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Dylan Marlais Thomas

AMOR NO HOSPÍCIO

Uma estranha chegou
A dividir comigo um quarto nessa casa que anda mal da cabeça,
Uma jovem louca como os pássaros

Que trancava a porta da noite com seus braços, suas plumas.
Espigada no leito em desordem
Ela tapeia com nuvens penetrantes a casa à prova dos céus

Até iludir com seus passos o quarto imerso em pesadelo,
Livre como os mortos,
Ou cavalga os oceanos imaginários do pavilhão dos homens.

Chegou possessa
Aquela que admite a ilusória luz através do muro saltitante,
Possuída pêlos céus
Ela dorme no catre estreito, e no entanto vagueia na poeira
E no entanto delira à vontade
Sobre as tábuas do manicômio aplainadas por minhas lágrimas deâmbulas.

E arrebatado pela luz de seus braços, enfim, meu Deus, enfim
Posso de fato
Suportar a primeira visão que incendeia as estrelas.

.(tradução: Ivan Junqueira)

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LADRÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Um homem que rouba por mim fatalmente roubará de mim” (Theodore Roosevelt)

O primeiro presidente Roosevelt, dos EUA, nosso epigrafado, chega à perfeição expressando como age o ladrão do dinheiro público; pode até ‘justificar’ a razão do roubo, para o partido, para a revolução, para a vitória do socialismo, mas é um ladrão, que rouba por ele, nunca pelo povo.

Ladrão é aquele que rouba. A palavra dicionarizada pode ser adjetivo e substantivo masculino.  Vem do latim, latro/latronis. Quando a palavra chegou ao português, ainda no século 11 recebeu a grafia ladrones: Então, como hoje, tinha a definição de “aquele que furta, rouba, se apodera do alheio”.

O português falado no Brasil tem uma rica sinonímia da palavra ladrão: além de gato, gatuno, larápio e rato, é adjetivado como “ladrão de carteirinha”, referindo-se ao profissional; “ladrão de gravata ou de colarinho branco”, da classe alta, “ladrão de galinha”, o pé de chinelo…

O “ladrão” é tema no mundo cultural: no cinema tivemos o premiado filme francês de André Téchiné, “Os Ladrões” de 1996, e na literatura, os contos “O ladrão”, de Mário de Andrade e “Um ladrão”, de Graciliano Ramos, este último levado ao teatro.

É coloquial até o superlativo “ladrãozão”, que o Dicionário de Gíria de J.B. Serra e Gurgel dá um exemplo que parece bastante atual para ser usado: “O senador é um ladrãozão. E viva a impunidade! ”.

Os “ladronzões’ do dinheiro público sempre existiram, mas se multiplicaram geometricamente nos governos de Lula e Dilma, do Partido do Trabalhadores. Não é por acaso a prisão dos hierarcas do PT, quatro tesoureiros do partido entre eles.

A Nação tem acompanhado a condenação dos envolvidos no escândalo do Mensalão e do Petrolão envolvendo a Petrobras, Eletrobrás, empresas públicas e fundos de pensão. Na primeira fase, com a prisão do ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula, revelou as propinas distribuídas a parlamentares para sustentar a base parlamentar do PT-governo.

Daí em diante uma corrente fluindo com centenas de corruptos nos poderes da República, evidenciou a existência de uma organização criminosa. Através da descoberta dessa organização criminosa chegou-se ao Petrolão.

A Operação Lava-Jato foi causa e consequência de uma grande faxina para varrer de uma vez para sempre os corruptos e corruptores da vida nacional. Os investigadores encontraram provas contundentes do envolvimento de parlamentares de todos os partidos.

Não há dúvida, entretanto, que o suporte do assalto ao Erário, é o lulopetismo e principalmente o seu chefe Lula da Silva. Qualquer aprofundamento nas investigações, nas delações premiadas, testemunhos e provas, aponta para Lula como mentor, articulador e usufrutuário da roubalheira.

Seguindo o levantamento dos crimes praticados leva-nos até ao passado criminoso dos lulopetistas ao chegar ao empréstimo do Banco Schahin executado pelo PT. Foi para pagar um chantagista que ameaçava acusar Lula como responsável do assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André.

A criminalidade de Lula se estendeu ao poste eleito por ele, a destrambelhada, incompetente e inconsequente Dilma Rousseff, cuja administração institucionalizou a ação dos ladrões do dinheiro público.

