CAVIAR
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
— “Caviar é comida de rico/ Curioso fico/ Só sei que se come/ Na mesa de poucos” —(Zeca Pagodinho)
O caviar é um dos ingredientes mais esnobados, luxuosos e valorizados do mundo e, por ser muito caro, desperta mais a atenção e curiosidade das pessoas para degusta-lo. O caviar legítimo é a ova de um peixe, o esturjão, capturado no Mar Cáspio.
Foram os russos e os iranianos os primeiros povos a comercializar o caviar, iguaria que era desconhecida até nas regiões mais próximas. Ao ser descoberto e apreciado, limitou-se, porém, às classes mais abastadas pelo alto custo.
No Brasil popularizou-se, entrou na letra de músicas populares e o escritor Jorge Amado ajudou na sua divulgação citando-o nos seus livros. Vadinho, personagem de “Dona Flor e seus dois Maridos”, experimentou o caviar e comentou: “tem cheiro e gosto de xibiu”.
Também os socialistas de triplex e mansões foram apelidados de “esquerda caviar”, o que veio a inspirar o jornalista Rodrigo Constantino a escrever o livro “A Esquerda Caviar”. É uma crônica divertida, agradável de se ler, além de conter uma crítica expressiva à esnobação dos que vivem uma vida nababesca e arrotam um revolucionarismo falso.
Além do mais, Constantino lista vários socialistas que levam uma vida de abundância, especialmente por causa do discurso que propagam. Artistas que mantém apartamentos em Paris e Nova Iorque se manifestam com extremismo obreirista. E também faturam com a exibição esquerdizante na mídia, auferindo com seus discursos nos governos petistas, afagos e financiamento da Lei Rouanet.
Jornalistas de alto salário que também respiram o mesmo ar das ideias superadas pela experiência em vários países, insistem em comungar com elas. A poucos dias, levaram uma porretada da ministra Carmen Lúcia, presidente do STF. Perguntaram-lhe sobre os seus vencimentos. Carmen abriu a gaveta e mostrou-lhe seu contracheque, pedindo: – “Vocês podem mostrar os seus? ”.
O exibicionismo faz parte dos prazeres dos esquerdistas narcopopulistas quando conquistam o Poder. O ideólogo do lulopetismo, José Dirceu, antes de ser preso por corrupção e formação de quadrilha, tomava vinho de R$ 1.300 a garrafa.
Assistimos igualmente nas gestões dos ex-presidentes Lula e Dilma, essa distorção ideológica e a anomalia ética. Só se hospedavam em hotéis de conforto régio, e Lula, desmoralizado como réu em três ações penais, só viaja em jatinho particular.
Por ato do governo Temer, Dilma perdeu semana passada 90 motoristas de uso particular (e familiar) e devolveu 28 carros. Sua filha também devolveu 8 carros e 16 servidores.
O luxo dos lulopetistas, é um desvio da teoria socialista; mas no caso deles é a própria razão de militar no esquerdismo. Vemos isto nas campanhas eleitorais. No Rio de Janeiro as calças rasgadas e remendadas das mocinhas que apoiam Freixo, não ocultam o perfume francês que usam habitualmente.
Em paralelo uma pesada gozação vem de baixo para cima: Zeca Pagodinho desmoraliza a “esquerda caviar” com os versos – “Você sabe o que é caviar? / Nunca vi, nem comi/ Eu só ouço falar…” E como nem só de caviar pode viver o homem, também a falsidade socialisteira não podemos suportar: Chega! Vamos derrotar no 2º Turno o puxadinho do PT e o seu candidato, Freixo.
Fernando Pessoa
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente…
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A LEI
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Quanto maior o número de leis, tanto maior o número de ladrões”. (Lao-Tsé)
Modernamente, a lei é uma regra jurídica escrita. Sua expressão vem do verbo latino legere, que significa “aquilo que se lê”. Trata-se de uma norma ou conjunto de normas criadas através dos processos próprios executados pelas autoridades competentes.
No Estado de Direito, vivemos sob o império das leis; uma sociedade sem leis, retornaria a pré-história, onde os mais fortes conseguiam sobreviver e os mais fracos morriam de fome ou eram mortos pelos seus rivais.
