Castro Alves
Improviso
(À mocidade acadêmica)
Moços! A inépcia nos chamou de estúpidos!
Moços! O crime nos cobriu de sangue!
Vós os luzeiros do país, erguei-vos!
Perante a infâmia ninguém fica exangue
Protesto santo se levanta agora,
De mim, de vós, da multidão, do povo;
Somos da classe da justiça e brio,
Não há mais classe ante esse crime novo!
Sim! mesmo em face, da nação, da pátria,
Nós nos erguemos com soberba fé!
A lei sustenta o popular direito,
Nós sustentamos o direito em pé!
Biografia de Castro Alves aqui
ARCO ÍRIS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Você nunca achará o arco-íris, se você estiver olhando para baixo”. (Charles Chaplin)
Uma infalível lei da natureza, observada até na pré-História, reza que “Depois da Tempestade, vem a Bonança”. É o que vivemos agora com o fim do ciclone arrasador do PT-governo à frente dos destinos do Brasil. E também não falha o surgimento do Arco-Íris…
Sob a luminosidade solar ocorre o fenômeno das gotículas d’água formando o arco colorido com as cores primárias; e aí está o exemplo de união que os brasileiros devem seguir por um governo de salvação nacional, transparente e confiável.
Todos devemos nos mobilizar e também apresentar reivindicações e aconselhamentos, partindo do princípio de que é preciso acelerar as investigações contra a corrupção; e a fórmula de partida é o lema que está em todas as cabeças: “Ou se prende Lula ou se desmoraliza a Lava-Jato”.
Com a ascensão de Michel Temer e suas promessas de mudança, estamos na metade do caminho que nos leva à faxina completa da sujeira lulo-petista. Seguimos a trilha da Operação Mãos Limpas (Mani pulite) que o juiz Giovanni Falcone coordenou na Itália e foi conduzida pelos órgãos de segurança pública e o Ministério Público italianos.
Talqualmente como ocorre aqui, com a Polícia Federal e o Ministério Público realizando as investigações para o juiz Sérgio Moro que trazem uma carreta carregada de provas contra a organização criminosa chefiada por Lula da Silva. Já bastariam para basear o processo dele e dos chefetes orgânicos que assumiam as tarefas criminosas.
É visível e impressionante a teatralidade cênica dos protagonistas deste filme policial, com Lula e os seus íntimos, a ‘assessora’ Rosemary Noronha, seus filhos, José Carlos Bumlai, Léo Pinheiro e Palocci agindo numa articulação perfeita.
Na representação da Presidência da República em São Paulo, Rosemary traficava influência descaradamente levando o produto das transações para o Exterior; debaixo da saia da mamãe Marisa, os rapazes, principalmente o primogênito, mandavam brasa.
Do grupo fechado de Lula, empreiteiros e lobistas fariam inveja a Al Capone. O mais chegado, Léo Pinheiro, da OAS, dançava e rolava em companhia do ganancioso roedor Lulinha e seus sócios Jonas Suassuna e Fernando Bittar, envolvidos em falcatruas, onde se inclui o famoso sítio de Atibaia.
Léo, que disse ter sofrido ameaça de morte na penitenciária de Curitiba, entrou no rol da delação premiada, apontando o enriquecimento de Lulinha, a arrecadação rotineira do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto e uma pá de políticos da base aliada do PT-governo.
Bumlai participava do círculo familiar dos Lula da Silva. Fazia intermediações com lobistas e empreiteiros no esquema de propinas da Petrobras, beneficiando pessoas ligadas ao ex-presidente e hierarcas do PT, como André Vargas e Cândido Vacarezza.
Na CPI da Petrobras, abortada pela desonestidade de vários parlamentares, inclusive da dita ‘oposição’, Bumlai atuou comprando consciências para livrar a cara de Lula, Zé Dirceu e Gilberto Carvalho, sendo depositário dos R$ 6 milhões da Petrobras repassado de uma conta de Marcos Valério. O dinheiro foi destinado a um cala-boca de chantagista que guardava segredos sobre o assassinato de Celso Daniel.
Esse ‘imbróglio’ mostra a conexão entre o Mensalão e o Petrolão no vendaval de corrupção que assolou o País enlameando o PT-governo e a antiga cúpula petista no mandato de Lula e posteriormente no de Dilma.
