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Augusto Frederico Schmidt

COMPREENSÃO

Eu te direi as grandes palavras,
As que parecem sopradas de cima.
Eu te direi as grandes palavras,
As que se conjugam com as grandes verdades,
E saem do sentimento mais fundo,
Como os animais marinhos das águas lúcidas.
Eu te direi a minha compreensão do teu ser,
E sentirei que te transfiguras a ti mesmo revelada,
E sentirei que te libertei da solidão
Porque desci ao teu ser múltiplo e sensível.
Quero descer até as tuas regiões mais desconhecidas
Porque és minha Pátria,
As tuas paisagens são as da minha saudade.
Quero descer ao teu coração como se descesse ao mar,
Quero chegar à tua verdade que está sobre as águas.
Quero olhar o teu pensamento que está sobre as águas
E é azul
Como este céu cortado pelas aves,
Como este céu limpo e mais fundo que o mar.
As tuas manhãs acordadas pelos galos.
Quero ver a tua tarde banhada de róseo como nuvens frágeis
[ tangidas pelos ventos.
Quero assistir à tua noite e ao sacrifício dos teus martírios
Oh!, estrela, oh! música,
Oh! tempo, espaço meu!

 

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Billie Holiday – Just One Of Those Things

Howlin’ Wolf – Change My Way

https://youtu.be/Ptw3fmpwk7M

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A MENTIRA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Dostoievski: “A mentira é o único privilégio do homem sobre todos os outros animais”

Fiódor Mikhailovich Dostoiévski é, em minha opinião, um dos maiores romancistas de todos os tempos… E antes que algum extremista de direita venha reclamar porque é russo, adianto-lhe que morreu em 1881, muito antes da revolução de 1917, e que não conheceu Lênin e muito menos Stálin…

Minha admiração por Dostoiévski vem da mais tenra juventude, quando me encantei lendo “Crime e Castigo”, passando a ler tudo o que escreveu e que tive às mãos. Entretanto, ele entra neste artigo não apenas pela epígrafe, mas por que eu senti a necessidade de contestá-lo; não concordo que mentir seja um privilégio do homem.

Também não creio que os animais não mintam; falta-lhes o dom de falar, é certo, mas enganam com camuflagens, disfarces, e se escondem, nem sempre como defesa, mas para o ataque…

A diferença entre os seres ditos racionais e irracionais é que o animal usa o logro para a sobrevivência, enquanto o homem mente rompendo com os padrões sociais, desrespeita a moral e a ética, e comete pecado condenado pelas religiões monoteístas, budismo, judaísmo, cristianismo e islamismo.

A mentira tem dezenas de sinônimos; mas é como falsidade, que diz a que vem. A mentira aguça as contradições ideológicas e os conflitos políticos em proveito de uma facção ou de um partido.

Os nazistas, com sua amoralidade, cultuaram a mentira: é conhecida a ordem do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, para os agitadores do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães: “É mais fácil fazer as pessoas acreditarem numa grande mentira dita muitas vezes, do que numa pequena verdade dita apenas uma vez”.

Goebbels deixou uma célebre frase, seguida pelos marqueteiros de todo mundo: “A mentira quanto mais vezes repetida, mas se aproxima da verdade”. Esta imoralidade fez o professor de jornalismo M. Choukas ensinar que “admitamos que um propagandista minta mesmo quando diz a verdade…”

No Hemisfério Ocidental, pedagogos de várias tendências concordam que se deve ensinar às crianças que não se deve mentir; e em alguns países asiáticos a mentira é punida cortando-se a língua do mentiroso; na África, mais propriamente em Zanzibar, é condenado à pena de morte.

Falando de mentira, chegamos ao execrável peleguismo que ocupa o poder no Brasil. É sabido que desde a primeira eleição de Lula da Silva que a bandeira da impostura foi desfraldada e o brasão da má fé foi instituído. À sombra, fez-se uma lavagem cerebral em indivíduos fracos, recriando o culto da personalidade e transformando o Partido dos Trabalhadores numa seita intolerante.

Tive um colega jornalista que adentrava na redação e antes de dizer ‘bom dia’, perguntava: “Qual é a ‘mentirex’ do dia?” A má imprensa e a má política usam a mentira como ferramenta de trabalho… No PT-governo é oficial. A Presidente da República divulga sempre o avesso da verdade. A sua própria imagem é uma ilusão construída pelo marketing. E gosta de mentir quando está fora do País para não ouvir o repúdio popular em forma de panelaços…

Gandhi ensinou que “assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, acontece com a mentira entre os homens”. É o que ocorre sob a administração petista contaminada pela fraude e a corrupção.

Mas a sabedoria popular no Brasil nos entusiasma com o provérbio: ”É mais fácil pegar um mentiroso do que um coxo!” Não vai durar muito o ‘privilégio’ de Dilma em mentir impunemente; acredito que a Justiça dar-lhe-á o castigo pelo crime que comete contra a nossa Pátria.

 

Robert Johnson – Me and the Devil Blues

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Lonnie Johnson – Falling Rain Blues

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B.B.King – Stand by me

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konstantinos kavafis

À Espera dos Bárbaros

O que esperamos nós em multidão no Forum?

       Os Bárbaros, que chegam hoje.

Dentro do Senado, porque tanta inacção?
Se não estão legislando, que fazem lá dentro os senadores?

        É que os Bárbaros chegam hoje.
        Que leis haveriam de fazer agora os senadores?
        Os Bárbaros, quando vierem, ditarão as leis.

Porque é que o Imperador se levantou de manhã cedo?
E às portas da cidade está sentado,
no seu trono, com toda a pompa, de coroa na cabeça?

        Porque os Bárbaros chegam hoje.
        E o Imperador está à espera do seu Chefe
        para recebê-lo. E até já preparou
        um discurso de boas-vindas, em que pôs,
        dirigidos a ele, toda a casta de títulos.

E porque saíram os dois Cônsules, e os Pretores,
hoje, de toga vermelha, as suas togas bordadas?
E porque levavam braceletes, e tantas ametistas,
e os dedos cheios de anéis de esmeraldas magníficas?
E porque levavam hoje os preciosos bastões,
com pegas de prata e as pontas de ouro em filigrana?

        Porque os Bárbaros chegam hoje,
        e coisas dessas maravilham os Bárbaros.

E porque não vieram hoje aqui, como é costume, os oradores
para discursar, para dizer o que eles sabem dizer?

        Porque os Bárbaros é hoje que aparecem,
        e aborrecem-se com eloquências e retóricas.

Porque, sùbitamente, começa um mal-estar,
e esta confusão? Como os rostos se tornaram sérios!
E porque se esvaziam tão depressa as ruas e as praças,
e todos voltam para casa tão apreensivos?

        Porque a noite caiu e os Bárbaros não vieram.
        E umas pessoas que chegaram da fronteira
        dizem que não há lá sinal de Bárbaros.

E agora, que vai ser de nós sem os Bárbaros?
Essa gente era uma espécie de solução.

[Antes de 1911]

 

Biografia de Constantino Kavafys aqui

 

Martinho da Vila – Faixa Amarela

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Paulinho da Viola – Onde a dor não tem razão

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