É indiscutível a participação de Dilma no fato revoltante da compra das refinarias de Pasadena e Nansei Sekiyu, uma bandidagem inolvidável, cujo rombo nas contas da Petrobras é quase impagável.

O grande William Shakespeare adverte que “A suspeita sempre persegue a consciência culpada; o ladrão vê em cada sombra um policial”; é assim que se assiste o pânico das hostes defensoras do antigo regime derrubado pela prática criminosa.

Hugh Selwyn Mauberly (Ezra Pound)

Vai, livro natimudo,
E diz a ela
Que um dia me cantou essa canção de Lawes:
Houvesse em nós
Mais canção, menos temas,
Então se acabariam minhas penas,
Meus defeitos sanados em poemas
Para fazê-la eterna em minha voz
Diz a ela que espalha

Tais tesouros no ar,
Sem querer nada mais além de dar
Vida ao momento,
Que eu lhes ordenaria: vivam,
Quais rosas, no âmbar mágico, a compor,
Rubribordadas de ouro, só
Uma substância e cor
Desafiando o tempo.

Diz a ela que vai
Com a canção nos lábios
Mas não canta a canção e ignora

Quem a fez, que talvez uma outra boca
Tão bela quanto a dela
Em novas eras há de ter aos pés
Os que a adoram agora,
Quando os nossos dois pós
Com o de Waller se deponham, mudos,
No olvido que refina a todos nós,
Até que a mutação apague tudo
Salvo a Beleza, a sós.

(Trecho de Hugh Selwyn Mauberly, de Ezra Pound. Tradução de A. de Campos)

Affonso Romano de Sant´Anna

Fascínio

Casado, continuo a achar as mulheres irresistíveis.
Não deveria, dizem.
Me esforço. Aliás,
já nem me esforço.
Abertamente me ponho a admirá-las.
Não estou traindo ninguém, advirto.
Como pode o amor trair o amor?
Amar o amor num outro amor
é um ritual que, amante, me permito.

* Este poema foi recitado na voz de Tônia Carrero no CD “Affonso Romano de Sant’Anna por Tônia Carrero” da Coleção “Poesia Falada”.

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Bosco Lopes

Riogrande

 

Rio grande da morte

Rio grande sem sorte

Rio grande sem forte

Rio Grande do Norte

Rio pequeno do Norte

Rio finito do corte

Rio seco de sorte

Rio Grande do Norte

Rio sem cais sem porto

Rio você já foi morto

Rio de leito torto

Rio chorando de fome

Rio triste sem nome

Rio cansado que some

 

LOPES, Bosco.  Projeto / Zero.  Natal, RN: Sebo Vermelho Edições, 2008.   Editor: Abimael Silva.  Edição inconsútil, 6 folhas soltas.  Poema-processo. 16×16 cm  “ Bosco Lopes “ Ex. bibl. Antonio Miranda

Olavo Bilac

A velhice

O neto:

Vovó, por que não tem dentes?

Por que anda rezando só.

E treme, como os doentes

Quando têm febre, vovó?

Por que é branco o seu cabelo?

Por que se apóia a um bordão?

Vovó, porque, como o gelo,

É tão fria a sua mão?

Por que é tão triste o seu rosto?

Tão trêmula a sua voz?

Vovó, qual é seu desgosto?

Por que não ri como nós?

 

A Avó:

Meu neto, que és meu encanto,

Tu acabas de nascer…

E eu, tenho vivido tanto

Que estou farta de viver!

Os anos, que vão passando,

Vão nos matando sem dó:

Só tu consegues, falando,

Dar-me alegria, tu só!

O teu sorriso, criança,

Cai sobre os martírios meus,

Como um clarão de esperança,

Como uma benção de Deus!

 

In: Poesias Infantis

RJ: Francisco Alves, 1929.

PRINCÍPIOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A sinceridade é o princípio e o fim de todas as coisas” (Confúcio)

Princípio (do latim principiu) significa começo, fundamento, ou essência de algum fenômeno. É uma regra geral, a causa primária. Do ponto de vista acadêmico, é a regra ou lei que controla a forma de agir ou a postura dos indivíduos.