Já tivemos a oportunidade de escrever sobre as primeiras legislaturas do mundo antigo com o seu surgimento entre os povos mesopotâmicos, impondo direitos e as punições contidos no Código de Hamurabi ou originários dele.
Ali encontramos a lei de talião, que exprime uma punição baseada na reciprocidade do crime e da pena que é a popular retaliação. É sempre lembrada através da máxima “olho por olho, dente por dente”.
As leis são ministradas pelos tribunais, que surgiram na Roma antiga, “tribunais”, do latim: significando “dos tribunos”. São cortes que possuem a competência de exercer a jurisdição, ou seja, interpretar a lei e resolver litígios com eficácia.
Nem sempre, porém, a coisa funciona assim. Nas ditaduras exercidas pelos “partidos únicos”, como o nazista e comunista, ou, atualmente, sem os princípios ideológicos destes, os estados ditatoriais da África e América Latina, de regimes populistas, funcionam os chamados “tribunais de exceção”.
A máfia e os carteis do narcotráfico, assim como os ‘guerrilheiros’ como os das Farc, têm os seus ‘tribunais’ para justiçar os dissidentes, desertores e até mulheres que engravidam a despeito da regra imposta proibindo-as de conceber.
No Brasil os lulopetistas instituíram seus próprios tribunais, expulsando deputados que votaram em Tancredo Neves, participaram do governo FHC e até expressaram opiniões divergentes da hierarquia partidária, como no caso da ex-senadora Heloísa Helena.
Mas os tribunais lulopetistas apresentam, também, o seu lado hilário. No caso do esquema de corrupção que corroeram a Petrobras, Eletrobrás, fundos de pensão e até de programas sociais como o Bolsa Família, o PT adotou a ‘Lei de Gerson’…
Lembram-se da “Lei de Gerson”, que surgiu numa propaganda de cigarros? O festejado craque de futebol Gerson dava uma tragada num cigarro de determinada marca e dizia: “Eu gosto de levar vantagem em tudo, por isso adotei esta marca.
A coisa caiu na expressão popular e entrou no rol dos princípios de uma pessoa que quer obter vantagens de forma indiscriminada, sem se importar com questões éticas ou morais.
… E se é para rir, para julgar os desmandos, as maracutaias e o desapego do PT pela coisa pública, avançando no Erário e enriquecendo a patota lulopetista com propinas arrancadas de contratos do governo, eu adoto a ‘Lei de Murphy’…
Trata-se de uma gozação que correu o mundo, e um dos seus artigos reza que: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.
Cai ou não cai como uma luva para o PT e seus puxadinhos? Alerto com a ‘Lei de Murphy’ para o eleitorado que decidirá o pleito municipal no 2º turno: Sabemos que os aliados do PT, como Marcelo Freixo, no Rio de Janeiro, darão errado, por que votar neles?
AVESSO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Vem do avesso do avesso/ Desse canto sonoro/ Posto pra fora sem dó” (“Avesso do Avesso” com Jane Duboc – Composição de Irinéia Maria E Raul Mir)
A palavra avesso é curiosamente adjetivo e substantivo; dicionarizada como adjetivo significa contrário, oposto: “ser avesso à mudança”; como substantivo, o lado oposto ao principal: “o avesso do casaco”. Em política, é o oposto ao lado direito: o avesso da verdade.
A História que escrevemos registra para a posteridade o grande exemplo de oposição ao lado certo, o lulopetismo, arrastando-se na estreiteza de ideias superadas, sendo contrário ao avanço econômico e social do Brasil.
Não é preciso ir muito longe no tempo para demonstrarmos como age o partido e seus puxadinhos cultuadores de Lula, autodenominados “de esquerda”, mas na realidade apresentam-se no campo político como a vanguarda da retaguarda.
Lembremos que Lula e seus asseclas foram contra a eleição de Tancredo Neves, em 1985 na transição para a redemocratização do País. Assumiu ferozmente essa posição que expulsou os deputados de sua bancada que votaram nele.
