossa Nova” tendo como pioneiros Tom Jobim, Vinícius de Morais e João Gilberto.
Essa alegria foi conturbada pela até hoje inexplicável renúncia de Jânio Quadros, sucessor de JK, o movimento militar legalista que garantiu a posse de João Goulart e depois outro movimento também militar, a derrubada do Presidente. E assim tivemos a implantação de um regime que suprimiu a liberdade.
Pena que ainda haja hoje um grupo extremista querendo a volta do regime de exceção como se fora um destino nacional, fechando-se o Congresso e o STF. Isto é, porém, impensável pois significaria o fim do Estado de Direito.
Pensando assim, estão errados e podem ser castigados… Encontrei num Alfarrábio a história que mostra o Destino com mão e contramão… Como todos sabem, o filósofo grego pré-socrático, Zenon de Eleia, ensinava que a humanidade era subordinada a um Destino inevitável.
Certa vez flagrou um dos seus servos roubando, e o ladrão, malandro, se justificou dizendo que o destino lhe determinou que furtasse…. Zenon ouviu-o e disse: – “Tens razão, o Destino quis que roubasses e depois fosses surrado”. E mandou aplicar-lhe umas bordoadas.
AS BRUXAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Eu faço qualquer coisa, te dou tudo que tenho, oh bruxa, por um pedacinho de paz que um dia eu perdi” (Raul Seixas)
Na sua comentada obra “Totem e tabu”, Freud estuda as primeiras hordas humanas e sugere três formas de pensamento: animismo, religioso e científico. O primeiro, tem a visão cosmogônica de entes superiores não humanos, animais, plantas, objetos inanimados ou fenômenos da natureza.
Mais tarde, nos albores da civilização, os medos diante do sobrenatural “se destacam nos nevoeiros das almas” como descreve Oliveira Martins no seu livro “Sistema dos Mitos Religiosos”. Assim criaram-se deuses por temor à floresta, à escuridão, aos raios e os trovões, no resguardo da caverna, na reverência ao sol e aos mortos.
As primeiras organizações sociais apresentaram o poder político exercido pelas mulheres, que desempenhavam um papel importante na administração social, respeitadas e admiradas sem impor-se pela força. Era o regime Matriarcal, cuja existência foi sugerida no século XIX pelo arqueólogo britânico Sir Arthur Evans, estudioso da Civilização Minoica.
Mais tarde, pesquisas arqueológicas da chamada Era do Gelo (40.000 – 10.000 a.C.) descobriram grande quantidade de estátuas femininas conhecidas como vênus ou Estatuetas de Vênus, identificando-as como representações da Deusa mãe.
Nas organizações sociais avançadas dos antigos impérios, as mitologias de diversos povos também consagram os mitos femininos da deusa-mãe, das amazonas ou mulheres guerreiras, valquírias, erínias, harpias e a deusa grega da sabedoria, inteligência e da guerra, Atena.
O cristianismo nascente, como religião acolhedora, caridosa, solidária e libertadora, contrapôs-se às práticas pagãs extravagantes realçando o papel da mulher na vida de Jesus de Nazaré.
São icônicas as três marias citadas nos evangelhos como participantes da pregação do Cristo, do seu suplício e ressureição. Não somente a mãe, Maria, como Maria Madalena, Maria Betânia, irmã de Lázaro, e Maria, mãe de Tiago, foram no princípio igualmente santificadas.
Entretanto, o cristianismo vitorioso, romano e imperial, sincretizou-se com outras religiões pagãs e, em defesa de um clero copiado do mitraísmo, apagou os registros do apostolado feminino contidos nos chamados evangelhos sinóticos.
A hierarquia eclesial fez mais. Desprezou a personalidade de Madalena, tratando-a como se fora uma prostituta ou endemoniada, insinuação machista motivada pelo medo de ver exaltada a importância dela entre os fundadores do cristianismo.
Na idade Média, a loucura fanática e inquisitorial passou a condenar a mulher independente, praticante de terapias fitoterápicas, ou como obstetra, acompanhando a gravidez até o parto. Foram confundidas com as bruxas persistentes na crença pagã, versão feminina dos xamãs. Então, perseguiu-as, torturou-as, e levou-lhes à fogueira.