Podemos definir princípios como experiências, ensinamentos, normas ou saberes essenciais e imprescindíveis; na sociedade humana os princípios estão indissoluvelmente ligados à liberdade individual, sem pressão externa e influente no processo de socialização.

Na Filosofia, é a proposição ao início de uma dedução e que não é deduzida de nenhuma outra proposição do sistema filosófico. Na antiga Grécia, mãe da cultura ocidental, seus sábios estabeleceram princípios para o estudo da Natureza que, na sua visão teórica, era regida por leis imutáveis.

Para Pitágoras, o princípio das coisas era os números e induziu os seus discípulos a crer que “todas as coisas são números”. Estes filósofos do passado inspiraram os estudos matemáticos de Descartes com a geometria, e os científicos de Emanuel Kant sobre a filosofia da natureza e da natureza humana.

Em todos os ramos da Ciência encontramos o olhar analítico dos princípios que produzem pesquisas da comunidade científica, principalmente para a medicina.

Nas religiões orientais, os ensinamentos de Confúcio e Buda são os princípios adotados pelos crentes, e, no cristianismo, encontramos os princípios bíblicos do Livro de Mateus e nos Evangelhos com as parábolas de Jesus Cristo.

Dos exemplos apresentados também nascem as doutrinas e os preceitos que regem a Política que, infelizmente, uns confundem com Ciência e outros com Religião; nesta vertente do comportamento humano os princípios são geralmente questionados ou oportunisticamente inventados…  É daí que neste campo, as ideologias precisam ser discutidas e disputadas.

Como aceitar, por exemplo, o princípio adotado pelos lulopetistas do “sempre se fez assim”? A vulgaridade para justificar a saga dos seus crimes, desmente as proposições iniciais do Partido dos Trabalhadores, insincero, desviando-se por atalhos que receberam o repúdio de muitos dos seus fundadores.

Ao aderir ao velho sistema, aliando-se com os 300 picaretas do Congresso, o PT precisava dar uma satisfação às correntes esquerdistas; e acolheu outro princípio, que os jesuítas atribuíram aos comunistas e que Trotsky disse ser da Congregação: “Os fins justificam os meios”.  É possível que ambos estivessem certos…

Vagando na “undiscorey country” a região desconhecida e fantasiosa que Shakespeare mapeou no 3º Ato de “Hamlet” a meninada controlada pelos pelegos da UNE e da UBES repetem o mantra do “Não à reforma do Ensino”, sem sequer tenham lido o texto…

Também devemos atribuir à reversão dos princípios éticos aos eleitores do “Quanto pior, melhor”, ao apoiar no Rio de Janeiro o candidato do PSOL, defensor dos Black Blocs que agridem, depredam, vandalizam e até contabilizam uma morte com seus desatinos.

Por sorte, ainda vigoram neste País princípios jurídicos estabelecendo padrões de conduta para a cidadania e para o Estado. Assim, a Justiça Federal persegue todos os corruptos e a organização criminosa que aparelhou o governo federal para corromper e ser corrompida.

Nesta segunda semana de outubro, o juiz Moro decretou a prisão de Eduardo Cunha, considerando-o um serial infrator da Lei. Pelo princípio constitucional de que “todos são iguais perante a Lei”, fica nos devendo a prisão de Lula da Silva, o mega-corrupto chefe do quadrilhão do PT e seus satélites.

Tobias Barreto

A Escravidão

 

Se Deus é quem deixa o mundo

Sob o peso que o oprime,

Se ele consente esse crime,

Que se chama a escravidão,

Para fazer homens livres,

Para arrancá-los do abismo,

Existe um patriotismo

Maior que a religião.

 

Se não lhe importa o escravo

Que a seus pés queixas deponha,

Cobrindo assim de vergonha

A face dos anjos seus,

Em seu delírio inefável,

Praticando a caridade,

Nesta hora a mocidade

Corrige o erro de Deus!…

 

1868

Publicado no livro Dias e Noites (1893). Poema integrante da série Parte I – Gerais e Naturalistas.

In: BARRETO, Tobias. Dias e noites. Org. Luiz Antonio Barreto. Introd. e notas Jackson da Silva Lima. 7.ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Record; Brasília: INL, 1989. p.122. (Obras completas

 

Cecília Meireles

INTERLÚDIO

As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente — claro muro
sem coisas escritas.

Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.

Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.

Carlos Drummond de Andrade

CANÇÃO AMIGA

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.