Na Assembleia Nacional Constituinte, sob a liderança de Lula, votou contra a Carta Magna de 88 que Ulisses Guimarães batizou de “Constituição Cidadã”. Com habitual cinismo, passados 25 anos da promulgação da Carta, festejou-a, distorcendo a sua atuação anterior.
Morto Tancredo, assumiu a presidência José Sarney, contra quem os apaniguados do retrocesso pediram o impedimento, e concluído o governo de transição foi eleito Fernando Collor, que sofreu o impeachment e foi sucedido por Itamar Franco.
Os lulopetistas opuseram-se a Itamar e, por incrível que pareça, se posicionaram contra o Plano Real, que Lula chamou de ‘estelionato eleitoral’.
Elegendo-se Fernando Henrique Cardoso o PT e seus tentáculos combateram violentamente a Lei da Responsabilidade Fiscal, que obriga os governantes limitarem seus gastos à arrecadação. Talvez prognosticando o que faria a sua presidente Dilma Rousseff, atentando contra ela e sofrendo impeachment por isso…
Ainda no Governo FHC votaram contra a criação dos programas sociais, Bolsa Escola, Vale Alimentação, Vale Gás e outras bolsas, que foram chamadas de ‘esmolas eleitoreiras’.
Mais tarde, unificaram esses benefícios sociais como Bolsa Família, usando-o como propaganda eleitoral e, à maneira do coronelato, transformaram seus usufrutuários como cabos eleitorais e massa de manobra.
Não é preciso mencionar que tudo o que os lulopetistas quiseram (e felizmente, como minoria não conseguiram) foram avanços no mapa socioeconômico do Brasil. Lula cresceu no seu primeiro mandato às custas do que os outros promoveram, entretanto vendeu através de uma propaganda à la Goeblles serem os criadores da estabilidade econômica e dos programas sociais.
Os lulopetistas se beneficiaram de todas iniciativas anteriores sem fazer uma autocrítica dos equívocos, como não assumem a roubalheira desenfreada dos seus governos e hierarcas do partido. Sempre no avesso da História, o lulopetismo postou-se agora contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um teto para o aumento dos gastos públicos, saída para tirar o Pais da crise herdada do defenestrado governo Dilma.
Mobilizando nas ruas seus paus mandados, e na Câmara, convocada para apreciar a PEC, fizeram de tudo para impedir o apoio dos parlamentares que terminaram aprovando-a por uma maioria acachapante.
Com o seu romantismo, Gustave Flaubert nos deixou seu pensamento de que “A recordação é a esperança do avesso. Olha-se para o fundo do poço como se olhou para o alto da torre”. Uma transferência metafórica coloca os defensores do atraso olhando sempre para o fundo do poço utópico sem ver no alto a torre do futuro…
MELADO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Quem nunca comeu melado quando come se lambuza” (Ditado popular)
A sabedoria do povo ensina que quem nunca comeu melado quando come se lambuza, que se pode traduzir como aquele que se mete em política sem uma formação ética conquistando uma oportunidade, exagera.
Temos um exemplo acabado com os pelegos que com vocação para a ladroagem roubaram demais; carreiristas bem-sucedidos tornaram-se autoritários, insuportáveis, intransigentes. Lembram um ditado popular que reza: “Pior que um rico esnobe, só mesmo um pobre metido a besta”.
O melado, um xarope conhecido também como mel de engenho e mel de furo, vem do melaço, o resíduo líquido obtido pela evaporação do caldo de cana, no processo artesanal ou tecnológico de fazer o açúcar e a rapadura.
Muito antes dos portugueses e seus engenhos de cana de açúcar no Brasil, o melado já era conhecido por volta dos anos 600 antes de Cristo na Índia e na Pérsia; e a História registra que os grandes navegadores dos séculos 15 e 16, como Colombo e Cabral levaram-no nas suas viagens.
Ainda hoje, o mel de engenho é considerado um alimento nutritivo e muitos políticos nordestinos legislaram para incluí-lo na merenda escolar. É também aproveitado na Medicina com sucesso no tratamento da artrite, psoríase, tumores, varizes e até em tratamento contra o Câncer e na recuperação pós-operatória.