Como restos caricatos dos tribunais da Inquisição, a América do Norte colonial registrou no século 17, para vergonha do povo norte-americano, os julgamentos das bruxas de Salem, em Massachusetts, processando mulheres acusadas de bruxaria. Este fato inspirou a intelectualidade dos Estados Unidos a chamar de “Caça às Bruxas” a inquisição macarthista que perseguiu os liberais e antifascistas, incriminando-os antidemocraticamente como se fossem comunistas.
A estupidez autoritária não compreende que não se mata uma ideia ou uma prática, sacrificando o seu agente. Foi assim que Hitler suicidou-se no seu bunker berlinense e o stalinismo soçobrou com o Muro de Berlim.
Entristece-me em assistir agora o choque dos extremismos, incentivado pela inépcia intelectual de quem não devia fazê-lo. Espero que este cenário não nos leve a uma “caça às bruxas”, porque “direita” e “esquerda” não representam uma ideologia estável, são apenas sinais de união grupal como inquisidores de todos os tempos.
HINOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Liberdade! Abre as asas sobre nós…” (Hino da Proclamação da República)
Com letra de Medeiros e Albuquerque e música de Leopoldo Américo Miguez, o Diário Oficial publicou 37 dias depois do fim da monarquia, a 21 de janeiro de 1890, o Hino à Proclamação da República.
Pretendeu-se na época, segundo registros históricos, que se tornasse o Hino Nacional, mas esse só foi criado com letra de Joaquim Osório Duque Estrada e música de Francisco Manuel da Silva, tornando-se oficial sob a presidência de Epitácio Pessoa.
Conforme o que estabelece o art. 13, § 1.º, da Constituição do Brasil, o Hino Nacional Brasileiro era cultuado nos meus tempos ginasianos, juntamente ao Hino da Independência e o Hino à Proclamação da República.
Antes do início das aulas, os estudantes formavam alas de acordo com as classes e cantavam estes três hinos e mais um dedicado a Getúlio Vargas… vivíamos uma ditadura, mas Vargas era muito popular, principalmente após a declaração de guerra aos países do Eixo.
No correr das nossas vidas, a minha geração vibrava muito com a Marselhesa, sob a influência da revolução francesa de 1793 e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, sob o dístico Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Nos tempos do vinil colecionei quase todos os hinos brasileiros e muitos estrangeiros; por causa dessa mania, ganhei muitos de presentes, sendo dois deles realmente encantadores, o Hino da República e a espetacular performance da Banda do Batalhão Naval executando o “Cisne Branco” – Hino da Marinha.
O da República, fortemente marcial, fortalecia meu entusiasmo patriótico e a defesa da liberdade como um princípio que carrego comigo até hoje; e a beleza melódica junto à letra poética d’ “O Cisne” enaltecendo o encanto do mar, emociona.
No 2º Batalhão de Obuses de Costa, sediado no Forte do Leme (Rio), aonde servi o Exército, cantávamos um hino que ao recordar, acho graça: “Rio, cidade tranquila/ que repousa à beira do mar/ Cabe à nossa Artilharia/ A sua vida feliz resguardar…”
Quando me interessei pela música erudita, participando dos ’Concertos da Juventude” do maestro Eleazar de Carvalho, encantei-me de tal modo que até hoje não durmo sem ouvir os clássicos.
Ali fui apresentado à “Polonesa Heroica”, obra prima de Frederico Chopin; ele compôs muitas “polonesas” inspiradas nas danças populares da Polônia e escritas para piano solo. Uma delas foi a primeira composição do grande compositor e pianista.
A Heroica, porém, em La bemol maior, Op. 53, conhecida mundialmente pelo seu nome francês, “Polonaise”, tem uma forte temática patriótica, que me seduziu. Vejo-a como um hino exaltando a Polônia contra a invasão napoleônica; e, na 2ª Grande Guerra, usada pela resistência popular contra a ocupação nazista.
Uma prima minha, a pianista Edda Fiore, premiada em Varsóvia no Concurso Chopin – já falecida, tocava maravilhosamente a Polonaise, e eu quando visitava a casa dos meus tios não me cansava de pedir-lhe para tocar, e de ouvi-la.
Sobre Chopin corre uma anedota histórica. Ele foi protegido pela aclamada escritora e memorialista francesa, George Sand, baronesa de Dudevant, cuja desenvoltura agitava a sociedade de sua época, pois se vestia com roupas masculinas, para ela mais cômodas do que o vestuário feminino.