Por tudo isso – e algo mais, pois só abordamos a privacidade do ex-presidente e a particularidade do seu relacionamento com empreiteiros, outras figuras, como Marcelo Odebrecht, têm muitas histórias para contar.
A continuidade da investigação pela Lava-Jato, está garantida no primeiro pronunciamento público de Michel Temer, e após a tormenta lulo-petista, faz parte do cenário de tempo favorável às mudanças que os brasileiros exigem.
A nova ortografia tirou o hífen do “ARCO ÍRIS”, mas não elimina a nossa esperança da formação de uma frente ampla de todas as cores da natureza pela Salvação Nacional.
AFFONSO SCHMIDT
OS VAGABUNDOS
Perdidos pela estepe enegrecida e rasa,
Nessa planície igual que a distância arredonda,
Que o inverno enregela e que o verão abrasa,
Dos vagabundos passa a maltrapilha ronda.
As miragens do céu são como pétrea onda…
E o vento forasteiro essa visão arrasa,
Quebrando torreões de arquitetura hedionda,
Catedrais de marfim e florestas de brasa!
Eles passam cantando uma canção dolente,
E vão deixando atrás, por sobre a terra ardente,
Dos seus inchados pés os passageiros rastros…
E quando a noite desce aos desertos medonhos,
Deitam-se sobre a terra e sonham lindos sonhos.
Na solidão da estepe e na mudez dos astros!
Biografia sobre AFFONSO SCHMIDT aqui
AMIGOS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Que importa o tempo? Há amigos de oito dias e indiferentes de oito anos.” (Machado de Assis)
Para falar de ‘amigo’, buscamos a origem da palavra, que vem do latim ‘amicus’, e na velha Roma era derivado de amore; tratando-se de relação afetiva, assexuada, entre duas pessoas. Os dicionários de língua portuguesa classificam ‘amigo’ como adjetivo, que se torna substantivo ao vir adjetivada como, por exemplo, ‘grande amigo’ …
Histórica e filosoficamente, o conceito de amizade varia no espaço e no tempo; cada organização social apresenta formas diversas de amizade; na minha época e geração, considerávamos uma ligação pessoal – algumas inexplicáveis – que proporcionavam afeição, intimidade e lealdade.
Jan Yager, socióloga americana que escreveu “Bons Amigos Maus Amigos” deu uma de ‘brasilianista’ comentando que para os brasileiros, de maneira geral, “amigo é em quem se pode confiar por ser alguém que lhe quer bem, e não usa esta condição para fins de interesse”.
Alguns críticos dos meus trabalhos literários me acusam de politizar todos os meus textos; não é mentira. Conhecendo o livro de Jan Yager, devo falar de Brasil, onde na política se multiplicam amigos interesseiros e mal intencionados.
Veja-se a forma de amizade do ponto de vista da amoralidade lulo-petista: Lula alardeava um bom relacionamento com Fernando Henrique Cardozo e, depois de eleito, além de repetir ter recebido do ‘amigo’ uma herança maldita, incentivou até aloprações contra Ruth Cardoso, esposa de FHC.
A outra hierarca petista, Dilma, se abraçava mantendo aparente amizade com o deputado Eduardo Cunha, com quem rompeu passando a xingá-lo de tudo quanto é adjetivo insultuoso. Fez o mesmo com o ex-senador Delcídio do Amaral que foi seu líder no Senado: Disse que Delcídio “sempre teve o hábito de mentir”, sem especificar se havia tal defeito quando foi próxima, quase íntima, dele.
Não se vê sempre alguma reação no rompimento da amizade. O ex-advogado geral da União, José Eduardo Cardoso, ouvia dizer que seu amigo Lula falava dele cobras e lagartos às ocultas, e até pediu a sua demissão à ex-presidente Dilma, mas acumulou sua raiva despejá-la contra o impeachment pela continuidade da corrupção do desafeto por Lula.
Vê-se que ‘amizade’ nos círculos petistas é tão relativa quanto a sua ideologia… O próprio PT oscilou entre o combate à corrupção e locupletando-se nela. O petista é sobretudo aquele que, como uma biruta de aeroporto, só assume a posição que o vento do comando sopra…
Essa gente não valoriza o amigo, como Maurício de Sousa exemplifica com Cebolinha e Cascão da Turma da Mônica; ou como assistimos no belo desenho animado “Procurando Nemo” o altruísmo da pexinha Dory com o peixinho Nemo; ou nas histórias de quadrinhos de Batman e Robin.