Também é usado como umectante para fumos na prensagem da maconha e usados em cachimbos de água, como o Narguilé. Não acredito, porém, que isto influencie a lambuzagem dos zumbis autodenominados ‘revolucionários’ que pixam paredes e realizam quebra-quebras nas manifestações políticas.
O melado entra na política pela usurpação da ética, nos preconceitos contra opositores, na prática da corrupção, no aparelhamento de militantes e participação nas propinas que arrasaram a Petrobras, Eletrobrás e fundos de pensão.
Os puxadinhos do PT e cultuadores da personalidade de Lula não deixaram sós os lulo-petistas quando se melaram e se lambuzaram. É por isto, não por um personagem ou outro que aparecem nas listas eleitorais, que devem ser combatidos.
Deliciaram-se com a doçura do poder e aceitaram e aplaudiram o projeto antidemocrático e criminoso da manutenção do poder a qualquer custo. Seguindo suas lideranças, abusaram com elas destroçando a economia nacional em proveito próprio e dos seus comparsas ditadores da África e América do Sul.
Voltando ao adágio popular, comeram melado e se lambuzaram, sem tomar uma iniciativa de lavar a cara; então é preciso que alguém o faça: Se se acumpliciaram com a corrupção, aparelharam seus militantes e participaram das propinas, que sejam higienizados pelo voto…
… E é assim que os brasileiros esclarecidos farão, derrotando todos os candidatos apoiados pelo PT, mesmo excluindo Lula e Dilma do palanque por enganação, como faz o Freixo no Rio de Janeiro.
CUMPLICIDADE
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
A submissão a determinações que não se fundamentam na ética, na honestidade e na verdade, é cumplicidade, é crime! (Flávio Teles, professor)
A palavra “Cúmplice”, dicionarizada, tem dupla classificação gramatical, como adjetivo e substantivo dos dois gêneros; referindo-se a pessoa que colabora com outra (os) na realização de alguma coisa; sócio, parceiro. Em juridiquês é quem auxilia ou facilita a realização de um crime, mesmo sem tomar parte ativa na sua execução.
No coloquial tem usos vários. Teve até novela no SBT “Cúmplices de um Resgate” e composições românticas de Cazuza, “Cúmplice”, onde clamou “Meu amor, meu cúmplice/ Meu par na contramão”, e de Fábio Jr., “A Cúmplice” onde cantou “Amante e confidente/ A cúmplice de tudo/ Que eu fizer a mais…”
Romantismo à parte: A faxina contra a corrupção (interna e externa) varre o PT, principal agente deste cancro, e seus partidos cúmplices autodenominados “de esquerda”, sendo na verdade grupos narcopopulistas, aliados do chavismo e da pelegagem sul-americana.
As investigações da Lava Jato repercutiram nas recentes eleições municipais produzindo a queda do sistema partidário “esquerdista” com o repúdio dos eleitores de Norte a Sul do País, com exceção do Acre, menos petista e mais oligárquico, sob o comando da Família Viana.
Os cúmplices inegáveis do lulopetismo, Psol e PCdoB perderam votos; o PSTU encolheu ainda mais; a recém-fundada Rede afirmando-se contra o extremismo, não atingiu uma votação expressiva e os nanicos PCs continuam desprezados pelo povo.
Com a derrota acachapante (sou fã deste termo para designar mau êxito, destroço) do lulopetismo e seus cúmplices, vem o presidente do PT, Rui Falcão, orientar o apoio irrestrito ao candidato do Psol no Rio, Marcelo Freixo, e há também uma expressiva movimentação de militantes petistas descontentes com o partido e com Lula de ingressarem no Psol ou fundarem uma nova legenda neste oceano revolto e inexplicável de partidecos inexpressivos.
Isto é um sinal de alerta para os cariocas honestos, e dos brasileiros em geral fartos de corrupção e impunidade. Freixo, através de uma adoção marqueteira, leva cpm seu carreirismo a tentativa de ganhar a eleição no Rio, superando a derrota na primeira disputa eleitoral.