Pois bem. Recém-chegado a Paris, Chopin sofreu a aversão de um conhecido crítico musical, Kalkbrunner, e George Sand atuou na defesa dele usando uma artimanha: Convidou o Crítico para um concerto de Liszt (por quem ele mantinha grande admiração) na casa da duquesa de Orléans. O sarau foi a meia luz, quase obscuridade e quem tocou foi Chopin recebendo aplausos entusiásticos de Kalkbrunner.
Ardis engenhosos como este merecem consideração e são válidos até para os mais exigentes do legalismo. Hoje, porém, as fraudes não são assim, mas cometidas nas redes sociais contra pessoas, entidades e poderes republicanos. São as fakes news criminosas.
E ainda por cima vemos o embuste indigno, e não menos delinquente, dos cúmplices dessa execrável prática, comparando os fake news com a liberdade de expressão do pensamento!
ESCREVER
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Eu acho que o escritor verdadeiro é aquele que escreve sobre o que ele viveu.” (Jorge Amado)
Fico às vezes encabulado com os elogios que fazem aos textos que escrevo, mas, sem falsa modéstia, uso apenas a técnica adquirida desde a juventude com o exercício diário de jogar no papel coisas que me vêm à cabeça, pensamentos, leituras, descrições ambientais e perfis de pessoas a quem observo por onde ando.
Aprendi também com o festejado escritor Eduardo Galeano que disse “procurar uma linguagem sem solenidade que permita pensar, sentir e se divertir, nada habitual nos discursos de esquerda”.
Há diversas entidades e livros que se propõem ensinar como escrever; lembro o “EducaBrasil” trazendo “Sete dicas para começar a escrever melhor” e o “Guia da Escrita”, livro do canadense Steven Pinker, psicólogo-linguista-cientista da Universidade de Harvard, divulgado pela revista “Superinteressante”.
O anedotário jornalístico inglês conta que foi por causa de um resfriado que o mundo ganhou a espetacular autora de contos policiais Agatha Christie. Ainda adolescente e confinada no seu quarto, sua mãe aconselhou-a a escrever um diário; mas em vez de fazer confissões pessoais como as outras meninas, escreveu uma história curta, a “short stories” da literatura inglesa, que conquistou o público norte-americano.
Ao se curar da enfermidade, Agatha ganhou dos pais um passeio ao Egito, e no Cairo escreveu um conto que enviou a um editor. Do projeto saiu um livro que a projetou como escritora consagrada e traduzida em vários idiomas.
É assim; começando é que se começa…. Nada mais do que muito exercício para adquirir a técnica. Não há dica melhor.
À guisa de memória, relembro as alegrias da infância reconhecendo a felicidade de ter nascido de um casal sedento por cultura, com o pai colecionador de obras eruditas e a mãe incentivadora da leitura e da escrita. Fundamos em casa um jornalzinho “A Folha da Glória”, onde todos da família escreviam, os velhos, eu e minha irmã Lúcia.
Nunca fomos escravos da gramática, mas discutíamos sobre o uso da vírgula, do ponto e vírgula, os dois pontos, e a crase… do nosso modo de ver, o estilo – recurso de linguagem para se expressar – é livre. Fazíamos o que Manuel Bandeira confessou: – “Nunca fui um antiacadêmico. O problema é que eu gostava de tomar minhas licenças com a língua…”
“Escrever” é um verbo; como transitivo direto define como representar o pensamento por meio da escrita. Como transitivo direto, transitivo indireto e intransitivo significa expressar-se por meio de escrita e/ou usar caracteres numa mensagem.
Tive um professor que criticava o uso dos superlativos, que adoro; e outro chamou atenção sobre os sinônimos, dizendo que no dicionário não há dois vocábulos iguais, só equivalentes…
Já na faculdade, aprendi com um mestre uma coisa engraçada, mas verdadeira: ele dizia que o uso de frases latinas enriquece um texto porque o latim dá a qualquer ideia, por mais vulgar que seja, um certificado de seriedade…
Encontramos copiosamente a exibição do latim nas sentenças judiciais e nos discursos políticos dos picaretas letrados do Congresso, trata-se de uma terminologia corporativa, tipo “economês”, complicando o entendimento da realidade.