Na literatura, temos Sherlock Holmes e Dr. Watson do genial Conan Doyle, e a fraterna relação dos “Três Mosqueteiros” de Alexandre Dumas, acho que não existiu amizade de Dom Quixote por Sancho Pança por que o fidalgo decadente era meu amalucado assim como Dilma, mas Cervantes deixou claro que havia de Sancho para Quixote.
É tão forte a amizade nos círculos parentais que se confunde com o amor; e que o amigos não escolhem a gente, mas nós os elegemos. Entre pessoas normais ocorre o que ensina Machado de Assis: o afeto nasce espontaneamente sem dizer como, e sem cobrar nada.
Nos meios fascistóides isso é incapaz de acontecer. No terror fantástico da sua atuação política, os lulo-petistas só pensam no Chefe, no Partido e neles próprios.
AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA
ALÉM DE MIM
Não é culpa minha
se não estou aparelhado
para entender certos conceitos
e sinais.
Conheço o ódio, o amor, a fome
a ingratidão e a esperança.
(Deus, a eternidade, o átomo e a bactéria
me excedem.)
O que não significa
que os ignore.
Ao contrário:
por não compreendê-los
finjo estar calmo
— e desespero.
Patativa do Assaré
AMANHÃ
Amanhã, ilusão doce e fagueira,
Linda rosa molhada pelo orvalho:
Amanhã, findarei o meu trabalho,
Amanhã, muito cedo, irei à feira.
Desta forma, na vida passageira,
Como aquele que vive do baralho,
Um espera a melhora no agasalho
E outro, a cura feliz de uma cegueira.
Com o belo amanhã que ilude a gente,
Cada qual anda alegre e sorridente,
Como quem vai atrás de um talismã.
Com o peito repleto de esperança,
Porém, nunca nós temos a lembrança
De que a morte também chega amanhã.
ESPERANÇA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Áureo-verde pendão da minha terra/ que a brisa beija e balança/ Estandarte que a luz do sol encerra/ E as promessas divinas da esperança” (Castro Alves)
Dicionarizada, a palavra esperança (subs. fem.) é antônima da palavra medo (subs. masc.). A Esperança é uma das três virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade) que a Bíblia exalta ensinando que a “Esperança não decepciona” (Romanos 5,3-5a).
O marqueteiro Duda Mendonça, tão genial quanto ambicioso, criou um slogan em 2003 botando na boca de Lula que “A Esperança venceu o medo”, entusiasmando a militância do Partido dos Trabalhadores, que acreditava numa mudança real nos destinos do Brasil.
Ledo engano. Assumindo o poder, Lula se corrompeu, arrastando consigo a hierarquia petista e distorcendo a ideologia que atraia os seus partidários. Os honestos consigo mesmo e com seu ideal se decepcionaram e se afastaram; e, passados 13 anos, 4 meses e 11 dias, assiste-se ao início do fim da Era Petista no julgamento do impeachment.
O estado mental dos parlamentares se libertou do medo e descortina a Esperança com o apoio de milhões de brasileiros que iluminaram a Esperança nas ruas dos País, derrotando a fobia social que o PT impunha através de uma propaganda massiva e maciça.
Lembro dos primeiros comunistas que se libertaram do Terror que o stalinismo infundia nos militantes, ameaçando-os do opróbio da traição. Foi com a divulgação do Relatório Kruschev, mostrando os crimes cometidos por Stálin, perseguições, prisões, torturas e campos de concentração, que se realizou a libertação dos mais inteligentes e bem-informados.
Em termos ocidentais, foi icônico o livro de Howard Fast “O Deus Nu”, que despertou na intelectualidade de esquerda (esquerda de verdade e não o populismo canhoto do lulo-petismo) para os males da ilusória ditadura do proletariado, do partido único, dos atos sigilosos de governo, da polícia política e, principalmente, do Estado-empresário monopolista que engessa e atrasa a economia.