Foge da marca lulista, muda de cor e de slogans. Já não fala em “eleições diretas já”, nem no “Volta Dilma”. Um hipócrita discurso eleitoralista, pois após o anúncio da ida para o 2º turno, os cúmplices do PT e de Lula acorreram para festejar na Lapa, reduto de boêmios e revolucionários de botequim e aplaudiram no início da fala do candidato Freixo o grito “Fora Temer! ”.
Nada há de mais expressivo nisto. Mesmo com a desastrosa situação econômica do Estado do Rio e da Prefeitura pós-Olimpíadas, os neo-psolistas não pensam em administrar, apenas fortalecer a política do “quanto pior melhor”, traçada pelo esquerdismo delirante da pelegagem.
Deve-se condenar esta cumplicidade explícita de Freixo com o lulopetismo defenestrado eleitoralmente por encarnar uma funesta administração, o insucesso na economia anexada à corrupção e, pior, a política de manutenção do poder a qualquer custo.
Na ânsia tresloucada e camaleônica de enganar o eleitorado do Rio, juntam-se com a seita petista o que há de repulsivo no esquerdismo fraudulento do PCdoB e da fantasiada Rede, através dos derrotados Jandira e Molon.
Para ludibriar a opinião pública, jornalistas e intelectuais cúmplices do lulopetismo, engendram uma campanha contra seu adversário, o senador Marcelo Crivella. Chamou-me atenção a uma carta que ele escreveu a Cora Ronai, intelectual que muito admiro, mas que escorregou ao escrever que “não podia olhar para ele (Crivella).
Diz o Senador candidato dos cariocas contra a corrupção da frente narcopopulista: “Nunca deixei de olhar no rosto de ninguém por causa de suas convicções religiosas, políticas, ou escolhas de vida. Por isso me surpreendeu a forma preconceituosa como uma distinta jornalista, como você, se refere a um senador eleito duas vezes pela decisão democrática do povo do Rio de Janeiro”.
Por ter votado a favor do impeachment, diferente da cumplicidade de Freixo, defensor dos desmandos de Dilma, contra o impeachment; Crivella se apresenta como um democrata, diferentemente dos seguidores da seita intolerante e autoritária dos narcopopulistas. Votarei nele.
DNA & RNA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Creio no DNA todo poderoso/ criador de todos os seres vivos,/ creio no RNA,seu único filho,/ concebido por sua ordem a graça” (Oração do DNA)
Uma extraordinária descoberta da ciência no século passado revelou que está contida no corpo dos seres vivos a transmissão de caracteres hereditários. Envolvidas nesse registro encontram-se no núcleo das células o DNA e o RNA, ambos ácidos nucleicos.
A sigla DNA vem de Ácido Desoxirribonucleico, que contém toda a informação genética de um organismo. Conforme pesquisas científicas, o DNA faz o RNA, sigla para ácido ribonucleico, que faz proteína.
Assim, o RNA produtor de proteínas compostas que ficam no citoplasma celular, é o mensageiro da informação contida no DNA, numa molécula formada por duas cadeias na forma de uma dupla hélice.
O desenho do DNA como a sua função, estão nas cabeças de estudantes do ensino médio que realmente estudam, da mesma forma que são do conhecimento de todos adultos escolarizados.
Sabemos que o código genético, está no DNA, no núcleo das células, para onde se dirigem as proteínas do RNA transmissor. Corpos mumificados de 4.000 anos como também sáurios congelados nas estepes siberianas revelam, através do DNA, evidências incríveis.
Como ilustração, usa-se figurativamente o DNA para indicar a movimentação sócio-política de agentes públicos. Já escrevi em diversos textos que o lulo-petismo traz em si o DNA da corrupção.
Anotamos também as origens e a evolução maléfica de Lula da Silva, diferentemente do filme de louvaminhas sobre sua vida. Pelo DNA histórico e sociológico é facílimo encontrar a real trajetória desse pelego sindical que se elegeu presidente da República.
A cinematografia da realidade está chegando ao Fim, com duas indicações do protagonista como réu, e uma denúncia contundente sobre o seu envolvimento como chefe de um esquema criminoso.