Falar em Economia e do economês, temos constatado um combate acirrado à agenda liberal do ministro Paulo Guedes que, aliás, está sendo fritado visivelmente pelos bolsolavistas; e também a tese dicotômica “vidas humanas vs retomada da Economia”. Considero trágico enxergar a pandemia do coronavírus deste ângulo; e lembrei a história do usurário e o rabino: “Um financista se viu isolado socialmente, até pelos parentes, e foi à procura do rabino atrás de um conselho para se reaproximar das pessoas. O sacerdote pegou-o pelo braço e levou-o à janela; – “Olhe por esta vidraça e diga o que vês”.
– “Vejo muita gente”, respondeu o ricaço. O rabino então apresentou-lhe um espelho e voltou a indagar: – “… E o que vês agora? ”; a resposta não se fez esperar: – “vejo somente eu”.
“O religioso esclareceu então, como conselho, que tanto a vidraça como o espelho são vidros, mas o vidro do espelho se reveste de uma camada de prata. Por causa do metal precioso deixa-se de ver os outros para só enxergar a si mesmo…”
APARELHAMENTO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br
Pessoas que são boas em arranjar desculpas raramente são boas em qualquer outra coisa” (Benjamin Franklin)
Bons tempos aqueles em que a grande maioria dos tuiteiros era contra o aparelhamento ignóbil do aparelho de Estado e de cargos no governo na Era Lulopetista!
Hoje não se fala mais nisto. Pelo contrário; tenho até encontrado no Twitter pessoas justificando que os cargos no governo federal devem ser negociados com o Centrão com o mesmo discurso da velha política; para garantir a “governabilidade”.
Esta tal governabilidade apareceu no Brasil na esteira intelectueira do governo FHC, aproveitando-se dos termos ingleses governance ou good governance, para indicar governança e governabilidade.
Adequar as palavras governança e governabilidade no Brasil trouxe infinitas discussões como aquelas que levaram Bizâncio à ruína, no alvoroço das divergências e debates sobre o sexo dos anjos, envolvendo a sociedade de cima para baixo, dos doutores da Lei ao baixo clero…
Segundo alguns, a governabilidade é o atributo daquilo que é governado, ou seja, a sociedade; e vulgarizou-se para justificar alianças dos governantes com o lado podre da política como necessidade de apoio para governar; diz-se de governança como manutenção da estabilidade política, social e financeira pelo governo.
Assim, no meu entender, não se explica bem o uso de aparelhamentos para garantir a governabilidade, a não ser que falte capacidade do Executivo para exercer a governança.
Por outro lado, com boas ou más intenções, o aparelhamento do Estado e do Governo sempre levanta desconfiança e suspeitas por parte da cidadania. Era ameaçador antes, com a intimidação invisível e silenciosa do lulopetismo para garantir o poder nas mãos dos defensores da “pátria grande bolivariana”.
Assim se fez nos governos lulopetistas, de Lula e do seu poste, Dilma Rousseff. Durante o seu exercício na administração pública, o PT e os seus puxadinhos de diversas siglas esquerdistas aparelharam o ensino público, os órgãos culturais, as empresas estatais, o Ibama e a Funai, criando grupos de pressão ideológicos.
Dicionarizado, o verbete “Aparelhamento” é um substantivo masculino originário do verbo transitivo “aparelhar”, preparar, dispor, arrear (o cavalo); e ou, como verbo pronominal, significando preparar-se, dispor-se, aprontar-se. A palavra se formou de aparelha + mento, ato de aparelhar.
Muito usado na terminologia da 3ª Internacional Comunista como ocupação de postos estratégicos no partido ou nas organizações do Estado, o aparelhamento consiste em colocá-los a serviço dos interesses da hierarquia ideológica.
Tivemos no Brasil como de resto na América Latina o aparelhamento dos governos em órgãos que contratam grandes obras públicas em benefício de empresas do setor. É inesquecível a varredura da Lava Jato entre nós.
Escreveu alguém que “a História se repete como caricatura”; e é assim que temos hoje a estranha e numerosa ocupação de militares da reserva na burocracia ministerial e nas empresas estatais. No Planalto, vários generais reservistas formam uma espécie de guarda pretoriana que, infelizmente, não consegue impedir a volta de suspeitos ao conselho de Itaipu, nem que o Centrão e seus 300 picaretas ocupem importantes setores no governo.