Não é fácil libertar-se individualmente do medo, e muito pior é enfrentar a fobia social ou sociofobia. Ainda no século 19, Freud já discorria em suas aulas e palestras – e escrevia – sobre a fobia como uma entidade clínica. Modernamente, estuda-se, divulga-se e se diagnostica o TAS – Transtorno Ansioso Social nas tensões nervosas coletivas e manifestações grupistas de alarme.
Os aprendizes de ditador e os partidos totalitários aproveitam-se dos movimentos obsessivos e das limitações corporativas defensivas. Estes apresentam sintomas de ansiedade criando o caldo de cultura que permite a implantação do regime fascista.
Foi assim que agiram os pelegos lulo-petistas. Aproveitaram-se de necessitados, doentes mentais e de uma presidente da República inapta ao cerimonial do cargo, incompetente na administração da coisa pública e leniente com a corrupção. Dessa maneira cavaram sua própria sepultura.
Do outro lado foi inevitável a reação popular a partir do acesso à informação pelas redes sociais, que pressionaram a mídia, influenciaram jornalistas e alicerçaram a Operação Lava Jato – o movimento das “mãos limpas” à brasileira.
Avolumou-se uma solidariedade de todos estamentos sociais com aplausos à ação da Polícia Federal, do Ministério Público e do juiz Sérgio Moro. A resposta veio da Procuradoria Geral da República, avalizando o trabalho de faxina que atingiu governantes, empreiteiras e seus titulares, banqueiros e políticos.
O cenário entusiasta abriu os olhos dos órgãos controladores e o Tribunal de Contas da União apontou os crimes cometidos por Dilma contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e atropelando o Congresso com decretos autocráticos.
Com isto, chegamos ao impeachment que avança no Senado Federal, onde a Esperança reside enfrentando o fisiologismo político, o populismo irresponsável e a corrupção.
Os patriotas brasileiros continuamos, porém, ameaçados pelo medo de que a classe política considere o impeachment o ponto final da crise. Esta sensação exige que tenhamos Esperança de que Michel Temer cumpra realmente a promessa de mudança.
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Zé Limeira – O poeta do absurdo
O Marechal Floriano
Antes de entrar pra Marinha
Perdeu tudo quanto tinha
Numa aposta com um cigano
Foi vaqueiro vinte ano
Fora os dez que foi sargento
Nunca saiu do convento
Nem pra lavar a corveta
Pimenta só malagueta
Diz o Novo Testamento!
Pedro Álvares Cabral
Inventor do telefone
Começou tocar trombone
Na volta de Zé Leal
Mas como tocava mal
Arranjou dois instrumento
Daí chegou um sargento
Querendo enrabar os três
Quem tem razão é o freguês
Diz o Novo Testamento!
(…)
Quando Dom Pedro Segundo
Governava a Palestina
E Dona Leopoldina
Devia a Deus e o mundo
O poeta Zé Raimundo
Começou castrar jumento
Teve um dia um pensamento:
“Tudo aquilo era boato”
Oito noves fora quatro
Diz o Novo Testamento!
Sertão em Carne e Osso
No romper das alvorada,
Quando alegre a passarada
Se desmancha em cantoria,
Anunciando ao sertão
A sua ressurreição
No despontar de
outro dia!
Nos galho das baraúna
Os magote de graúna
Quando o seu canto desata,
Parece uns vigário véio
Cantando o santo evangéio
Na igreja verde da mata!
Canta nas tarde morena
Quando o sol vai descambando,
Se despedindo da terra,
Beijando a crista da serra,
Deixando o céu tão bonito,
Que o sol redondo e vermêio
Parece, mal comparando,
Um grande chapéu de couro
Na cabeça do infinito!
Zé da Luz é o nome artístico de Severino de Andrade Silva, poeta nascido em Itabaiana – Paraíba, em 1904, e falecido em 1965.
Ai! Se Sêsse!
Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois se impariasse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois dormisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
Que São Pêdo não abrisse
As portas do céu e fosse,
Te dizer qualquer tolice?
E se eu me arriminasse
E tu com eu insistisse,
Pra que eu me arrezolvesse
E a minha faca puxasse,
E o bucho do céu furasse?…
Talvez que nós dois ficasse
Talvez que nós dois caísse
E o céu furado arriasse
E as virge todas fugisse!
Zé da Luz é o nome artístico de Severino de Andrade Silva, poeta nascido em Itabaiana – Paraíba, em 1904, e falecido em 1965.
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