Como na espiral da dupla hélice do DNA acompanha-se a entrada de Lula na vida sindical pelas mãos de um irmão mais velho, filiado ao Partido Comunista Brasileiros, a quem veio a trair na luta interna pelo poder no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
Em plena ditadura militar, como pelego da Volkswagen Lula mantinha uma dupla personalidade, atuando de um lado como agitador político à frente de uma geração oriunda da União da Juventude Comunista e católicos da JOC, e do outro lado como informante do DOPS de São Paulo.
Através dos órgãos da indústria automobilística alemã, relatórios do DOPS e organização de sindicalistas no ABC paulista, chegou ao general Golbery que lhe deu em 1980 a direção de um partido com a intenção de anular a influência do PCB de Luiz Carlos Prestes e o PTB de Leonel Brizola.
Dessa maneira surgiu o Partido do Trabalhadores, reunindo dissidentes stalinistas do partido comunista, bases trotskistas, professores obreiristas da USP e clero politizado pela “Teologia da Libertação”.
O PT se apresentou como um partido de novo tipo. Contra as oligarquias, contra o nepotismo, contra a exploração patronal e contra a corrupção. Para se mostrar diferente, não assinou a Constituição de 1988, e Lula tornou-se candidato repetido à Presidência e fez oposição ao Plano Real.
O PT e Lula silenciaram diante da maracutaia de FHC para se reeleger; e em troca, FHC cruzou os braços na candidatura de José Serra elegendo Lula presidente da República e este, como nunca havia comido melado, lambuzou-se.
Lula enfrentou a crise do Mensalão negando a princípio tudo, alegando surpresa e traição, e que não sabia da roubalheira desenfreada de seus cupinchas; escapou do impeachment pela leniência do PSDB e do DEM, que adotaram a estratégia do “deixar sangrar até morrer” e – sabe-se agora –, também com o beneplácito de Joaquim Barbosa, livrando-o da condenação.
Passado o tempo, o Brasil assiste o “operário, sobrevivente” mergulhado até o queixo no mar de lama da corrupção. Vê-se as suas escandalosas tramenhas com Palloci, Mantega e Odebrecht para se manter no poder, encher os cofres do PT, o bolso dos asseclas e o seu próprio, fundando uma Propinocracia.
Se a princípio, matreiro, formado na escola da pelegagem, negou mais duas ou três vezes a participação nos saques, Lula já não pode esconder o conhecimento do assalto à Petrobras, demais empresas estatais, o BNDES e os fundos de pensão.
O tempo, senhor da verdade e da razão, pelo voto democrático deverá condenar Lula e a organização criminosa criada por ele. Falta pouco para os brasileiros verem-no preso.
EXÉQUIAS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”. (Fernando Sabino)
As “grandes religiões” se despedem dos seus mortos de maneira diferente, algumas curiosas e extravagantes. No Hinduísmo, a maioria dos hindus é cremada. Se o morto é chefe de família, seu primogênito faz o trajeto segurando a tocha que ateará fogo à pira. As cinzas do morto são espalhadas ao vento ou guardadas no oratório da família. Chorar no ritual não é bem-visto.
De acordo com o Islamismo o enterro ocorre o mais rápido possível; o corpo é perfumado com cânfora e posto no caixão virado à direita com o rosto voltado para Meca.
O Judaísmo promove a higienização do cadáver realizada por não familiares; após o asseio, vestem-no com uma mortalha de algodão ou linho. Os atendentes, pedem em oração perdão ao morto pelo incômodo.
No Cristianismo a cerimônia de sepultamento é simples. Quando o velório não ocorre no cemitério, familiares e amigos carregam o caixão até a cova; mas os católicos fiéis ao clero também encomendam as exéquias.
As exéquias são os funerais da liturgia católica, com a Igreja oferecendo pelos mortos o Sacrifício eucarístico, memorial da Páscoa de Cristo. Como mistério, as exéquias se realizam com o corpo aguardando a vinda do Salvador e a ressurreição dos mortos.
Na confusão que se faz no cenário político brasileiro entre religião e ideologia, acompanhamos as honras fúnebres da seita lulo-petista da falecida presidente Dilma, apeada do cargo pela eutanásia do impeachment.