Há, entretanto, uma forma de barrar o aparelhamento que vem de priscas eras. Temos sobre isto um episódio na História da França com o político e diplomata Talleyrand, Charles-Maurice de Talleyrand, chanceler do Governo da Restauração.
Conta-se que ele recebeu a visita de um jovem que solicitava um emprego. – “Quem o recomenda? Perguntou o Ministro. O rapaz, tímido diante a autoridade respondeu: – “Ninguém…”
“ –Como? Exclamou Talleyrand perplexo; – “é isto que venho procurando; você assumirá o seu emprego amanhã de manhã…”
O Chanceler se mostrou capaz de formar a consciência dos futuros mandatários. Inutilmente…
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AMEAÇAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, mas sim por aquelas que permitem a maldade” (Albert Eisntein)
A chegada das novas arroubas no Twitter, mal-educadas e agressivas, convulsiona a livre circulação de ideias e o debate sadio. Não me permito aceitar delas esta ação odienta, acionada sem dúvida alguma, por controle remoto.
A idiotia desses caçadores de mitos é tão desprezível que me obrigou a abandonar o antigo costume de não deletar opiniões e muito menos bloquear quem quer que seja por emiti-las. Faço-o agora porque considero inaceitáveis as mentiras xerocadas que saem dos porões do Planalto
Como um dos pioneiros do Twitter no Brasil evoco o testemunho dos que conhecem a minha atuação na rede social; sempre guardando respeito pela opinião alheia mesmo discordando dela; sem ofensas nem palavrões para expressar minha discordância por alguém ou por algo vindo do campo político.
Entretanto, logo que a enxurrada de novas arroubas surgiu, chamadas de robôs por uns e de gado por outros, tentei mostrar-lhes que era errada a falta de respeito por outrem; procurei até instruí-las como polemizar sem ofender.
Também evitei reclamar no início, mantendo, como princípio, o ensinamento de Confúcio, de que ser ofendido não tem importância, a não ser se mantivermos isto como raiva ou planejamento de vingança.
De nada adiantou, porque são hordas que chegam como marolas na beira mar, disseram-me que são os mesmos com diversos perfis, como os terroristas mantém inúmeros codinomes.
E o pior de tudo não é apenas o tratamento desairoso, as injúrias e os xingamentos, mas a ação de criar confusão e desentendimentos entre os antigos participantes da rede social.
Com a insistência aprendida com herr Goebbels de repetir a mentira mil vezes que pareça uma verdade, conseguem arrastar os desavisados para o redemoinho do extremismo, com o mesmo método dos lulopetistas fanatizados pelo chefe corrupto e corruptor.
Lembrando esses antecedentes, registro como os narcopopulistas, cúmplices da corrupção, atacam Sérgio Moro, cuja formação intelectual, coragem e patriotismo levaram à prisão o ex-presidente Lula, receptor de propinas para si, seus filhos e hierarcas do PT.
Agora os extremistas da direita e da esquerda estão juntos e misturados, investindo contra Moro. Uns movidos pelo ódio a quem desmoralizou Lula, e outros porque ele não compactuou com os esquemas de familiocracia, resistindo ao controle da Polícia Federal, órgão de Estado e não de Governo.
Para este pessoal armado dolosamente de mentiras e perfídias, nos ataques que mantêm aos que lutam contra a corrupção e os corruptos em geral, sem bandidos de estimação, dirige a sua mira contra Moro e ao que chamam de “lavajatismo”, isto é, contra os defensores da Lava Jato, conduzida por procuradores, policiais e juízes patriotas.
Me incluo entre os que não ensarilharam as armas das antigas batalhas para evitar que no Brasil se tornasse uma terra de ninguém. Pouco me importa os cães que ladram enquanto a caravana passa.
Acho até graça dos que investem contra mim. Como não podem usar o carimbo de “traidor”, porque nunca estive entre os beneficiados do sindicalismo militar de Bolsonaro, a quem não conhecia, e muito menos aos seus filhos complicados. Votei nele contra o lulopetismo corrupto, como votaria em Tiririca se hipoteticamente disputasse o 2º turno com um poste de Lula.
Riu dos que me chamam de “velho”. Sou sim, e daí? Com a minha idade não me troco pelos jovens analfabetos funcionais e muito menos pelo fanatismo cego daqueles de meia idade…
Se me propuserem protagonizar uma cena política com estes cretinos, farei como a imortal cantora e atriz Mistinguett, símbolo da canção e da sensualidade no século passado. Casada com um brasileiro, visitou o Brasil várias vezes.