Uma das homenagens post-mortem de Dilma ocorreram com barulhentos quebra-quebras nas ruas de São Paulo. A liturgia black-blocs se parece com os ritos mortuários xintoístas, muito barulho, chocalhos, campainhas e apitos.
No Rio e em Brasília, assistimos enterros de desvalido, com pouquíssimas presenças e a maioria de pessoas que gozavam da intimidade da ex-autoridade defunta. No Nordeste, além das tradicionais carpideiras pagas para chorar encenando desespero, o culto foi a expressão de bolsistas da morte…
Não ouvi falar de Belo Horizonte e Vitória, mas em Curitiba e Floripa o cerimonial, com pouca gente, lembrou a “Serra da Velha” que acontece tradicionalmente na Quaresma, uma lúdica comitiva que percorre as ruas satirizando pessoas alcoviteiras e faladeiras.
Em Porto Alegre as cerimônias fúnebres de Dilma têm sido continuadas, pouca gente, mas constante no inconformismo com a sua ida e pedindo a sua volta…
A massa do povo brasileiro, que pediu o fim da corrupção e o impeachment nas ruas, vive um carnaval fora de época continuado, mas incompleto. Nessa funérea festividade do sepultamento de Dilma ficou faltando sua punição constitucional como infratora da Lei de Responsabilidade e ainda se carece das exéquias de um partido que se transformou numa organização criminosa.
O fim da imoralidade pública deve ser festejado como em Gana, na África, que no ensinar do grande Câmara Cascudo, a morte é sinônimo de alegria. Assim (e obrigatoriamente), os brasileiros exibem contentamento com a morta-viva Dilma putrefazendo os vírus contagiosos da maldade…
Os lulo-petistas já antecipam o velório do outro zumbi, Lula da Silva, que está na UTI da justiça respirando pelos aparelhos das copiosas provas apresentadas pelo MPF na denúncia ao juiz Sérgio Moro que, considerando-o réu, apressa as redações da imprensa a elaborar o seu epitáfio político.
Resta um consolo aos fanáticos seguidores da estrela da corrupção, o pensamento que Millôr nos deixou: “Do mundo nada se leva. Mas é formidável ter uma porção de coisas a que dizer adeus.”
Jorge Luis Borges
A UM GATO
Não são mais silenciosos os espelhos
Nem mais furtiva a aurora aventureira;
Tu és, sob a lua, essa pantera
que divisam ao longe nossos olhos.
Por obra indecifrável de um decreto
Divino, buscamos-te inutilmente;
Mais remoto que o Ganges e o poente,
É tua a solidão, teu o segredo.
O teu dorso condescende à morosa
Carícia da minha mão. Sem um ruído
Da eternidade que ora é olvido.
Aceitaste o amor desta mão receosa.
Em outro tempo estás. Tu és o dono
de um espaço cerrado como um sonho.
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Augusto dos Anjos
Canto de Agonia
Agonia de amor, agonia bendita!
– Misto de infinita mágoa e de crença infinita.
Nos desertos da Vida uma estrela fulgura
E o Viajeiro do Amor, vendo-a, triste, murmura:
– Que eu nunca chore assim! Que eu nunca chore como
Chorei, ontem, a sós, num volutuoso assomo,
Numa prece de amor, numa delícia infinda,
Delícia que ainda gozo, oração, prece que ainda
Entre saudades rezo, e entre sorrisos e entre
Mágoas soluço, até que esta dor se concentre
No âmago de meu peito e de minha saudade.
Amor, escuridão e eterna claridade…
– Calor que hoje me alenta e há de matar-me em breve,
Frio que me assassina, amor e frio, neve,
Neve que me embala como um berço divino,
Neve da minha dor, neve do meu destino!
E eu aqui a chorar nesta noite tão fria!
Agonia, agonia, agonia, agonia!
– Diz e morre-lhe a voz, e cansado e morrendo
O Viajeiro vai, e vê a luz e vendo
Uma sombra que passa, uma nuvem que corre,
Caminha e vai, o louco, abraça a sombra e… morre!
E a alma se lhe dilui na amplidão infinita…
Agonia de amar, agonia bendita!
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