Às vésperas de completar 80 anos, Mistinguett foi procurada por um diretor de teatro propondo-lhe participar de uma peça com o enredo em que uma experiente atriz dava conselhos a uma estrela que nascia.
A grande artista francesa, mostrando entusiasmo, achou que a ideia era excelente e perguntou: – ‘Quem vai fazer o papel da velha? ”.
COSTUMES
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A gente tem o costume de querer tirar da cabeça aquilo que está no coração” (Sthendal)
Meu inesquecível professor de Teoria Geral do Direito, Pedro Calmon, ensinava que o “Costume” é o “Direito de Fraldas”, metáfora que imprime uma verdade, pois todo arcabouço jurídico nasceu das regras sociais obrigatórias e aceitas por muito tempo de duração.
Calmon foi reitor da antiga Universidade do Brasil e atraía muita gente para assistir as suas aulas na Faculdade Nacional de Direito. Era brilhante ao discorrer com elegância e voz empostada os temas do curso que ministrava.
O “Direito de Fraldas” – o Costume -, é dicionarizado como substantivo masculino, com origem no latim vulgar co(n)stumĭne, de co(n)suetūmen,mĭnis, significando hábito, uso. Tem como sinônimos hábito, norma, prática, praxe, regra e rotina.
As tradições são costumes que enriquecem a cultura dos povos, refletida nas artes, na filosofia, na literatura e mesmo no cotidiano das pessoas como parte da vida social.
Quando eu era menino, adotava-se a designação “costume” para o vestuário feminino composto de saia justa e casaco de cores sóbrias, uma espécie de terno adequado para a mulher no mercado de trabalho.
O costume é também muito usual na política. Não esqueço uma historieta que ouvi sobre o modo costumeiro de governar numa das chamadas repúblicas bananeiras. Conta que “Em certo país, o presidente eleito com as promessas de governar respeitando os princípios republicanos, abriu um concurso de provas e títulos para o chefe de polícia da capital.
“Dos inúmeros candidatos restaram três; todos apresentando notáveis especialidades, mestrados, doutorados e pós-graduações, chegando às provas objetivas. Empataram novamente, e foram para as provas discursivas.
“A junta de examinadores fez uma pergunta comum aos três para saber porque queriam chefiar a polícia e as respostas foram iguais: – “Para combater a corrupção e o crime organizado”; depois, questionados um a um para declarações espontâneas, o primeiro disse que a investigação isenta dos casos era fundamental.
“O segundo mostrou preocupação com a ingerência política; e o terceiro disse estar de acordo com ambos, afirmando que teria o mesmo comportamento e refletindo sobre o cargo que ocuparia iria propor o aproveitamento dos dois colegas como auxiliares diretos.
“Ao encerrar, os presentes se surpreenderam com a imprevista aparição do Chefe do Executivo, que escutava o decorrer do concurso sem ser visto; achegando-se, fez uma intervenção: – “Este terceiro candidato é virtuosíssimo, cuidadoso e conciliador”; e retirou-se.
“No dia seguinte foi publicada no Diário Oficial a nomeação de um nome que não participara da seleção de mérito. Os jornais da oposição denunciaram clamorosamente que se tratava de um amigo íntimo dos filhos do Presidente. ”
Viu-se naquele País um costume característico dele, a decisão de um governo onde o afilhadismo obedece apenas às decisões que visam fortalecer alianças políticas ou atender ao nepotismo…
Mais fácil do que farinha na feira e nos discursos dos magistrados, políticos e professores, temos sempre a figura de Charles-Louis de Secondat – o popular Montesquieu, autor do respeitado livro “Espírito das Leis” -; na sua obra, encontramos: “todo povo defende sempre mais seus costumes do que suas leis”.
Houve uma discordância dos tempos em que o Brasil era feliz, que gravamos e foi dita pelo então presidente Juscelino Kubistchek: – “Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro”.
A CULPA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro” (Raul Seixas)
Eu ainda trabalhava como profissional de imprensa em 1999 e não esqueço que às vésperas da passagem de ano acompanhava-se o pavor que ocorria em vários países, com pessoas e seitas esperando o fim do mundo…. Estávamos na véspera do ano 2000 e falava-se de uma revelação profética de que o apocalipse ocorreria num ano de três zeros.
Isto não consta em nenhum livro sagrado das grandes religiões monoteístas e nunca se soube quem profetizou isto; mas não foi uma novidade, porque o mesmo aconteceu na chegada do ano de 1000.
A História registra o corre-corre na virada para o século 10…. Como naquele tempo havia mais medo do inferno do que hoje, os pecadores ficaram apavorados, enchendo as igrejas e os confessionários, buscando o perdão pelos pecados.
E inda a pouco tempo, em 2012, se repetiu a mesma coisa graças às crenças escatológicas do Calendário Maia, de que o fim do mundo aconteceria em 21 de dezembro, o último dia de um ciclo de 5.125 anos da volta do alinhamento de planetas do sistema solar.
Assistiu-se então um corre-corre medonho em pleno século 21 nos Estados Unidos e na Europa, regiões onde há maior número de crendices e de pessoas fascinadas pelo mistério e prisioneiras do medo. Novamente refez-se o pavor para espiar as culpas no Dia do Juízo Final…
O criminoso, o desumano, o injusto e o pecador têm a culpa gravada na cabeça, como uma tatuagem indelével na memória. Também se prende ao inconsciente dos convictos a espera messiânica do judaísmo, uma crença que atravessou o Atlântico com os portugueses trazendo para o Brasil o aguardo de dom Sebastião…
Temos igualmente armazenada no subconsciente dos cristãos a expectativa do Apocalipse, a guerra final do bem contra o mal, entre Deus e o diabo, uma doutrina fatalista nascida na Idade Média pelo papado imperialista.
E o pior é que para imprimir o pânico pela expiação da culpa nos nossos dias, vem o capitalismo selvagem travestido de propaganda editorial vender livros das profecias de Nostradamus, enchendo a mente de ideias que fazem das cabeças vazias oficinas do diabo…
A introversão da culpa é a ameaça do castigo para aqueles estimulados pela avaliação dos seus atos antissociais; seja para os religiosos que transgredem os cânones e caem o pecado, ou para os pervertidos assumidos pelo arrependimento, remorso e vergonha.
O verbete “Culpa” é um substantivo feminino, originário do latim culpa,ae que significa defeito, erro, falta; o seu conceito está no Código Penal no artigo 18, inciso II, onde se diferencia na conduta ilícita o crime doloso e o crime culposo. A culpa não é somente do pecado, mas uma transgressão à Lei.
Para que uma conduta seja considerada crime, segundo a Teoria Geral do Delito, deve ser típica, antijurídica e culpável; é preciso que se enquadre em dolo ou culpa, os elementos subjetivos que erguem a estrutura do crime. É condenável, portanto, ouvir e ver um presidente da República afirmar que a pandemia do coronavírus, com milhares de mortos, é uma “gripezinha”, e um resfriadinho”…
Crime ou psicopatia culposa dominam a mente deste Presidente, dos seus filhos e dos que lhe cercam cultuando a sua personalidade. Mostram-se incapazes de administrar o País nestes tempos de pandemia e transferem sua culpa para outrem, tendo como mentor Hommer Simpson que diz – “A culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser”.
Os que votaram em Jair Bolsonaro, seja pelo ativismo dele como sindicalista militar, ou por acreditar no seu repúdio à corrupção lulopetista, deverão assumir que somos todos culpados por leva-lo à Presidência para desdenhar da morte dos seus compatriotas.
Da minha parte, contrario Raulzito: admito o “mea culpa” do Confiteor, reconhecendo o meu erro. “Mea culpa, mea máxima culpa”.
Vinícius de Moraes
SONETO DO CAFÉ LAMAS
No Largo do Machado a pedida era o “Lamas”
Para uma boa média e uma “canoa” torrada
E onde a noite cumpria ir tomar umas Brahmas
E apanhar uma zinha ou entrar numa porrada.
Bebendo, na tenção de putas e madamas
Batidas de limão até de madrugada
Difícil era prever se o epílogo das tramas
Seria algum michê ou alguma garrafada.
E em meio a cafetões concertando tramóias
Estudantes de porre e mulatas bonitas
Sem saber se ir dormir ou ir na Lili das Jóias
Ordenar, a cavalo, um bom filé com fritas
E ao romper da manhã, não tendo mais aonde
Morrer de solidão no reboque de um bonde.
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